quarta-feira, abril 12, 2006

AMOR LÍQUIDO


Amor Líquido, é o nome de um livro de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, sobre as relações do mundo pós-moderno. Trata do amor, das relações entre as pessoas, do convívio, da paixão, sobre a dificuldade de amar o próximo nos dias atuais. Lançado no Brasil em 2003 por Jorge Zahar, esse autor de 80 anos fala da fragilidade dos laços humanos. Selecionei alguns fragmentos:

Não é verdade que quando se diz tudo sobre os principais temas da vida humana, as coisas mais importantes continuam por dizer?

Não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer.

Em “O Banquete”, Platão dizia: Amar é querer gerar e procriar, e assim o amante busca e se ocupa em encontrar a coisa bela na qual possa gerar. Bauman traduz isso com essas palavras: Não é ansiando por coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra o seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas. O amor é afim à transcendência; não é senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.

O amor pode ser, e frequentemente é, tão atemorizante quanto a morte. Só que ele encobre essa verdade com a comoção do desejo e do excitamento.

Em sua essência, o desejo é um impulso de destruição. E, embora de forma oblíqua, de autodestruição: o desejo é contaminado, desde o seu nascimento, pela vontade de morrer. Essa é porém, seu segredo mais bem guardado _ sobretudo de si mesmo.

Se o desejo se autodestrói, o amor se autoperpetua.

Desejo e amor encontram-se em campos opostos. O amor é uma rede lançada sobre a eternidade, o desejo é um estratagema para livrar-se da faina de tecer redes. Fiéis a sua estrutura, o amor se empenharia em perpetuar o desejo, enquanto este se esquivaria aos grilhões do amor.

As coisas mais elevadas não podem ser planejadas. Imediatez é tudo para elas.

A afinidade nasce da escolha, e nunca se corta esse cordão umbilical. A menos que a escolha seja reafirmada diariamente e novas ações continuem a ser empreendidas para confirmá-la, a afinidade vai definhando, murchando e se deteriorando até se desintegrar.

O convívio do “viver juntos”e a proximidade consangüínea são dois universos diferentes, com espaço-tempo distintos, cada qual um universo completo, com suas leis e lógicas próprias.

A proximidade não exige mais a contigüidade física; e a contigüidade física não determina mais a proximidade.

O advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais freqüentes e mais banais, mais intensas e mais breves. As conexões tendem a ser demasiadamente breves e banais para poderem condensar-se em laços.

A realização mais importante da proximidade virtual parece ser a separação entre comunicação e relacionamento.

É isso aí.

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