Sexta-feira, Dezembro 11, 2009
RODRIGUEANAS
Amar é ser fiel a quem nos trai.
O amor é a arte do lazer. O amoroso precisa de tempo.
A vida é a arte de não fazer favores. Nada ofende mais do que o benefício, nada agride mais do que o favor.
Há na aeromoça a nostalgia de quem vai morrer cedo. Reparem como vê as coisas com a doçura de um último olhar.
Toda mulher bonita leva em si, como uma lesão da alma, o ressentimento. É uma ressentida contra si mesma.
São incompatíveis a beleza e a felicidade. E se a mulher bonita é feliz, estejamos certos de um equivoco visual: - não é bonita.
Na vida, o importante é fracassar.
Ou a mulher é fria ou morde. Sem dentada não há amor possível.
A mulher fria é a única que não tem o direito de trair.
A mulher pode ser grã-fina. O homem não. O homem tem que ser macho.
Não acredito em honestidade sem acidez, sem dieta e sem úlcera.
O “homem de bem” é um cadáver mal informado. Não sabe que morreu.
Não há inimigo insignificante. Todo inimigo é uma potência.
Sem um líder, ninguém atravessa a rua, nem chupa um chica-bom.
Lua de mel: a primeira noite é tudo.
Aquele que não acredita na ressurreição de Lázaro não devia tentar a medicina.
Todas as mulheres deviam ter quatorze anos.
Toda mulher gosta de apanhar. O homem é que não gosta de bater.
As paixões mais sérias dos homens são dos seis aos dez anos.
Todas as palavras são rigorosamente lindas. Nós é que as corrompemos.
O presidente que deixa o poder passa a ser, automaticamente, um chato.
A única nudez realmente comprometedora é a da mulher sem quadris.
A única coisa que justifica uma separação é a falta de amor. A infidelidade, não.
Todo tímido é candidato a um crime sexual.
Sou um suburbano. O único lugar onde ainda há o suicídio por amor, onde ainda se morre e se mata por amor, é na Zona Norte.
(Nelson Rodrigues: Flor de Obsessão)
Quinta-feira, Dezembro 10, 2009
ROBBIE WILLIAMS
Para ouvir / cantar:
Para dançar:
Quarta-feira, Dezembro 09, 2009
MEMÓRIA, de Anish Kapoor

O psicanalista está presente e antenado a tudo o que acontece no mundo.
Em visita recente a New York, Jorge Forbes viu a mostra MEMÓRIA, de Anish Kapoor, no museu Guggenheim. Leia seu relato:
Obra do escultor indiano, exposta no Guggenhein, faz os clássicos envelhecerem.
A escultura de Anish Kapoor em exibição no Guggenhein de Nova Iorque é maior que a sala onde está instalada. Ela é maior do que aquilo que se possa ver. De nenhum ângulo o visitante a enxerga totalmente, sempre só dela se apropriando por partes; e como a arquitetura de Lloyd Wright não é cartesiana, no sentido de fazer que alguém se localize facilmente, virou um esporte ajudar as pessoas angustiadas a acharem a próxima sala, de onde possam ver mais um pouquinho daquela coisa estranha.
Ela, de certa maneira, tem um dentro e um fora. Por fora, é toda em ferro vermelho, um casco curvo de navio, ou uma grande peça de motor que lembraria Richard Serra, com a diferença de o ferro estar ali recortado e não em contínuo, como esculpe o americano. Por dentro, nada além de um vazio negro. Curioso é que seria esperado, uma vez que a coisa é toda em curva, que sua boca também fosse assim, redonda. Mas não, ela é quadrada. Entra-se em uma das salas e se vê um quadrado preto recortado na parede. Ao se aproximar, nota-se o vazio do interior do objeto. Preto, totalmente preto. De perto, um espelho ao infinito; de longe, um belo quadro monocrômico.
Ela está lá, como o artista a chamou, a Memória. Como toda memória, esta, mesmo de ferro, nos escapa, e, quando finalmente achamos sua entrada, damos um passo para trás, ou ficamos na admiração: na saudade, como dizem os brasileiros.
Ao nos afastarmos da Memória, mesmo que para excelentes encontros, como com Kandisky, logo ali do lado, em maravilhosa retrospectiva, saímos certos que há algo novo na arte: a exposição do incompleto. Fenômeno coerente com esse tempo de um homem igualmente incompleto em sua história e em suas certezas fragilizadas.
Kapoor fez uma Memória de esquecer a garantia do encontro nostálgico do passado, pedindo, na tontura da pós-modernidade, a invenção de um futuro.
Jorge Forbes, em New York, quarta-feira, 4 de novembro de 2009.
(Texto publicado no site de Jorge Forbes: Memória, de Anish Kappor )
Terça-feira, Dezembro 08, 2009
HENRI SALVADOR
Domingo, Dezembro 06, 2009
JORNADAS DE PSICOANÁLISIS EN BUENOS AIRES

De 27 noviembre - 1º diciembre tuvimos quatro jornadas de psicoanálisis en Buenos Aires:
La segunda reunión de los Institutos del Campo Freudiano de Brasil - 27 de noviembre de 2009.
La clínica analítica hoy: el sinthoma y el lazo social - IV Encuentro Americano del Psicoanálisis de la Orientación Lacaniana y XVI Encuentro Internacional del Campo Freudiano - 28 y 29 de noviembre de 2009.
Opacidad del sintoma / Ficciones del fantasma - XVIII Jornadas Anuales de la Escuela de la Orientación Lacaniana (EOL) - 30 de noviembre de 2009.
Seminario Internacional de la Escola Brasileria de Psicanálise (EBP) - 1 de diciembre de 2009.
La lista del mejor de las jornadas, desde mi punto de vista:
- las conferencias de Eric Laurent
- la coordinación de mesas y plenarias por Jorge Forbes
- la intervención de Elza Macedo (IPLA) en la reunión de los Institutos del Campo Freudiano
- la declaración de Judith Miller: el hecho de ser hija de Lacan no me hace ser psicoanalista; nadie nace psicoanalista
- el anuncio de la apertura del 7° Congreso AMP a non miembros
Los analistas siguen con el ciclo de testimonios. Hay testimonios interesantes, otros divertidos, algunos muy aburridos.
Me acuerdo de lo que dije Jorge Forbes en el twitter: Um analista só se forma em uma análise pessoal, seus trabalhos têm que evidenciar essa marca: a marca do divã (Un analista se forma solamente en su analisis personal, es un marco que deve estar evidenciado en sus trabajos: el marco del diván.)
De la prensa argentina:
Eric Laurent en la televisión
Judith Miller en El Clarin
Judith Miller en La Nación
Buenos Aires es una hermosa ciudad y los argentinos han sido buenos anfitriones.
A Rio de Janeiro en el siguiente Encuentro Americano del Psicoanálisis de Orientación Lacaiana !
Domingo, Novembro 29, 2009
MI BUENOS AIRES QUERIDO
Estoy aqui para participar de las jornadas de psicoanalisis, por lo tanto no hay mucho tiempo para desfrutar la ciudad. Pero es sempre bueno estar ahi. En el tiempo que me quedó libre pude:
1) Pasar unas horas agradables en la libreria El Ateneo
Dificil salir con pocos libros.
Mi mayor descobierta fué el libro Papeles inesperados de Julio Cortázar, que se publica a los 25 años de su muerte - una colección de textos inéditos y dispersos escritos por Cortázar a lo largo de su vida.
La relación de los livros que adquiri y que recomiendo:
- Papeles inesperados - de Julio Cortázar
- Cuentos completos (tomo 1 y 2) - de Julio Cortázar
- Diego y Frida - de J.M.G. Le Clézio
- Contra la eternidad - Ogawa, Mallarmé, Lacan - de Jean Allouch
- Conferencias porteñas (tomo 1 y 2) - de Jacques-Alain Miller
- La entrada del psicoanálisis en la Argentina - de Germán Garcia
- La fortuna - de Germán Garcia
2) Almorzar entre amigos en el restaurant Oviedo - el placer de comer y beber un buen vino argentino.
3) Pasear por la Calle Florida y comer el mejor sandwich de pan de miga de Buenos Aires en la Confeitaria Florida.
4) Experimentar las empanadas El Sanjuanino - las mejores que he provado.
5) Pasear por Puertomadero.
6) Ir al cine y ver una película argentina: El secreto de sus ojos - la historia de un obsessivo que tardó 25 años para declararse a la mujer que amava.
7) Desfrutar una suíte con terraza panorámica al parque San Martin en el Marriott Plaza Hotel Buenos Aires
8) Escuchar tangos classicos como Florindo Sassone y su orquestra
Viva Buenos Aires !
Sábado, Novembro 28, 2009
CAETANO x ROBERTO
Sábado, Novembro 21, 2009
38e JOURNEES DE PSYCHANALYSE - ECF: Comment on devient analyste

Les 38e Journées de L´École de La Cause Freudienne - du 7 et 8 novembre 2009 au Palais des Congrès, à Paris – ont été un succès!
En commençant par les 53 journaux lancés par Jacques-Alain Miller (Journal des Journées) qui annonçaient les journées et les ont accompagnées – ils ont agité la communauté analytique lacanienne, et ont déclenché de nombreuses réactions.
Toujours au cours de la préparation de ces Journées, Jacques Alain Miller adhérait au Twitter, et son entrée attisait les spéculations- tous suivraient @jamplus, mais lui, qui suivrait-il? Tout ça faisait tâche d´huile, et finissait par attirer encore plus de monde à ces Journées.
Ces préparatifs mobilisaient un grand nombre de participants, un total de plus de 2000 personnes. Une fête était prévue, et même une Twitter Party était annoncée !
Je n´aurais pas voulu rater ce moment-là, et j´ai donc fait mon inscription bien à l´avance.
Ces 38 e journées ont marqué un bouleversement dans les Journées de l´ECF !
Un bouleversement de la bureaucratie des Journées, dans leur format, dans leur programme.
Pour traiter le thème « comment on devient analyste au XXI e siècle », 20 salles ont été composées, avec 60 paires d´analystes donnant témoignage de leur analyse et de la façon dont ils sont devenus analystes. Chaque participant assistait aux témoignages dans une salle préalablement attribuée, le matin puis l´aprés-midi. Ce fut le programme du samedi 7 novembre.
Le dimanche 8 novembre, grand happening: la journée a débuté par le Funambule – un fildefériste, en vrai. Un spectacle de cirque dans le grand auditorium du Palais des Congrès accompagné de la lecture d´un texte qui développait une analogie entre l´analyste et l´équilibriste.
Le programme, remis aux participants à l´entrée, annonçait une journée chargée, mais le clou était sans conteste l´interview du champion de Formule 1 , Alain Prost, - qui a parlé de sa vie, de sa carrière, de ses désirs, de Ayrton Senna, son grand adversaire – commandée par Jacques-Alain et Dominique Miller.
Voici quelques extraits des paroles de Prost, twittés par Jorge Forbes :
“ Senna a été le plus grand pilote que j´aie vu, il n´était comparable à aucun autre » déclare Prost, avec sympathie, simplicité et charisme.
« Quand j´ai décidé d´arrêter, sa relation avec moi a changé. Il me téléphonait même des séances d´entraînement pour discuter la mise au point de la voiture ».
« Si Senna n´avait pas existé ? Ah, j´aurais gagné trois autres titres mondiaux, »
« Senna m´inquiétait : il parlait avec Dieu ; c´est difficile d´entrer en compétition avec quelqu´un comme ça »
« J´ai parlé avec Senna le matin du 1e mai 94 : il n´était pas bien dans sa peau ».
Selecionei alguns trechos da fala de Prost twitados por Jorge Forbes:
Au programme du dimanche il y avait également la présentation du documentaire de Gérard Miller sur la première séance d´analyse, avec la participation de plusieurs personnalités comme Carla Bruni, le styliste Karl Lagerfeld et l´écrivaine Marie Darrieussecq.
J´ai posté quelques photos qui m´ont été envoyées par Bruna Sawa de Campos, une des habituées des cours des Samedis de L`IPLA et des Journées de l´ECF.
Postei algmas fotos que me foram enviadas por Bruna Sawa de Campos, uma frequentadora dos cursos de Sábados no IPLA e das jornadas da ECF.
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Ci-dessous, Jacques-Alain Miller, @midite, Jorge Forbes et @olirip au cours de la Twitter Party. Malheureusement, cette réunion, tant annoncée pourtant, avec plus de cent inscrits, n´a pas eu lieu. Ou plutôt, il y a bien eu la réunion, mais il n´a rien été discuté au sujet des communautés psychanalytiques sur Twitter – le sujet en fin de compte n´avait rien à voir.
Jorge Forbes a remis à Jaques-Alain Miller la brochure de l´IPLA : 216 tweets lacaniens.
Abaixo, Jacques-Alain Miller, @midite, Jorge Forbes e @olirip na Twitter Party. Infelizmente, essa reunião, tão anunciada, com mais de 100 pessoas inscritas, não aconteceu. Ou melhor, houve a reunião, mas nada foi discutido sobre a comunidade psicanalítica no Twitter - o assunto acabou sendo outro. Jorge Forbes chegou a entregar para Miller o livro do IPLA: "216 tweets lacanianos".
Cette activité a été l´un des points faibles de ces Journées. L´autre point faible a été le manque de séance de bienvenue le premier jour, car les 2000 participants qui débarquaient se sont retrouvés immédiatement répartis dans les 20 salles des témoignages jusqu´à la fin de la journée. Enfin, le manque de divulgation des programmes avec un minimum d´avance s´est fait sentir.
Esse acontecimento foi um dos pontos fracos do evento.
Mais, surtout, il a été très intéressant de voir tout, de près, d´être là. Et d´autant plus que ces Journées de l´ECF validaient tout ce que nous faisons à l´IPLA. : nous avons un canal de télé sur Youtube, depuis déjà plus de trois ans, avec plus de soixante vidéos ; dans toutes nos activités, soirées du dimanche, rencontres, journées, forums nous ne manquons jamais de faire participer des personnes des plus divers domaines qui viennent parler de leurs travaux et débattre avec nous ; l´ IPLA a été la première institution du Champ Freudien sur Twitter ; nous avons déjà twitté plusieurs de nos activités et cours, nous avons même réalisé une publication électronique et imprimée de tweets sur la seconde clinique de Jacques Lacan....
Porém, foi muito interessante ver tudo de perto, estar lá. Principalmente porque a ECF validou tudo o que já fazemos no IPLA: temos um canal de TV há 3 anos no YouTube com mais de 60 vídeos; em nossos eventos como domingueiras, encontros, jornadas e fóruns sempre trazemos pessoas dos mais diferentes segmentos para falar de seu trabalho e debater conosco; o IPLA foi a primeira instituição do Campo Freudiano a entrar no Twitter; já twitamos vários eventos e cursos do IPLA, chegando até a fazer uma publicação eletrônica e impressa em forma de tweets sobre A Segunda Clínica de Jacques Lacan, ...
Il faut que nous apprenions auprès de nos amis de l´ECF à valoriser et à divulguer ce que nous faisons – cette journée a été pour nous une grande leçon dans ce sens. Et la prochaine fois, nous serons là ! Suivez-moi sur twitter ! @teresagenesini
Devemos aprender com eles a valorizar e divulgar o que fazemos - essa jornada foi um grande aprendizado nesse sentido. E na próxima, estaremos lá!
Quarta-feira, Novembro 18, 2009
OUTONO EM PARIS

À meia noite a Torre Eiffel cintila por 5 minutos. Foi passeando por um caminho ao lado dela, durante esses pequeno intervalo de tempo, em que um gesto se torna um passe de mágica, que acabei de comemorei meu aniversário, depois de um belo jantar no TAILLEVENT com minha filha e amigos queridos.
Paris é uma cidade de sonhos. No outono suas cores ficam entre avermelhadas e amareladas. Passear por seus jardins, como Le Jardin des Tuileries, é um ótimo programa.
Foi com Bruna que fiz esse lindo passeio. Visitamos ainda algumas livrarias, a Apple Store no Carrousel du Louvre, inaugurada no sábado 7 de novembro, e finalizamos a jornada no Café de Flore em Saint German des Prés, depois de uma caminhada pela rue de Lille e de experimentar os deliciosos macarrons na centenária LADURÉE.
Com Maguy fiz outra comemoração do meu aniversário. Almoçamos no Restaurante / Casa de Chá - Maison de Thé à Paris, Mariage Frères, desde 1854. A comida é aromatizada com chá, muito delicada. Adorei o Crème Brulée - minha sobremesa favorita.
Outro caminho natural é o restaurante de nosso amigo Aimé - Ma Bourgogne - na Place des Voges. Lá tem o melhor Steak Tartare de Paris. Mas nessa noite Aimé nos mostrou outra especialidade: o champignon fresco passado na manteiga. Adorei!
Os champignons parecem aqueles dos contos de fadas. Neste ano a produção foi pequena e esse prato tornou-se uma raridade. O sabor dessa iguaria fica mais especial ainda.
Terça-feira, Novembro 17, 2009
OUTONO EM MILÃO




Antes de partir para Paris comprei meu presente de aniversário com a ajuda de Guilherme Kfouri - um designer e consultor de moda. Foi a escolha certa. Grande Guilherme !!!
Na minha despedida da segunda temporada em outubro com Letícia em Milão, fomos assisitir ao balé GISELLE no teatro alla Scala di Milano.
Este é o jardim do prédio de Letícia - um pedaço do paraíso em Milão.



Esta é a vista da janela da sala de Letícia.
Milão é uma cidade muito bonita. Fácil de andar, de caminhar a pé, de bicicleta, de bonde ou de metrô. As mulheres pedalam até de salto alto, super arrumadas, protegidas pelas belas capas de chuva ou de inverno. É a elegância européia com o toque milanês. Passear pela Via Montenapoleone , no quarteirão da moda é tudo de bom. Entrar numa das lojas e comprar um modelito especial é para deixar qualquer um se sentindo o máximo.




Deixar uma filha só, num outro país, mesmo que seja o de seus avós, dá um aperto no coração.





Terça-feira, Novembro 03, 2009
LA TRIENNALE DI MILANO




O fotógrafo americano Roger Ballen nasceu em New York e viveu desde 1970 na África do Sul até sua morte, neste ano.
Segunda-feira, Novembro 02, 2009
A PSICANÁLISE NA VANGUARDA

O IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana é a vanguarda da psicanálise. Veja porque:
Você ja pensou em um livro em forma de tweets?
Um livro que fale da clínica - mais especificamente a Segunda Clínica de Jacques Lacan ?
É o que acabamos de publicar no IPLA: 216 tweets lacanianos sobre a Segunda Clínica de Jacques Lacan.
Você sabia que o IPLA é a primeira instituição psicanalítica que entrou no Twitter e no YouTube?
E se quiser entrar nessa vaibe, é só me seguir:
http://twitter.com/teresagenesini
ou http://twitter.com/ipla_O canal do IPLA no YouTube completou 3 anos em outubro e já tem 62 vídeos.
Clique para conferir: IPLA no YouTube
Quer conhecer o IPLA? Venha participar dos sábados no IPLA - no sábado 14 de novembro: IRTP: Inconsciente, Repetição, Transferência e Pulsão - os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise.
Veja a programação. Confira também o site.: http://www.psicanaliselacaniana.com/
Nos vemos lá no IPLA !
Domingo, Novembro 01, 2009
LEMBRANÇAS DE AMIGOS
Segunda-feira, Outubro 26, 2009
ESTUDANDO PSICANÁLISE: PULSÃO
Pulsão (trieb) - termo empregado por Sigmundo Freud em 1905 para designar o ato de impulsionar.
Definição: carga energética que se encontra na origem da atividade motora do organismo e do funcionamento psíquico inconsciente do homem.
Pulsão (trieb) não deve ser confundido com instinto (instinct) ou tendência (drive). O conceito de pulsão está estreitamente ligado aos conceitos de libido e de narcisismo.
Freud utilizou o termo pulsão pela primeira vez no livro Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, em 1905. Nesse momento pulsão era essencialmente a pulsão sexual. Na edição de 1910 desse livro, Freud define a pulsão como uma demarcação entre o psíquico e o somático:
Pulsão é a representação psíquica de uma fonte endossomática de estimulações que fluem continuamente, em contraste com a estimulação produzidas por excitações esporádicas e externas.
Freud diferencia pulsão sexual de instinto sexual. Para ele a pulsão sexual não se reduz às atividades sexuais, mas é um impulso cuja energia é constituída pela libido. Diferencia a pulsão sexual das outras pulsões. A pulsão sexual é composta da satisfação genital e da função de procriação.
Em 1914, a primeira dualidade pulsional: Freud opõe as pulsões sexuais (cuja energia é de ordem libidinal) às pulsões de auto-conservação (cujo objetivo é a conservação do indivíduo) - as pulsões do eu.
As pulsões sexuais encontram-se sob o domínio do princípio do prazer, enquanto as pulsões de conservação ficam a serviço do desenvolvimento psíquico determinado pelo princípio de realidade.
As pulsões sexuais podem ter quatro destinos: inversão, reversão, recalque e subimação.
A inversão pode ser exemplificada pela oposição sadismo/masoquismo e voyeurismo/exibicionismo. A reversão pode ser exemplificada pela transformação do amor em ódio.
Em 1915, no texto As pulsões e suas vicissitudes, Freud define as quatro características da pulsão: força, alvo, objeto e fonte.
- força ou pressão - é a própria essência da pulsão; é o motor da atividade psíquica.
- alvo - é a satisfação; pressupõe a eliminação da excitação que se encontra na origem da pulsão. Esse processo comporta alvos intermediários ou até fracassos, chamados de pulsões inibidas quanto ao alvo.
- objeto da pulsão - é o meio pela qual a pulsão atinge seu alvo. Pode haver o entrecruzamento das pulsões, isto é, um mesmo objeto pode servir, simultaneamente para a satisfação de várias pulsões.
- fonte das pulsões - é o processo somático, localizado numa parte do corpo ou num órgão, cuja excitação é representada no psiquismo pela pulsão.
Em 1920, com a publicação do livro Mais além do princípio do prazer, Freud apresenta um novo dualismo: pulsões de vida e pulsões de morte.
Freud teorizou o que chamou de pulsão de morte a partir da observação da compulsão à repetição. Chegou à hipótese de que existe uma pulsão, cuja finalidade é reconduzir o que está vivo ao estado inorgânico. A pulsão de morte tornou-se, assim, o protótipo da pulsão. Da ação conjunta e oposta desses dois grupos de pulsões (pulsões de morte e pulsões de vida), provém as manifestações da vida, às quais a morte vem por termo.
Freud, em 1926, declara que a doutrina das pulsões é um campo obscuro, até mesmo para a psicanálise: "A teoria das pulsões é, por assim dizer, nossa mitologia. As pulsões são termos míticos, portentosos em sua imprecisão".
Em 1933, nas Novas conferências introdutórias sobre psicanálise, Freud sublinha que "a pulsão de morte não pode estar ausente de nenhum processo de vida". Ou seja, se há vida, há pulsão de morte.
Lacan, em seu Seminário XI, de 1964, considerou a pulsão como um dos quatro conceitos fundamentais da psicanálise.
Para Lacan, a pulsão increve-se numa abordagem do inconsciente em termos da falta e do não-realizado. Para apreender a essência do funcionamento pulsional, é preciso conceber o objeto como sendo da ordem de um oco, de um vazio, designado de maneira abstrata e não representável: o objeto a (o objeto do desejo). Para ele, a pulsão é sempre parcial.
Lacan definiu cincoo objetos pulsionais, aos quais chamou de objetos do desejo: seio, feses, falo, voz e olhar.
Se há algo com que se parece a pulsão é com uma montagem. É uma montagem que, de saída, se apresenta como não tendo pé nem cabeça. (Jacques Lacan)
(notas extraídas do Dicionário de Psicanálise - Elisabeth Roudinesco e Michel Plon - Ed. Zahar, 1998)
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Sexta-feira, Outubro 23, 2009
SÁBADOS NO IPLA: A SEGUNDA CLÍNICA DE J. LACAN

Os sábados no IPLA são cursos da psicanálise que acontecem aos sábados, das 9h às 17h.
Neste sábado, 24 de outubro, o tema é:
A SEGUNDA CLÍNICA DE JACQUES LACAN
Clique aqui para ver a programação.
A segunda clínica, elaborada nos últimos dez anos de ensino de Lacan, responde
às mudanças sofridas pelo Homem, na globalização, que exigem uma nova clínica
psicanalítica além do Édipo, uma vez que os elementos verticais orientadores da
estrutura edípica foram abalados.
É caracterizada como uma clínica borromeana, do parlêtre (loquente), do gozo, do além do Édipo, do ‘Outro que não existe’, do sintoma indecifrado. Tem como paradigma a experiência e o encontro com o Real.
O número de vagas é limitado.
Inscreva-se no IPLA: Rua Augusta, 2366 - casa 2 ou pelo telefone: 11 3061-0947
Quinta-feira, Outubro 22, 2009
POR QUE TWITTAR ?

A idéia do twitter tem a ver com a idéia de epidemia – uma rede que se expande horizontalmente e não verticalmente.
Uma das principais funções do Twitter é fazer circular informação relevante através dos followers e dos followings.
O Instituto da Psicanálise Lacaniana – IPLA http://twitter.com/ipla_ entrou no twitter em 15 de setembro deste ano – uma forma inédita de espalhar o vírus da psicanálise.
O IPLA e seus membros têm divulgado seus cursos e eventos através de twitts.
Recentemente twittamos nossos trabalhos sobre o tema da Transferência – o efeito que isso tem não é igual à soma dos followers e followings, é muito maior.
Topológicamente o Twitter é um mosaico, ao contrário da Igreja, que é uma pirâmide.
Para saber mais sobre o twitter, leia o manual clicando aqui.
Siga-me no twitter: http://twitter.com/teresagenesini
Domingo, Outubro 18, 2009
VOLARE
com Luciano Pavarotti
com Paul McCartney
e a original com Domenico Modugno - Nel blu di pinto di blu (Volare)
Penso che un sogno così non ritorni mai più
mi dipingevo le mani e la faccia di blu
poi d'improvviso venivo dal vento rapito
e incominciavo a volare nel cielo infinito
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu dipinto di blu
felice di stare lassù
e volavo, volavo felice più in alto del sole
ed ancora più su
mentre il mondo pian piano spariva lontano laggiù
una musica dolce suonava soltanto per me
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu dipinto di blu
felice di stare lassù
ma tutti i sogni nell'alba svaniscon perché
quando tramonta la luna li porta con sé
ma io continuo a sognare negli occhi tuoi belli
che sono blu come un cielo trapunto di stelle
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
e continuo a volare felice più in alto del sole
ed ancora più su
mentre il mondo pian piano scompare negli occhi tuoi blu
la tua voce è una musica dolce che suona per me
Volare oh, oh
cantare oh, oh, oh
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
nel blu degli occhi tuoi blu
felice di stare quaggiù
con te
Quinta-feira, Outubro 15, 2009
ÓPERA IDOMENEO - TEATRO ALLA SCALA DI MILANO

O Teatro alla Scala de Milão é um cartão de visita da cidade. Grandes concertos, óperas, balés - um calendário de espetáculos de dar água na boca.
Veja aqui a programação:
Assiti a ópera Idomeneo, Rei de Creta - obra de Mozart - a primeira ópera considerada de sua fase adulta, aos 24 anos.

É um drama em 3 atos, escrito por Giambatista Varesco.
Veja aqui o libretto.
Foi a primeira ópera vista por Letícia. Um belo presente dessa jornada.
Para ver o Vídeo de um trecho da ópera - clique aqui:
Terça-feira, Outubro 13, 2009
A ANGÚSTIA DO DESCONTROLE SOCIAL
Jorge Forbes, em seu artigo no Estadão deste domingo - Zero na Prova -(Aprender com a resposta errada), analisou os acontecimentos que saíram fora do controle social: ENEM, senhas do hotmail, chantagem contra David Letterman.
Qual a saída?
Seleciono aqui algumas frases do artigo:
Do ponto de vista psicanalítico, temos três tipos de intimidade: imaginária, simbólica e real. A imaginária e a simbólica têm em comum o fato de poderem ser representadas: uma, na imagem e outra, na palavra.
Temos, em decorrência, duas políticas possíveis para tratar o descontrole: imaginar que ele é fruto de imperícia, ou que é estrutural da espécie humana.
Concordar com a segunda hipótese, a da falha estrutural na constituição humana, nos conduz a buscar uma nova política que inclua o erro, sem por isso diminuir o acerto.
Leia o artigo todo clicando aqui.
Quinta-feira, Outubro 08, 2009
LOUCURA x CIÚME
O governador José Serra cantou o início da música Nervos de Aço, de Lupicínio Rodrigues, em entrevista ao Datena: http://www.youtube.com/watch?v=bYIshfRtLyw
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor?
Ter loucura por uma mulher ....
O governador cantou "ciúme" em vez de "loucura".
Em seu twitter http://twitter.com/joseserra_ pergunta aos psicanalistas se Freud explica esse erro. Jorge Forbes http://twitter.com/jorgeforbes responde twittando: É uma triste previsão: quando a loucura não tem eco, na mulher..., o que resta é o ciúme.
Procurei no YouTube e posto aqui em homenagem ao governador e ao psicanalista:
. um vídeo de Lupicínio contando porque fez essa música e cantando Nervos de Aço, seguido de Paulinho da Viola; e
. um vídeo com Roberto Carlos e Ultraje a Rigor cantando Ciúme
Quarta-feira, Outubro 07, 2009
CENTENÁRIO DA NRF - NOUVELLE REVUE FRANÇAISE

O grupo 1 apresentou o trabalho de uma forma inusitada: em forma de twitts. Vários participantes twittaram o trabalho e o twitter do IPLA participou da experiência.O tema : Efeitos de transferência na NRF e no IPLA em twitts.
Este ano é o centenário da fundação da NFR, revista prestigiosa, que mudou o panorama da literatura na França.
A revista NRF deu origem à editora Gallimard, hoje Gallimard NRF.
O primeiro número de La NRF é datado de 1 de fevereiro de 1909.
O endereço oficial da NRF: 78, rue d´Assas, Paris.
A NRF, com publicações mensais e depois trimensais criou um foro singular de expressão e discussão para literatura.
A NRF instaura outra concepção de revista literária, acima dos movimentos e das escolas: unicamente preocupada com a qualidade literária.
A NRF se forma em torno de uma certa idéia de literatura que representa a obra de Gide e que reune intelectuais e literatos.
Schlumberger, pelo lugar que dá à causa literária e à amizade, dedica-se integralmente à revista.
A NRF sobrevive inicialmente às custas de Jean Schlumberger.
O que faz o sucesso da revista é sua qualidade, não sua orientação. Não é uma revista manifesto, é literatura comprometida com a vida.
O projeto era tirar a literatura do impasse entre uma literatura de best-seller, de uma literatura intelectualizada, ou ideologizada.
A idéia da revista era de reafirmar a vida, que não há corte entre a vida e a literatura.
Entrevistas sobre o centenário da NRF na rádio francesa: http://migre.me/8hID
A NRF é um exemplo de um grupo causado.
Quadro sintetizando dois modos de articulação dos grupos: o mutualismo e o affectio societatis http://migre.me/8ktO
A transferência não envolve uma relação dual, mas um ternário: o psicanalista, o psicanalisante e o sujeito suposto saber.
O sujeito suposto saber traz a possibilidade de outra cena – há algo externo que permite um saber. É a aposta no sujeito suposto saber.
O sujeito suposto saber é, para nós, o eixo a partir do qual se articula tudo o que acontece com a transferência (Lacan).
A psicanálise é uma práxs. O conceito dirige o modo de tratar os pacientes. Em movimento inverso, a clínica comanda o conceito.
A transferência é o amor verdadeiro.
O IPLA e a sua relação com a Psicanálise: é uma relação de transferência, não é uma relação de saber.
Não quer dizer que no IPLA não haja um saber; mas é um saber que se constrói: o IPLA não é um depósito de saber (como a universidade).
Conclusões
Alguns aspectos que extraímos da NRF fazem parte do funcionamento do IPLA: participam desse grupo porque é isso que querem. Primam pela qualidade, coerência e decisão. Promovem o affectio societatis.
O IPLA não tem um ideal, ideologia, nem uma finalidade constituída, mas tem uma firmeza de direção. Debate com o Direito, Medicina, Genética, Arquitetura, Música, Artes, Educação, etc. Procura acompanhar o desenvolvimento tecnológico, utiliza multi-meios em suas reuniões. Tem site, twitter, vídeos no youtube, etc. Diferentemente de François Sauvagnat, não vê o twitter como ameaça. Entendemos que o twitter pode passar pela transferência, já que é um monólogo articulado, que leva em conta o fracasso da transparência e não tem a vocação de entender. No IPLA desenvolvemos trabalhos sobre a Conversação, Second life, otakus, Orkut, Twitter, suecar. Procuramos sempre introduzir o novo.
A questão é: Como causar a transferência fora do IPLA, uma relação centrífuga, baseada na ética e não na moral?
O exemplo da NRF mostra que é possível que pessoas se juntem a partir de diferenças econômicas, de diferenças sociais. Jorge Forbes, em sua conferência de abertura ao módulo As Transferências, do Corpo de Formação em Psicanálise do IPLA, disse que “A psicanálise acredita no poder do invisível – é o ponto cego da visão que nos guia e não o resultado dela. Não resolvemos nosso mal-estar com nenhum tipo de moral. Dentro daquilo que chamamos de transferência, será possível uma ética, se estabelecermos que exista um ponto comum. Esse ponto comum não significa se comportar da mesma maneira, mas quer dizer, se comportar diferentemente frente à mesma coisa possível. Será que nós suportaremos uma transferência com o real na falência de todas as soluções simbólicas e imaginárias?”
Nós acreditamos que sim. É a nossa aposta.
Domingo, Outubro 04, 2009
MERCEDES SOSA - GRACIAS A LA VIDA !
Quem não curtiu Mercedes Sosa nos anos 70?
Quem não cantou Gracias a la vida - a música da chilena Violeta Parra que Mercedes Sosa imortalizou?
E Milton Nascimento e Mercedes Sosa cantando juntos Volver a los 17?
Trago aqui um vídeo de Mercedes cantando Gracias a la vida e outro cantando Volver a los 17 com Milton, Caetano, Gal e Chico.
Boa viagem!
Sexta-feira, Outubro 02, 2009
RIO SEDE DA OLIMPÍADA EM 2016
Quinta-feira, Outubro 01, 2009
CURTINDO ROBERTA SÁ
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
POETAS E POEMAS
JOÃO CABRAL DE MELO NETO:
O artista inconfessável
Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre o fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.
Mas não, fazer para esquecer
que é inútil: nunca o esquecer.
Mas fazer o inútil sabendo
que ele é inútil, e bem sabendo
que é inútil e que seu sentido
não será sequer pressentido,
fazer: porque ele é mais difícil
do que não fazer, e dificil-
mente se poderá dizer
com mais desdém, ou então dizer
mais direto ao leitor Ninguém
que o feito o foi para ninguém.
Questão de pontuação
Todo mundo aceita que ao homem
cabe pontuar a própria vida:
que viva em ponto de exclamação
(dizem: tem alma dionisíaca);
viva em ponto de interrogação
(foi filosofia, ora é poesia);
viva equilibrando-se entre vírgulas
e sem pontuação (na política):
o homem só não aceita do homem
que use a só pontuação fatal:
que use, na frase que ele vive
o inevitável ponto final.
ELIZABETH BISHOP:
One Art
The art of losing isn't hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn't hard to master.
Then practice losing farther, losing faster:
places, and names, and where it was you meant
to travel. None of these will bring disaster.
I lost my mother's watch. And look! my last, or
next-to-last, of three loved houses went.
The art of losing isn't hard to master.
I lost two cities, lovely ones. And, vaster,
some realms I owned, two rivers, a continent.
I miss them, but it wasn't a disaster.
-Even losing you (the joking voice, a gesture
I love) I shan't have lied. It's evident
the art of losing's not too hard to master
though it may look like (Write it!) like disaster.
Uma arte
A arte de perder não tarda aprender;
tantas coisas parecem feitas com o molde da perda
que o perdê-las não traz desastre.
Perca algo a cada dia.
Aceita o susto de perder chaves,
e a hora passada embalde.
A arte de perder não tarda aprender.
Pratica perder mais rápido mil coisas mais:
lugares, nomes, onde pensaste de férias ir.
Nenhuma perda trará desastre.
Perdi o relógio de minha mãe.
A última, ou a penúltima,
de minhas casas queridas foi-se.
Não tarda aprender, a arte de perder.
Perdi duas cidades, eram deliciosas.
E, pior, alguns reinos que tive,
dois rios, um continente.
Sinto sua falta, nenhum desastre.
- Mesmo perder-te a ti (a voz que ria, um ente amado),
mentir não posso.
É evidente: a arte de perder muito
não tarda aprender, embora a perda
- escreva tudo! - lembre desastre.
(tradução Horácio Costa)
LETÍCIA GENESINI:
Quadrinha
Maldito deus em que não acredito,
Vieste e tiraste um pedaço de mim.
Entornaste sem medida a fé fingida
Que depositava em ti.
Razão da pouca escrita
Como dizer de um coração que anda sem abrigo,
Desgarrado do peito?
Aflito, sem casa.
Sem alma para enfastiar,
Sem ânsia para conter,
Nem língua para amargar.
Pobre coração que não tem mais
Caixa toráxica.
Invólucro ósseo para ecoar paixões.
E assim, infértil o peito,
Fica mudo o corpo,
Pois as pontas dos dedos
Mal sabem o que diz um coração.
Quinta-feira, Setembro 24, 2009
UMPONTO
O lançamento do livro UMPONTO de Letícia Genesini foi um sucesso!Cerca de 200 pessoas compareceram na noite de 22 de setembro à livraria da Vila. Letícia fazia uma dedicatória exclusiva a cada um - o conjunto desses textos daria outro livro!
A capa - design de Chico Forbes - já encanta por si só.
Os poemas surpreendem os leitores pela qualidade e sensibilidade.
Um feito publicar um livro aos 22 anos!
Que emoção!
Uma felicidade tão grande para mim, sua mãe, que não consigo traduzir em palavras.
Os amigos foram maravilhosos - compareceram, mandaram mensagens, enviaram flores, telefonaram, mandaram chocolates - agradeço a cada um.
Além disso tenho recebido muitos comentários elogiosos à qualidade dos poemas, à sensibilidade de Letícia, à sua arte de escrever.
Peço licença a um querido amigo, que me enviou essa análise, para publicá-la aqui:
Li hoje o livro da Letícia, com muito prazer e grande surpresa com a personalidade dela, aparente em todos os textos.
Ela quer ser dura, essa menina tão irremediavelmente sentimental ! É claro que não consegue, mas isso dá um ótimo sabor agridoce ao que ela escreve.
Ela quer parecer experiente e vivida; só consegue provar o quanto descobrir constantemente novas pessoas e novas situações lhe é importante, malgré tout...
Ela vai buscar o nome-do-pai ao colocar um "gênesis" que nada tem a ver com a lua que flutua !
Ela escreve bem, muito bem mesmo. E tem toda razão ao dizer que faz prosas, extremamente curtas. Só que a poesia permeia tais prosas, as domina e o produto é sempre um poema de verdade.
Ela é muito original e tem um talento raro: consegue que seu leitor encontre no que escreve uma quantidade de alusões e de referências a coisas que estão na memória coletiva - um verso de Vinicius, um pedacinho de uma canção do Roberto, a evocação de uma cantiga de roda. Isso faz com que a leitura estabeleça imediatamente uma cumplicidade prazerosa com ela e torna encantado o percurso pelo livro.
Ela às vezes, é contraditória. Chama de "quadrinha" o texto mais duro e desencantado que escreveu. Por que seria ?
Ela partilha com Elizabeth Bishop a arte de perder. "One Art", Bishop chamou esse talento, dizendo que é facil tê-lo. Letícia é mais pessimista. Conta as coisas que perdeu - imaginárias, na maior parte - mas termina com a preocupação de saber onde as coisas perdidas estão enfiadas. Isso não é uma desistência sofrida; é a curiosidade de buscá-las de novo !
Ela não deve ser uma filha dócil e fácil. Mas é, certamente, uma filha que vale muito a pena e da qual você só tem a se orgulhar !
Um grande beijo,
Carlos
clics de Rachel Guedes



comemorando no ASTOR
Domingo, Setembro 20, 2009
DOMINGO NO IPLA COM EUGÊNIO BUCCI E JORGE FORBES
O Entretenimento, o Gozo Imaginário e aImprensa no meio disso tudo
Eugênio Bucci – palestrante convidado
Jorge Forbes – debatedor
Estão convidados para esta domingueira pessoas de várias comunidades: jornalistas, educadores, empresários, psicanalistas, enfim, formadores de opinião.
Veja os detalhes da domingueira clicando aqui.
Seja mais um nesse debate. Compareça hoje!
Quando – Domingo, 20 de setembro de 2009, às 18h
Onde – IPLA: Rua Augusta 2366 – casa 2, Jardins
São Paulo – SP
Taxa – R$ 30,00
Informações e inscrições no IPLA
ou pelos telefones:
(11) 3061-0947
(11) 3081 6346
Inscrições limitadas.
http://www.ipla.org.br/ / http://www.psicanaliselacaniana.com/
ipla@ipla.org.br / ipla@psicanaliselacaniana.com
Terça-feira, Setembro 15, 2009
UMPONTO - LANÇAMENTO 22/9 - LIVRARIA DA VILA

A tua vida e
A minha
Cabem num ponto
Uma bola gorda e redonda
Tão estática e perfeita
Que chega a ser indecente
É tão irritante
Este antro estéril, meu caro
Que teremos de expandir.
Mínimo e infinito ou, como tão bem descreve
a jornalista e escritora Noemi Jaffe, “perfeito e
completo em sua pequenez”. O ponto, objeto
geométrico conciso e preciso é a inspiração
para Umponto, o primeiro livro de poesia de
Letícia Genesini.
Minimalistas, estes pontos-poemas (ou prosas
curtas, como refere a autora) espelham as
possibilidades e impossibilidades daquele que é
o início e o fim de qualquer pensamento, linha,
forma. Concentrando intensidade em cada um
dos seus nós, seus versos oscilam em linhas
retas e trajetórias sinuosas que ligam emoções
incontidas, reflexões e traços de ironia.
“Letícia e seus poemas vivem entre: ‘no instante
sobre o chão’, ‘na ponta da palavra’, na dúvida, no
silêncio. Um silêncio carregado de sons, flechas
pontos e palavras: poemas.” – elogia Noemi
Jaffe, que destaca a consciência arquitetônica e
visual desta poesia que almeja pela “linguagem
perfeita, dona de si, completa”.
sobre a autora
Letícia Genesini tem 22 anos e
nasceu em São Paulo. Atualmente,
é estudante de Letras pela Universidade
de São Paulo e de Design
Gráfico pelo Istituto Europeo di
Design (IED).
Umponto
Letícia Genesini
ISBN 978-85-7577-602-5
64 páginas
R$ 25,00
Editora 7Letras
Rua Goethe, 54 – Botafogo cep. 22281-020 Rio de Janeiro RJ
(21)2540-0076 • http://www.7letras.com.br/ • divulga@7letras.com.br
Lançamento - noite de autógrafos: 22 de setembro, das 18:30h às 21:30h
Livraria da Vila (piso superior)
Rua Fradique Coutinho 915 - São Paulo
tel: 11 3814-5811
Segunda-feira, Setembro 14, 2009
CURSOS DA PSICANÁLISE: AS DUAS CLÍNICAS DE JACQUES LACAN
Sábados no IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana - As duas clinicas de Lacan curso 1 - A primeira clínica - 19 de setembro
curso 2 - A segunda clínica - 24 de outubro
Veja a programação aqui.
As inscrições estão abertas !!!
Domingueira no IPLA - 20 de setembro às 18h
com Eugênio Bucci (convidado) e Jorge Forbes (debatedor)
tema: "O Entretenimento, o Gozo Imaginário e a Imprensa no meio disso tudo"Maiores informações no site do IPLA.
Siga-me no twitter: http://twitter.com/teresagenesini
Sábado, Setembro 12, 2009
TRAILER: Jacques Lacan e a Psicanálise do Século XXI
da conferência de Jorge Forbes na cpflcultura, no encerramento do módulo: A psicanálise do século XXI - Lacan para desesperados da crise.
Siga-me no twitter: http://twitter.com/teresagenesini

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