Quarta-feira, Julho 09, 2008

 

SOBRAS DA FLIP

Participar da FLIP já faz parte do calendário básico de quem está ligado na cultura.



A 6ª Festa Literária Internacional de Paraty, que começou na quarta-feira, 2 de julho e terminou no domingo, 6 de julho, teve altos e baixos. Passada a ressaca literária, musical, etc, falo do que ficou para mim, as sobras da FLIP.



Minha descoberta : Jayme Ovalle (1894/1955) - paraense /carioca, amigo de Vinícius de Morais, Otto Lara Rezende, Manoel Bandeira, Augusto Schimidt, Pixinguinha, Di Cavalcanti; escritor e compositor, que influenciou sua geração.

Algumas frases incríveis de uma entrevista de Ovalle a Vinícius de Moraes:

A poesia: - É a coisa mais importante do mundo. Todo mundo nasce com ela, porque ela é a própria vida. Todo mundo é criado com o dom da poesia e só deixa de ser poeta porque perde a inocência. Quanto mais um homem crescer carregando consigo sua inocência, mais poeta ele é.

O poeta: - O poeta é o macho por excelência. ... A poesia aceita de vez em quando uns hemafroditas. Rilke, por exemplo, era hemafrodita.

Parto sem dor: - Um roubo. Tira da mulher o prazer da dor de criar. É no fundo um ato de futilidade.

A loucura: - A loucura é o vácuo entre a criação e a obra criada.

O medo: - Não sei, neguinho, acho que é um fenômeno puramente físico. Mas não sei, porque nunca tive.

A mulher: - A mulher é um corpo estranho.

A relação entre homem e mulher: - Pode existir respeito, admiração, mas amizade - nunca. A gente vê que são inimigos porque o ato sexual é aquela luta romana entre os dois.

Freud e a psicanálise: - Freud foi um louco genial, que descobriu as causas da própria loucura e acabou se curando. ... A loucura é uma coisa una, pessoal e intransferível.

Um chato: - Um chato é um sujeito que para falar com você, pega no seu paletó. ... Agora, a gente não pode passar sem o chato. Existe a nostalgia do chato. O mundo sem chatos seria insuportável. Depois de conversar com ele, puxa, não existe mais problema nenhum.

O homem moderno: - Ah neguinho, aqui no Rio é muito difícil responder a essa pergunta. Esse negócio de homem moderno eu só poderia responder se eu vivesse em São Paulo.

Esse Ovalle é uma pessoa rara; que figura !!! Vou devorar o livro sobre ele, escrito por Humberto Werneck.

E agora, as personalidades / conferências que elegi como preferidas:

e a lista continua:

livros que trouxe na bagagem da FLIP:

E, de quebra, trouxe a biografia de Maria Della Costa, lançada nesses dias, no Hotel Cuxixo, de propriedade da atriz, onde me hospedei.

Ah, o show de abertura, com Luiz Melodia, merece ser lembrado. Cantando sambas do seu último CD (que já comentei aqui e inclusive selecionei algumas músicas para o último CD Nasci para Bailar) foi de arrasar. Não fosse minha bota Salvapés e os três ligamentos rompidos, tinha caído no samba - o que muita gente que estava lá fez.

Se quiser saber mais da FLIP, clique no blog oficial:

http://blogdaflip.wordpress.com/

e no canal YouTube da FLIP:

http://br.youtube.com/user/flipfestaliteraria

Até o ano que vem em Paraty !


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