- do velho amor ao novo amor;
- do significante ligado ao signo ao significante suportado pelas letras.
Não se trata de publicar aqui a aula inteira, mas sim, pinçar alguns conceitos importantes:
1) O SIGNO
O signo se diferencia do significante.
Exemplo clássico: Não há fumaça sem fogo.
Lacan: A fumaça bem pode ser também o signo do fumante.
Não há fumaça senão como signo do fumante.
O signo como efeito do funcionamento do significante.
2) A ESCRITA
Lacan partiu da afirmação: “O que se escreve é a letra, e a letra não se fabricou sempre da mesma maneira.” (p.64)
Ele pressupõe um conhecimento a respeito da história da escrita cuja extensão cubra desde sua invenção até seu uso atual pela matemática.
“Desde que a linguagem existe houve muita mutação da escrita”. (p.63)
3) A MIRAGEM DO UM
“Nós dois somos um só. É daí que parte a idéia do amor” (p.64) – Lacan diz que é uma forma grosseira de dar significado à relação sexual.
As pessoas querem se amar na identidade, na transformação de dois em um - a miragem do um.
É como se canta o amor nas canções: só vou se você for; não dá mais para separar as nossas vidas ... e por aí vai.
É o velho amor!
4) DA PRIMEIRA PARA A SEGUNDA CLÍNICA
Primeira clínica – O inconsciente estruturado como uma linguagem. A clínica do significante, da interpretação.
Amor - era justificado, em nome de.
Segunda clínica – O parlêtre. A clínica do gozo, da letra. O discurso analítico como novo laço social.
Amor - sem justificativa, direto, sem intermediários e sem limites.
Uma nova ética: conseqüência e responsabilidade.
5) O UM DA PSICANÁLISE
O Um da psicanálise não é o Um do padrão, do comum a todos, do congraçamento; o Um da psicanálise é o que sempre escapa à apreensão. É o Um da singularidade forçando a invenção e a criatividade. (JF: Seminário Um novo amor – 8/5/2002)
Para Lacan, o desejo do analista é o de obter a diferença absoluta, a singularidade. (Sem 11, p. 260).
6) A FUNÇÃO DA PRESSA E O TWITTER
Twitter - concisão dos 140 toques. Isso nos obriga a entender melhor o que realmente queremos dizer. Uma sessão de psicanálise lacaniana pode ser muito curta, porque se entende que não se chega necessariamente a maiores verdades falando por mais tempo.
(JF – entrevista para OESP, 23/5/2011)
7) O NOVO AMOR
É o amor que não tem intermediação. É o amor do encontro, é o amor da surpresa, do inusitado – sem lugar. É um amor incômodo. Não é o amor do pouso, é o amor da plataforma, que te acorda em vez de fazer dormir. É o amor que te irrita, por que não dizê-lo? É o amor que faz com que você encontre uma solução, uma expressão para ele. (JF - Programa Saia Justa/GNT - "O que é o amor?" - 31/10/2007)
Lacan evidenciou, para o nosso tempo, a possibilidade de um novo laço social que não se dá “em nome do Pai” – uma mudança radical no modo como uma pessoa ama. (JF: Seminário “Um novo amor” – aula de 3/4/2002).
8) VELHO AMOR X NOVO AMOR
É sempre recíproco - Não tem reciprocidade, mas sim, cumplicidade
Faz signo, relacionando-se com a identificação - Relaciona-se com a diferença
Tem a ver com o signo - Tem a ver com a letra
Demanda sempre mais amor, é narcísico - Dá aquilo que não tem
É intermediado - É direto, não mediado
Relaciona-se com a dimensão fálica - Relaciona-se com o gozo do Outro sexo, o gozo feminino.
Homens e mulheres têm formas de satisfação muito diferentes. Mas, o amor é sempre inadequado e bagunceiro.
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