Nesta noite de sábado, 6 de junho, às 23h, William Waack entrevistou Jorge Forbes - psicanalista; Cel. Jorge Barros - oficial de reserva da FAB e especialista em segurança de vôo; Ivan Sant'Anna - piloto e escritor sobre acidentes aéreos, no Painel da Globo News (canal 40). O programa será reprisado neste domingo, às 20h05.
A idéia era falar sobre a nossa relação com a tecnologia e sobre o medo de viajar de avião depois de um desastre como o do airbus da Air France. Como isso afeta a aviação e o público que viaja de avião?
Jorge Forbes subverteu a ordem do programa! Ficou no papel do analista que descompleta e surpreende.
Os outros três (os dois entrevistados, mais William Waack) eram apaixonados por avião - um deles se declarou amante, pesquisador dos acidentes aéreos e suas peculiaridades; o outro, era ligado na tecnologia, na explicação e na previsibilidade; e, o entrevistador, queria finalizar o programa com uma explicação tranquilizadora para ele e para seus telespectadores.
Forbes disse que eram três apaixonados falando da sua dor de cotovelo, e ele, o analista, parecia o único técnico ali presente. Eles ficavam analisando para ver onde estava o erro, como o apaixonado que perde sua paixão e vai para o bar ouvir música para nela encontrar a explicação para sua dor.
Selecionei algumas frases de JF:
Não há experiência mais bonita que ver o exercício da paixão.
Por que andar de avião causa um furor maior que outros meios?
Andar de avião dá a sensação de um momento em que você está completamente na mão do outro; um momento em que você pode viver a felicidade como um acaso.
Viajar de avião tem algo de mágico - existe uma confiança de que você foi convidado para uma festa legal e quando o avião cai, o teto cai sobre sua cabeça.
A gente tem que confiar na tecnologia, mas esse acidente nos mostra que a tecnologia nunca nos dará uma segurança total.
Nem no avião dá para andar no piloto automático.
Há sempre um risco. Não dá para pensar que tudo é previsível. Se a gente tirar a previsibilidade, fica difícil, é transformar tudo numa confiança absoluta.
Na opinião do especialista em segurança, houve imprudência - um excesso de confiança na rotina subestimando a natureza, o imprevisto. O piloto escritor apaixonado por desastres de avião acha que há um mistério, pode haver situações que não possam ser explicadas - no que foi contrariado pelo oficial da FAB: Há sempre uma explicação; a saga humana é desafiar o desconhecido.
Jorge Forbes retruca: _ Não gosto desse tipo de análise baseado na explicação dos detalhes como se tudo pudesse ser previsível. Já estou convencido de antemão que nem tudo é previsível.
Jorge Barros pergunta, quase indignado, a JF: _ Se o mundo é cercado de coisas imprevistas e a qualquer momento uma dessas pode acabar com nossa existência, então viver sob esse medo não é insuportável?
Resposta de Jorge Forbes: _ Acho que não há outra maneira de viver que não seja sob risco. A vida é, realmente, um contrato de risco. O contrário seria viver numa sociedade de controle. Sempre haverá o reaparecimento de um não saber. Nós sempre precisaremos descobrir, mas não acredito que um dia saberemos tudo.
Forbes assim finalizou sua participação no programa: _ Do ponto de vista objetivo, todos sabem que andar de avião é mais seguro, mas houve um rebaixamento no sonho.
JF chamou a atenção para o fato de que os humanos precisam enterrar os seus mortos: Quando isso não acontece há uma continuidade dolorosa, que é penosa.Gostei do programa, especialmente da participação de Jorge Forbes. É uma mostra de como um analista se coloca frente às adversidades, frente às surpresas - sempre deslocando, surpreendendo, questionando, desacomodando.
Um exemplo da presença do analista na Globalização!
domingo, junho 07, 2009
UM ANALISTA NO AR - PAINEL GLOBO NEWS COM JF
sexta-feira, junho 05, 2009
MÚSICA E PSCANÁLISE

Foi uma bela tarde de domingo: musical, reflexiva e que nos tocou a todos.
Selecionei alguns pensamentos de Tatit:
A canção é uma relação entre letra e melodia.
A canção sempre foi identificada com um refrão. Uma regra foi criada, a partir de 1930: para uma composição ser completa é necessário haver uma segunda parte, além do refrão. Noel Rosa, que viveu apenas 27 anos, teve cerca de 300 composições, por esse motivo – sempre que alguém chegava numa rádio com um refrão, ele construía a segunda parte, deixando então a música completa.
Os cancionistas não são músicos e os letristas não são poetas.
Não se deve julgar uma canção por critérios poéticos ou musicais, o que vale é a relação melodia – letra. O fato de uma canção cair no domínio público não tem nada a ver com a qualidade da canção, é questão de divulgação.
A Canção Passional explora a espera e a surpresa. No fundo, o que está em jogo é a separação espacial aliada à conjunção temporal. O vínculo temporal é o que fica – isso é o que as canções traduzem muito bem – pois as canções sempre transcorrem no tempo. Há uma conjunção com o tempo e uma disjunção com o espaço. O tempo é muito bem expresso nas canções e também na música erudita.
Citou logo no início a canção DIA DE DOMINGO, de Sullivan e Massadas, que ,em sua simplicidade, é uma boa relação entre letra e música. Como exemplo de Canção Passional, citou TRAVESSIA, de Milton Nascimento. Publico aqui os vídeos com essas duas canções:
DIA DE DOMINGO - TIM MAIA
Letícia me enviou um vídeo de TRAVESSIA com BJORK
Veja a galeria de fotos dessa bela tarde de domingo no IPLA!
E ao final, fizemos uma festa para comeorar o aniversário de Elza, com grande estilo!
Leny, Maria Cecília e Dorothée cantaram para Elza e Lino não ficou atrás, também cantando e dançando com a aniversariante. Lígia entrou na onde e também cantou para avovó.Uma linda festa!
quinta-feira, junho 04, 2009
O QUE É SER PSICANALISTA ?
Se é que é possível dizê-lo, valho-me de um decálogo provocativo de Jorge Forbes.
Ser Analista:
1. É valer mais quando não se é que quando se é.
2. É emprestar palavra, corpo e ser para ser feito do que se quiser.
3. É amar incondicionalmente, sem qualquer reciprocidade, na paixão da ignorância.
4. É chegar sem ser avisado, no lugar da surpresa ou da assombração.
5. É passar por esquisito, mal educado, chato, sem poder justificar.
6. É, trabalhando o bem, vir a ter horror do seu ato.
7. É poder ser paciente no lugar do Outro.
8. É não governar, nem educar.
9. É saber o que faz, quando não sabe o que diz.
10. É ter saudade sem reivindicar, quando se chega ao fim.(extraído de um artigo de Jorge Forbes: Ser Analista)
domingo, maio 31, 2009
ELAS CANTAM ROBERTO CARLOS
Adorei o show em homenagem ao Rei, gravado no Teatro Municipal de São Paulo, na noite de 26 de maio de 2009. Vi hoje na Rede Globo a exibição e amei!
Gostei da Marília Pera interpretando 120 ... 150 ... 200 km por hora.
Adorei a Nana Caymmi cantando NÃO SE ESQUEÇA DE MIM e Fafá de Belém cantando FALANDO SÉRIO.
Gosto de CANZONE PER TE que foi interpretada por Zizi Possi e sua filha.
Mas não achei nenhum registro dessas gravações do show.
Encontrei outras que curti muito. Boa viagem!
quarta-feira, maio 27, 2009
domingo, maio 24, 2009
LORENA

A mão que escreve este poema
(e Drummond, que escreveu este POEMA QUE ACONTECEU, talvez concluisse dizendo:
pois hoje Lorena completa dois meses !)
Salve a menina Lorena e sua mãe Teresa Cristina !
sexta-feira, maio 22, 2009
TABACARIA - FERNANDO PESSOA (ÁLVARO DE CAMPOS)
Tabacaria
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
0 mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
0 seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.
0 homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(0 Dono da Tabacaria chegou á porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.
Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)
quinta-feira, maio 21, 2009
quarta-feira, maio 20, 2009
FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE LACANIANA

Os sábados no IPLA estão de volta no Instituto da Psicanálise Lacaniana.
O primeiro curso deste ano: FUNDAMENTOS DA PSICANÁLISE LACANIANA
O curso é uma introdução à psicanálise de orientação lacaniana. Parte das formulações de Jacques Lacan sobre a fase do espelho nos anos 30, matriz do imaginário, analisa a virada estruturalista dos anos 50, quando formaliza o simbólico e efetua seu ‘retorno a Freud’, e conclui com a torção promovida nos anos 70 pela experiência do real e pela abordagem topológica. Para orientar esta trajetória, o curso se apóia nas noções de RSI – os três registros lacanianos.
Serão cinco aulas num só dia.
Quando? - sábado, 30 de maio de 2009
Horário? - das 9h às 18h
Onde? - na sede do IPLA - Rua Augusta 2366, casa 2 - São Paulo
Informações e Inscrições: na sede do IPLA
ou pelos telefones (11) 3061 0947 e 3081 6346
sábado, maio 16, 2009
sexta-feira, maio 15, 2009
DICIONÁRIO AMOROSO
Abraço: o gesto do abraço apaixonado parece preencher, num momento, para o sujeito, o sonho da união total com o ser amado.
Acanhamento: cena entre vários, na qual o implícito da relação de amor age como um constrangimento e suscita um embaraço coletivo de que ninguém fala.
Adorável: não conseguindo atribuir um nome à especialidad do seu desejo pelo ser amado, o sujeito apaixonado decide-se por esta palavra um pouco tola: adorável!
"Não é todos os dias que encontramos o que foi feito para nos dar a imagem exata do nosso desejo" (Lacan: O seminário, I)
Afirmação: perante e contra tudo, o sujeito afirma o amor como valor.
Angústia: o sujeito apaixonado, por esta ou aquela contingência, sente-se arrastado pelo medo de um perigo, de um mal, de um abandono, de uma alteração - sentimento que exprime sob o nome de angústia.
Anulação: sopro de linguagem durante o qual o sujeito acaba por anular o objeto amado sob o volume do próprio amor - por uma perversão especificamente apaixonada, é o amor que o sujeito ama, não o objeto.
Atopos: o ser amado é reconhecido pelo sujeito apaixonado como "atopos" (qualificação dada a Sócrates pelos seus interlocutores), isto é, inclassificável, de uma originalidade sempre imprevista.
Ausência: todo episódio de linguagem que põe em cena a ausência do objeto amado - quaisquer que sejam a causa e a duração - e tende a transformar essa ausência em prova de abandono.
Carta: a figura incide sobre a dialética particular da carta de amor, simultaneamente vazia (codificada) e expressiva (enriquecida da necessidade de significar o desejo).
Chorar: propensão particular do sujeito apaixonado para chorar: modos de aparecimento e função das lágrimas nesse sujeito.
Ciúme: "sentimento que nasce do amor e que é produzido pelo receio de que a pessoa amada prefirao outro" (Littré)
Compreender: vendo de repente o episódio de amor como um nó de razões inexplicáveis e de soluções bloqueadas, o sujeito exclama: "Quero compreender ( o que está acontecendo comigo)!"
Contatos: a figura diz respeito a todo o discurso interior suscitado por um contato furtivo com o corpo (e mais precisamente com a pele) do ser desejado.
Coração: esta palavra vale por todas as espécies de movimentos e desejos, mas o que é constante é que o coração se constitui em objeto de um dom - ignorado ou rejeitado.
Declaração: propensão do sujeito paixonado para falar abundantemente, numa emoção contida, com o ser amado do seu amor, dele, de si, de ambos - a declaração não incide sobre o testemunho do amor, mas sobre a forma, infinitamente comentada, da relação de amor.
Dedicatória: episódio da linguagem que acompanha todo o presente de amor, real ou projetado, e, mais genericamente, todo gesto, efetivo ou interior, pelo qual o sujeito dedica qualquer coisa ao ser amado.
Dependência: figura onde se vê a condição específica do sujeito apaixonado, escravo do objeto amado.
Despertar: modos vários em que se encontra, ao despertar, o sujeito apaixonado, reinvestido no desejo da sua paixão.
Destruir-se: sopro de aniquilamento que afeta o sujeito apaixonado, por desespero ou por saturação.
Encontro: a figura refere-se aos momentos felizes que imediatamente se seguiram ao primeiro encantamento, antes de nascerem as dificuldades da relação de amor.
Escrever: enganos, debates e impasses a que dá lugar o desejo de "exprimir" o sentimento de amor numa "criação" (especialmente da escrita).
Espera: tumulto de angústia suscitado pela espera do ser amado, devido pequenos atrasos (encontros, telefonemas, cartas, regressos).
Eu-amo-te: a figura não se refere à declaração de amor, à confissão, mas à proferição repetida do grito de amor.
Exílio: decidindo renunciar ao estado de amor, o sujeito vê-se com tristeza exilado do seu Imaginário.
Fading: prova dolorosa segundo a qual o ser amado parece retirar-se de todo o contato sem que esta indiferença enigmática se volte contra o sujeito apaixonado ou se decida em benefício do outro, seja ele quem for, mundo ou rival.
Festa: o sujeito apaixonado vive todo o encontro com o ser amado como uma festa.
Identificação: o sujeito identifica-se dolorosamente com qualquer pessoa (ou personagem) que ocupe na estrutura de amor a mesma posição que ele.
Indução: o ser amado é desejado porque alguém lhe mostrou que ele é desejável - por muito especial que seja, o desejo de amor descobre-se por indução.
"A beleza é a fonte necessária do nascimento do amor; predispõe-nos para a paixão pelos elogios que ouvimos dar a quem iremos amar"(Stendhal: De l'amour).
Insuportável: o sentimento de uma acumulação de sofrimentos de amor explode neste grito - "Isto não pode continuar."
Languidez: estado sutil do desejo de amor, experimentado na ausência deste, foa de todo o querer-para-si.
Louco: o sujeito apaixonado é atravessado pela idéia de que está ou vai ficar louco.
Magia: consultas mágicas, pequenos ritos secretos e ações de voto não estão ausentes da vida do sujeito apaixonado, seja qual for a cultura a que pertença.
Mutismo: o sujeito apaixonado angustia-se quando o objeto amado responde perniciosamente, ou não responde, às palavras (discurso ou cartas) que ele lhe dirige.
Nuvens: sentido e utlização de sombreamento do humor que atinge o sujeito apaixonado graças a circunstâncias várias.
Objetos: todo o objeto tocado pelo corpo do ser amado torna-se parte desse mesmo corpo e o sujeito sente-se apaixonadamente atraído por ele.
Porquê: ao mesmo tempo que se interrroga obcecadamente por que motivo não pe amado, o sujeito apaixonado vive com a convição de que, na verdade, o objeto amado o ama mas não o diz.
Sedução: episódio tido por inicial (embora possa ser reconstituido depois) no decurso so qual o sujeito apaixonado se sente "seduzido" (capturado e encantado) pela imagem do objeto amado (nome popular: amor à primeira vista; nome sábio: paixão).
Verdade: todo o episódio de linguagem relacionado com a "sensação de verdade" que o sujeito apaixonado experimenta ao pensar no seu amor, quer julque ser o único a ver o objeto amado "na sua verdade", quer defina a especialidade da sua própria exigência como uma verdade à qual não pode ceder.
(textos de "Fragmentos de um discurso amoroso", de Roland Barthes).
quinta-feira, maio 14, 2009
O DIVÃ
Assisti o filme O DIVÃ e quase morri de rir.
Baseado no livro DIVÃ, de Martha Medeiros, com roteiro de Marcelo Saback e direção de José Alvarenga Jr. - o filme tem um texto muito bom, inteligente, ágil e muito divertido.
Lilia Cabral, que faz Mercedes, a personagem principal, fala sobre o filme e sua personagem. Ela está divina nesse papel!
Clique para sabertudo sobre o filme Divã
Adorei a trilha sonora de Guto Graça Melo. Assim que o CD estiver nas prateleiras, vou correndo buscar o meu.
Escolhi uma música do filme para você curtir, na versão com Roberto e Gal:
segunda-feira, maio 11, 2009
TRILHA SONORA
Cabocla Tereza
Cascatinha & Inhana "Meu Primeiro Amor"
Tonico & Tinoco - Tristeza do Jeca
Chitãozinho & Xororó - No Rancho Fundo
domingo, maio 10, 2009
HEY JUDE - 13500 PESSOAS EM LONDRES
No dizer da Psicanálise: uma nova forma de gozo. Agora com patrocínio de empresas de telefonia e agências de publicidade.
É a nova onda. As empresas lançam convites pelo celular convocando as pessoas para cantarem juntas, uma nova forma de publicidade.
Veja o que a T-Mobile conseguiu fazer no último dia 30 de abril: reuniu 13.500 pessoas na Trafalgar Square, em Londres, para cantar HEY JUDE .
A idéia de fazer todos cantarem Make it better - não era conhecida do público ao chegar na Trafalgar Square. O convite dizia apenas para se reunirem na praça - o que fazer seria a surpresa. E o povo curtiu. Se a onda pega ....
Veja o vídeo do convite.
A idéia de convocar via celular milhares de pessoas para se reunirem às 18h do dia 30 de abril último em Trafalgar Square, um dos cartões postais de Londres, já seria interessante. Daí a montar um gigantesco karaokê e distribuir 2 mil microfones para as 13 mil pessoas que apareceram e fazer, todos juntos, cantarem 'Hey Jude', dos Beatles, e 'Baby One More Time', de Britney Spears, foi mais que uma sacada, foi um gol de idéia e de organização.
Muitos blogs estão comentando o fato. Esse comentário é do blog Publizität.
Se você tem mais informação sobre esses eventos, comente aqui.
sábado, maio 09, 2009
PROVA DOS 9
Letíca criou um site, junto com Noemi, com uma idéia muito original.
Um site interativo. As duas criam um tema e as pessoas cadastradas também postam textos, fotos, músicas, vídeos, tudo que acharem que tem a ver com o tema.
O tema de abertura do site é ALEGRIA
Não deixe de visitar e se cadastrar. Clique aqui para acessar: Prova dos 9
sexta-feira, maio 08, 2009
RADIOHEAD - CREEP
segunda-feira, maio 04, 2009
VITÓRIA ! CORINTHIANS !






Ainda peguei Maira grávida de 8 meses de um talvez Gabriel.
quinta-feira, abril 30, 2009
ZII E ZIE

Sobre o título, diz Caetano: “zii e zie” é o título condizente com as cenas do Rio de hoje: “tios e tias” somos todos diante dos garotos que fazem malabarismo no sinal. Mas em italiano fica mais perto de São Paulo, que é o que desejo agora.
O lançamento do CD será no dia 8 de maio no Canecão - Rio de Janeiro.
Pra entrar no clima vamos curtindo os vídeos que Caetano tem gravado com as músicas do CD. Selecionei algumas faixas.
Boa viagem!!!
Lapa
A cor amarela
Incompatibilidade de gênios
Falso Leblon
Tarado ni você
Saiba mais sobre o CD no blog de Caetano: Obra em Progresso
terça-feira, abril 28, 2009
PSICANÁLISE COM JORGE FORBES NO PORTAL TERRA

As pessoas atualmente se deletam, diz Jorge Forbes em entrevista para o portal Terra.
Leia e comente a entrevista:
Jorge Forbes é entrevistado por Fabrício Calado Moreira, do portal Terra.
segunda-feira, abril 27, 2009
DIEGO EL CIGALA

Aproveite para ver um vídeo de Diego cantando uma das canções deste CD: Dos Gardenias.
domingo, abril 26, 2009
JORGE FORBES COMENTA O SUICÍDIO NA TV-GNT
Para a Psicanálise o que tem valor é a luta pela vida, a luta pelas diferenças, pois na morte somos todos iguais, silenciosos. (JF)
Veja o comentário de Jorge Forbes sobre o suicídio, no programa Saia Justa, do GNT.
O comentário de JF foi muito bom, mas as "saias" não souberam aproveitar e fazer uma boa discussão - estavam preocupadas em manter sua opinião pré-estabelecida sobre o tema.
sexta-feira, abril 24, 2009
FILMEFOBIA - EXIBIÇÃO E DEBATE NO IPLA

FILMEFOBIA, do diretor Kiko Goifman foi o grande vencedor do último festival de cinema de Brasília.
quinta-feira, abril 23, 2009
PAULO VANZOLINI - UM HOMEM DE MORAL
Paulo Vanzolini, zoólogo, músico, contador de histórias.Chico Buarque sempre disse que aprendeu a fazer música com Paulo Vanzolini.
Um dos meus compositores favoritos. Fui assistir a pré-estréia do documentário UM HOMEM DE MORAL, de Ricardo Dias sobre este mestre da MPB - Paulo Vanzolini, em homenagem aos seus 85 anos.
Ao vê-lo me deu saudades das tardes que passei com ele e um grande velho amigo no Museu de Zoologia, no Ipiranga e das noites em sua casa no Cambuci, quando fazia uma macarronada com linguiça calabresa e cantava suas canções, sempre ilustrando uma história.
Acerto de contas - a caixa com 4 CDs de Paulo Vanzolini é um achado! Não dá pra não ter.
O site do documentário pode ser acessado aqui: Super filmes: Documentário . 35mm . cor . 84’
UM HOMEM DE MORAL deve entrar no circuito comercial dentro de alguns dias.
É imperdível !!!
Suas letras de música são preciosidades:
Amor de trapo e farrapo - com Carlinhos Vergueiro
Amor de trapo e farrapo
Tudo errado mas tão gostoso
De dar arrepio na espinha
Amor de galo de rinha
Amor de arrancar toco
Amor de louco contra louca
Ciume e fogo nos olhos
Beijo, o fogo na boca
E o coração, incendio pleno
Amor veneno
Amor cachaça
Amor veneno
Amor pirraça
Amor debaixo d'agua
Amor no meio dos infernos
Amor de meter susto ao padre eterno
E ja se vë
So pode ser o amor de eu e vocë
Bandeira de guerra - com Paulinho da Viola
Foi numa esquina da vida
uma mulher em hora perdida
um homem em ponto morto.
Nessa base de tropeço e mau começo
foi nascer contra a vontade esse amor torto
me admira ter vingado, quem diria
que fosse loucura pra mais do que um dia.
a verdade quem diria que enxergasse a luz do dia ....
Volta por cima com Paulo Vanzolini e Trovadores Urbanos, em frente à casa de Vanzolini, no Cambuci.
Chorei
Não procurei esconder
Todos viram, fingiram
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei
Qualquer um chorava
Dar a volta por cima que eu dei
Quero ver quem dava
Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
Ronda - com João Gilberto
De noite, eu rondo a cidade,
a te procurar, sem encontrar.
No meio de olhares, espio
por todos os bares, você não está.
Volto prá casa abatida,
desencantada da vida,
o sonho alegria me dá,
nele você está.
Ah, se eu tivesse
quem bem me quisesse,
esse alguém me diria:
Desiste, esta busca é inútil,
eu não desistia.
Porém, com perfeita paciência,
volto a te buscar, sem encontrar,
bebendo com outras mulheres,
rolando um dadinho, jogando bilhar.
E nesse dia, então,
vai dar na primeira edição:
Cena de sangue num bar
da Avenida São João.
Cuitelinho, de Paulo Vanzolini - com Renato Teixeira
... a tua saudade corta como aço de navalha....
Praça Clóvis com Anna Toledo
Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida
Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça
terça-feira, abril 21, 2009
FESTIVAL NACIONAL DA CULTURA INDÍGENA
No dia do índio, 19 de abril, fui à Bertioga ver o Festival Nacional da Cultura Indígena. Valéria, filha do Lino e da Elza, é uma pesquiadora dos índios - é seu tema do doutorado em Antropologia
na USP. Empolgada, Valéria nos orientou (Elza e eu) nessa visita ao festival que trazia um número expressivo de etinias. Além do artesanato, havia apresentações de danças e outras expressões artísticas nos 3 dias do festival: 18, 19 e 20 de abril.
GUARANI- também conhecidos como Ava-Chiripa, Ava-Guarani, Xiripa ou Tupi-Guarani, é considerado um dos povos mais populosos no Brasil, com cerca de 30 mil índios. Estão espalhados em várias partes do Brasil. Suas danças, cantos e rituais são direcionados ao Deus Tupã, pedindo proteção às pessoas e à natureza.Saiba mais sobre os índios Guarani


TERENA - Autodenominados Chané (gente em auaki) - são cerca de 22 mil pessoas que habitam o Pantanal Matogrossense. Alguns vivem perto de Bauru (SP), na terra indígena de Araribá. Destacam-se como expressão artística a Dança da Ema (kohixóti kipahi) - exclusivamente masculina e a Siputrena - exclusivamente feminina. Participaram da guerra do Paraguai e da II guerra mundial. Participam da vida econômica da região em que vivem, com agricultura e domando animais.
XERENTE - Grupo indígena que habitam 56 aldeias das terras indígenas Xerente e Funil, no Estado do Tocantins. Com a chegada dos jesuítas e colonizadores, no século XVII, tiveram o primeiro contato com outros povos. Os heróis mítcos Xerente são Doí (o sol), Wahirê (a lua) e Huku (a onça). Cada um dos clãs Xerente possui um conjunto de nomes próprios que são passados de geração em geração, e isso os identifica e os distingue no plano de sua organização social.
MEHINAKU - são habitantes das aldeias Utawãna e Uwapiyoko, no parque do Alto Xingu (MT). Sua população estimada é de 2000 pessoas. Alimentam-se basicamente de peixe e mandioca brava. Mantém intactas as tradições e costumes, são hábeis trocadores no Moitará (mercado xinguano) e detentores da técnica de fabricação de sa de aguapé. Na festa do Kuarup praticam a luta corporal masculina (kuka huka) e a luta feminina (yamaricumã). Fazem a festa do Pequi (fruta tradicional da região) e jogam o Teró (jogo de flecha). Clique para saber mais acessando o
site da TV Cultura sobre os MehinakuKARAJÁ - habitantes tradicionais do rio Araguaia, vivem hoje na ilha do Bananal, Parque Indígena do Araguaia. O contato com os brancos aconteceu a partir do século XVI com a exploração do ouro e pecuária e com isso começaram a perder sua cultura. No rio Araguaia está sua principal fonte de subsistência. Tentem recuperar suas tradições, como a festa do Aruanã - peixe da região - protetor dos Karajá e da festa do Heohonky - através das danças e lutas ijesu - demonstração de força e coragem. Fabricam artesanato e suas habilidades são nado, remo e a prática da luta idjassú.
PARESI HALITÍ - vivem nas terras indígenas Paresi e Utiariti, nos municípios de Campo Novo dp Parecis e Tangará da Serra, respectivamente. Foram guias para a comissão Rondon e tentam até hoje preservar seus valoresculturais e étnicos. Praticam o Xikunahiti, um jogo que se usa a cabeça. São conhecidos por sua bela ornamentação com penas de aves.
MANOKI - habitam o extremo norte de Mato Grosso. Muitos Manoki foram dizimados com a chegada dos seringueiros na região, a partir de 1900. As principais formas de expressão artística são: a dança, pinturas o ornamentos corporais e o Yetá - festa ao espírito da roça, onde há o batismo da plantação e das crianças que vão receber seus nomes, pelos anciãos da aldeia.
Este festival é anual. Não deixe de comparecer e prestigiar no próximo ano. Vale a pena!









Um Índio
Caetano Veloso
Um índio descerá de uma estrela colorida e brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul, na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
Virá, impávido que nem Muhammed Ali, virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri, virá que eu vi
Tranqüilo e infalível como Bruce Lee, virá que eu vi
O axé do afoxé, filhos de Ghandi, virá
Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto e cheiro
Em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto, sim, resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer
Assim, de um modo explícito
(Refrão)
E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos, não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto
Quando terá sido o óbvio
sábado, abril 18, 2009
PSICANÁLISE COM JF - TV BANDEIRANTES - SC
Veja a entrevista de Jorge Forbes para a TV Bandeirantes de Santa Catarina, em 12 mini-vídeos, durante o recente congresso da Escola Brasileira de Psicanálise, em Florianópolis.
Os temas tratados: Regime de Mulheres, Práticas Reacionárias, O Adolescente Cinqüentão, Filhos Cangurus, O líder hoje, Crise de civilização, ...
O primeiro vídeo foi uma resposta à pergunta do repórter sobre um artigo de Forbes: Você merece ser feliz? !!!! Veja a resposta:
A entrevista pode ser acompanhada no post de 16 de abril de Sua Exclência, o Blog. Vale a pena conferir!
Essa entrevista e outras notícias, você também pode acompanhar no site do Projeto Análise
domingo, abril 12, 2009
PSICANÁLISE X "SWEDED FILMES"

A psicanálise tem mais a ver com o corpo do que com o raciocínio. É da ordem do ressoar. Hoje, mais do que nunca, temos a clínica do "gozo". Antes a psicanálise lidava com o "sentido" e agora, com o não-sentido, com as novas formas de lidar com a vida. Lidar com esse "gozo", com esse jeito de viver, de forma inventiva e responsável é a proposta da psicanálise.
Jorge Forbes tem trabalhado esses conceitos e também estudamos isso no último curso de Jacques-Alain Miller - Choses de Finesse en Psychanalyse (2008/2009). Confira os Aforismos psicanalíticos sobre a Segunda Clínica de Lacan, por Jorge Forbes, clicando no link: http://www.psicanaliselacaniana.com/mural/textos/documents/JF-AULAINAUGURALDOIPLA2009.pdf
A psicanálise é da ordem do singular. Ela transforma soluções particulares em transformações singulares.
Podemos dizer que os "sweded filmes" são soluções singulares?
É uma forma particular de ver, sentir e representar um filme. É da ordem da invenção. É a forma de passar sua singularidade no mundo.
Da mesma forma que não foi possível rebobinar o filme, mas criar uma nova história, na psicanálise não se rebobina a vida, mas pode-se reinventá-la. (Elza Macedo)O filme BE KIND, REWIND, (REBOBINE, POR FAVOR - título do filme em português) que provocou uma onda de "sweded filmes" - mostra releituras e filmagens de clássicos feitos por leigos - como uma forma de mostrar ao mundo, através do YouTube e de outros canais da internet, sua forma singular de "gozo". Criaram até um verbo para essa atividade: SUECAR.
Um novo sintoma da globalização.Veja as referências da Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Be_Kind_Rewind
Veja pelo YouTube um exemplo que já tem cerca de 336.000 exibições, um sweded filme de BE KIND, REWIND - produzido por pessoas comuns - uma metalinguagem:Veja também a matéria que fiz neste blog sobre esse filme - REBOBINE, POR FAVOR - em 19 de outubro de 2008:
sábado, abril 11, 2009
TRÊS MENINAS DO BRASIL
Teresa Cristina, Jussara Silveira e Rita Ribeiro - gravação do show ao vivo no Teatro Municipal de Niteroi em 2008. e lançado em CD e DVD recentemente. Confira !
Esse show ainda vai correr o Brasil, a partir de maio, quando Lorena, filha de Teresa - que nasceu no dia 24 de março - já puder acompanhar a mãe pelo mundo afora.
Salve Teresa Cristina ! Bem vinda Lorena!!!!
terça-feira, abril 07, 2009
PSICANÁLISE: FREUD E LACAN / ALEMÃO E FRANCÊS

Oferece a partir deste mês:curso de alemão com textos de Freud
http://www.psicanaliselacaniana.com/cursos/IPLA_curso-_diomas_DeutschfurFreudianer.htme
curso de francês com textos de Lacan
http://www.psicanaliselacaniana.com/cursos/IPLA_curos
_idioma_frances.htmAinda há vagas. Vá correndo se inscrever!
segunda-feira, abril 06, 2009
domingo, abril 05, 2009
CORAÇÃO VULGAR / ME DEIXE EM PAZ
sábado, abril 04, 2009
TRÊS HISTÓRIAS
Freud, o criador da psicanálise dizia que por melhor que se leve uma análise, sempre tem um resto incompreensível, tanto no homem, quanto na mulher.
Jorge Forbes, freudiano e aluno de Lacan, o psicanalista lacaniano que linka a psicanálise com o mundo, diz: Toda decisão é precipitada, uma vez que sempre será incompleta; daí, inventiva.
Juntando esses dois pensamentos, me chamou a atenção esse texto - TRÊS HISTÓRIAS - de Noemi Jaffe e Leda Cartum, publicado na revista virtual TRÓPICO, no site da UOL. Escritora e sua filha contam viagem a Auschwitz, o campo de concentração de onde sua mãe e avó foi resgatada.
Dá para entender como a lembrança de alguém que foi presa num campo de concentração, durante a guerra, vira um diário que é entregue a um homem que se apaixona por ela; e que esse jovem enamorado usa as páginas em branco do diário para escrever cartas à amada, fazendo dessa tragédia uma históra de amor?
Esse casal -pais de Noemi e avós de Leda - veio para o Brasil. Noemi e Leda viajaram para a Alemanha. Viajaram para tentar costurar suas histórias, procurar os pontos que faltavam. É bom lembrar o que disse Freud - sempre há algo incompreensível e o que disse Jorge Forbes sobre a decisão e a incompletude.
Leia esse lindo texto, essas três histórias, escritas por mãe e filha, sobre a mãe e a avó, início de um livro que logo será publicado. Delicie-se, clicando no link:
http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/3068,1.shl
Boa viagem!
sexta-feira, abril 03, 2009
CAETANO: DON´T THINK

Caetano gravou uma versão da música do Bob Dylan - DON´T THINK TWICE, IT´S ALL RIGTH - que é uma das melhores interpretações dessa música.
http://www.caetanoveloso.com.br/sec_videoclips_list.php?language=pt_BR&id=12&page=1














