quinta-feira, julho 28, 2011

ARENA DI VERONA - VA PENSIERO - JULIAN KOVATCHEV



A noite de 27 de julho de 2011 - Arena di Verona - foi memorável. Nabucco - de Giuseppe Verdi. MARAVILHOSO !!!!!

O dia apresentou umas pancadas de chuva, mas parecia que a cota já tinha se esgotado. Fomos para a Arena, mas, logo no segundo ato começa a chuviscar.


A orquestra começou a se retirar, pois os instrumentos podem ser danificados pela chuva - tivemos um primeiro intervalo com a torcida de milhares de espectadores para a chuva parar.

O vento deslocou a chuva e a ópera recomeçou. Mas, não por muito tempo - e assim foi - desde o início às 21:15h, pontualmente, até quase 2h da madrugada, quando saímos maravilhados daquele lugar.

Um momento de muita emoção: O povo começou a cantar a ária Va Pensiero num desses intervalos com a chuva maltratando a platéira, "ola", palmas, tudo o mais para não deixar a alegria ir embora e incentivar os artistas a voltarem.


O maestro Julian Kovatchev foi incansável. Era uma alegria vê-lo saindo e entrando em cena com seu lindo sorriso e comandando a orquestra de corpo e alma. No final do último intervalo, com medo que a chuva nos maltratasse mais, foram direto para a cena dos escravos cantando em coro a música tão esperada. Pedimos bis e num silêncio estonteante todos se emocionaram e vibraram novamente com Va Pensiero - quase um hino italiano.


Veja aqui um vídeo dessa interpretação, que Julian publicou no facebook



Depois dessa epopéia, um jantar na praça em frente à Arena. Uma delícia a sensação dessa noite - para coroar, uma troca de palavras com Julian. Seria possível sua vinda ao Brasil? Por que não?

Para quem ainda não foi ver: A temporada de ópera vai até 3 de setembro. Vale a pena ir !


Uma dica de um hotel muito legal, com bom preço e ótima localização, ao lado da Arena, é o Hotel Giulieta e Romeo. É a segunda vez que me hospedo lá e a satisfação é cada vez maior.


Veja algumas fotos dessa ópera no site da Arena: clique aqui.


Que belo programa!

segunda-feira, julho 25, 2011

ANISH KAPOOR - MILÃO 2011




Há duas exposições de Anish Kapoor em Milão: My red homeland - na Rotonda di via Besana (31 de maio a 9 de outubro de 2011) e Dirty Corner - na Fabrica del Vapore (31 de maio 2011 a 8 de janeiro de 2012).



Ver essas exposições foi um dos motivos que me trouxe a Milão nesse verão europeu.

A exposição da Rotonda de Via Besana impressiona pelo vermelho - a cor que tem uma profunda escuridão interior - diz Kapoor numa entrevista. No grande salão da Rotonda, cercam a obra principal esculturas de espelhos que nos fazem colocar em cheque nossa visão, nossas certezas. As reações são as mais diversas - eu ria muito e pensava em como as fantasias podem emergir e mudar tudo em nós.

A exposição da Fabrica del Vapore é composta por uma peça única - Dirty Corner - um túnel com uma abertura imensa que vai afunilando no seu interior cada vez mais escuro e empoeirado - abertura de 3 metros de diâmetro, embocadura de 7 metros e 57 metros de comprimento. A sensação é muito estranha - penetrar esse vazio e sentir o silêncio. Chega a lembrar a experiência analítica - uma experiência singular.

Kapoor considera essa obra masculina (a forma fálica) e feminina (a embocadura similar a uma vagina e o interior como um útero). Ele nos mostra os pares de opostos: vazio/cheio, escuridão/luz, masculino/feminino, positivo/negativo, material/imaterial.

No final há uma sala com apresentação de um vídeo de 22 minutos com Kapoor falando do seu trabalho, da sua busca, da experiência que quer propor com sua arte. Gostei tanto que vi duas vezes seguidas. Ele fala da experiência do abismo em sua obra - não aquele da nossa vida externa que não conhecemos, mas aquele que conhecemos da nossa vida interna. Ele se interessa por mostrar sempre o momento. Fala da fantasia que se refletem nos objetos, mas que não são objetos e continua na busca de encontrar alguma coisa super sensual.






















Vale a pena conferir. Ainda há tempo: programe-se!

Nesse vídeo podemos ver algumas peças que estavam na Rotonda:

sábado, julho 23, 2011

AMY WINEHOUSE - WILL YOU STILL LOVE ME TOMORROW

Amy Whinehouse testou todos os limites - a morte venceu, como só podia ser.

Para lembrar dela: Will you still love me tomorrow

quarta-feira, julho 20, 2011

VALTER HUGO MÂE - NAS ENTRELINHAS


Nesta entrevista para o programa "Entrelinhas", valter hugo mãe fala sobre seus livros, lê trechos dos dois livros que lançou na FLIP e termina com uma tomada de sua fala na mesa da FLIP.

Adorei esse trecho do final do vídeo:

Os livros não são autobiografias na partida, mas são autobiográficos na chegada. Antes são sempre histórias sobre os outros, mas depois são sempre histórias nossas. São sempre experiências nossas e uma oficina de amadurecimento nosso. Por isso, aquilo que eu escrevi, aquilo que eu contei, já sou eu também.

Confira neste vídeo do youtube:

segunda-feira, julho 18, 2011

ARENA DI VERONA - NABUCCO


A temporada de ópera Arena di Verona está em pleno vapor. Vou assistir Nabucco nessa temporada, que homenajeia Verdi - considerado um dos maiores compositores de ópera de Milão.

Verdi estreou essa ópera no Teatro alla Scala de Milano, a 9 Março 1842 - um enorme sucesso!

A linda área Va Pensiero, cantada pelo coro dos escravos, é uma das mais conhecidas no mundo da ópera, aqui interpretada por Pavarotti e Zucchero.

Boa viagem !!!

quarta-feira, julho 13, 2011

O MELHOR DA FLIP 2011


Ir à FLIP é um programa que não dispenso - faz parte do meu calendário. Mesmo que seja para dizer - não gostei! Mas, eu sempre gosto!

A cidade de Paraty é o cenário ideal para essa festa literária - todos caminhando na rua principal e cruzando a ponte rumo à tenda dos autores. Milhares de pessoas discutindo as palestras, os pontos de vista, os livros lançados pelos autores convidados, muitos eventos paralelos, restaurantes deliciosos e bons shows de música. Para mim nada melhor que Maria Marta - a cantora nascida em Campos do Jordão - que canta no Café Margarida, uma das melhores intérpretes de Paulo Vanzolini.

Como disse Jorge Forbes em suas Flipídicas: A Flip é como Ipanema, tem suas musas renováveis a cada ano.

P
orém, eu tenho os meus preferidos de cada ano e por isso, aqui vai minha lista dos melhores da FLIP 2011:

Zé Miguel Wisnik, Celso Sim e Elza Soares - o melhor show de abertura de todas as Flips.

legal o pout-pourri do show seguido por depoimento de valter hugo mãe neste vídeo:



valter hugo mãe (em minúsculas, como ele prefere) - foi o ponto alto da FLIP.

Sensível, carismático, soube seduzir e emocionar a platéia - chorei e ri ao mesmo tempo. Foi ovacionado por todos e sua mesa comentada durante toda a semana. Algumas frases dele:

O momento de escrever é o momento da salvação - é sempre o melhor tempo do meu tempo.

A presença de Pessoa é tão grande que nos emudece e nos responsabiliza.

Os livros são máquinas de criar sentimentos, como quadros de fantasmas vivos.

E o momento mais emocionante, quando leu uma carta aos brasileiros. Veja no Youtube:




Gonzalo Aguilar - um argentino que falou com muita propriedade sobre o modernismo, em especial sobre Oswald e o movimento antropofagista.

Comparou o quadro de Tarsila do amaral - ABAPORU com a escultura de Rodin - O PENSADOR.

Enquanto no Pensador, de Rodin, o forte é a cabeça; no Abaporu, de Tarsila, o forte é o pé - um ponto de confluência com Lacan, que privilegiava os pés, o fazer, para depois teorizar.

Frases de Gonzalo:

O que define o homem ocidental é a vergonha.

O presente é que vai inventar o passado.

Ao referir-se à frase de Oswald: "tupi or not tupi - that is the question" diz: A questão é ser ou não ser índio, assumir ou não o primitivo - não o primitivo do passado, ms o atual, essa idéia da imanência.

Luiz Felipe Pondé - brilhou ao debater com o cientista Miguel Nicolélis, que se sente maior que Deus ao querer fazer do homem um superhomem. Pondé nomeou essa tentativa de Nicolélis de eugenia.

Frases de Pondé:

A idéia que a gente vai construir um lugar que não existe, melhor do que aqui, além do humano, é um escândalo (citando Platão).

O sofrimento te encontra; a vida humana é a tentativa de escapar dele, do sofrimento.

A fronteira entre ciência e religião nunca foi distante. Ciência e religião sempre se cruzam.

A ciência é uma esperança: se Deus fracassou, o homem vencerá.

Enrique Krauze - que junto com Octávio Paz, no México, criaram a revista literária Vuelta, uma de minhas leituras preferidas quando vivia lá. Paz morreu em 1998 e desde então Krauze fundou a revista Letras Livres. Ao todo são 36 anos vivendo ao "calor do momento" servindo à democracia e à paixão pela literatura.

Claude Lanzmann - o amante de Simone de Beauvoir e personagem de uma rica história de vida foi motivo de polêmica na FLIP. Falou sobre Shoah, o filme de 9 horas que fez sobre Israel e das artimanhas para driblar os patrocinadores que queriam que ele fizesse em 2 anos um filme de 2 horas - que no final levou 9 anos com duração de 9 horas. " Eu tinha que inventar o tempo todo meios para convencer as testemunhas - isso demora muito tempo." O entrevistador, ávido por mostrar que tinha grande conhecimento da sua vida e de sua obra não deixava que o autor falasse do livro de memórias que estava lançando na FLIP - A lebre da Patagônia. Lanzmann perdeu a calma e chegou a falar ríspido com o moço: se não fossem falar do livro ele se levantaria e iria embora. Um ranzinza de carteirinha, mas delicioso!

Suas frases:

O tempo para mim nunca cessou de nunca passar.

Shoah é um filme sobre a radicalidade da morte nas câmaras de gás em campos de extermínio.

O tempo nos obriga a esquecer tudo, mas é preciso lutar.

Joe Sacco - escreve livros em forma de HQ (histórias em quadrinho). Ele diz que embora escreva sobre a guerra está interessado nos civis, em como eles sobrevivem. Está interessado em saber como as vidas das pessoas são afetadas pela guerra, pois muitas perdem suas casas, os filhos não podem frequentar escolas - são os civis que morrem nas guerras. Mas, o humor está sempre presente, diz, nem que seja o humor negro. As pessoas usam o humor para aliviar a tensão, o que não quer dizer que não seja difícil, que não fiquem deprimidas.


Frases de Joe Sacco:

A memória, muitas vezes, é a única forma de se construir a história.

As pessoas inventam suas memórias; mas você pode descobrir coisas nas entrelinhas.

O jornalismo americano é obcecado pela objetividade.

Poder escrever de uma forma muito envolvente, sobre questões sérias, é o que me atraiu em George Orwell.

David Byrne - o músico do Talking Heads que começou a usar bicicleta como meio de transporte desde os anos 80 em New York e depois virou escritor.

Não gostei da sua palestra, mas adorei os trechos de filmes famosos com cenas de bicicleta que ele apresentou no início de sua palestra. Alguns dos quais reconheci: Cinema Paradiso, Mágico de Oz, A vida é bela, Noviça Rebelde, ET.

Comprei seu livro (Diários de bicicleta) e espero que seja legal - ainda não li.

Os livros que comprei na FLIP deste ano:
  • Os redentores - idéias e poder na América Latina (Enrique Krauze)

  • Os três mosqueteiros (Alexandre Dumas)

  • Os melhores jovens escritores em espanhol (Granta)

  • Dália negra (James Ellroy)

  • Diários de bicicleta (David Byrne)

  • Notas sobre Gaza (Joe Sacco)

  • A lebre da Patagônia (Claude Lanzmann)

  • Shoah (Claude Lanzmann)

  • A máquina de fazer espanhóis (valter hugo mãe)

  • O remorso de baltazar serapião (valter hugo mãe)

Já estou com saudades dessa FLIP. Mas a de 2012 deverá ser memorável - basta ver quem será o homenageado: Carlos Drummond de Andrade. Viva a FLIP !


MINHA GALERIA DE FOTOS - FLIP 2011
















quinta-feira, julho 07, 2011

FLIP 2011

Paraty está em festa!

Começou a 9ª edição da Festa Literária de Paraty - FLIP 2011.

Esta é a vista do complexo da FLIP que agora está concentrada na mesma margem: tenda dos autores, tenda do telão, café, livraria, estands dos parceiros - ficou muito boa essa arquitetura.

São 36 autores convidados e muitas atividades - pois além da FLIP tem a FLIPINHA e a FLIPZONA - tudo coordenado pela Casa Azul.

O almoço com os autores e parceiros é um dos pontos altos da FLIP.

Sempre no dia da abertura, às 14h - desta vez foi no jardim da linda casa de Marina Massi - ela e seu marido, ótimos anfitriões - um congraçamento entre organizadores, parceiros, autores e convidados.

A mesa de doces estava de dar água na boca!

Adorei encontrar Enrique Krauze - escritor que criou junto com Octavio Paz, no México (uma boa lembrança de quando morei lá) a revista literária Vuelta. Conversamos e tiramos uma foto pra matar as saudades:






























A conferência de abertura em homenagem a Oswald de Andrade foi feita a 4 mãos por Antonio Cândido e José Miguel Wisnik.

Antonio Cândido preferiu falar do amigo Oswald de Andrade - " sou o único amigo dele ainda vivo". Contou de como se conheceram e algumas passagens divertidas como quando Oswald lhe disse: “Eu ataquei você com violência e você não perdeu a serenidade. Proponho que sejamos amigos. Daqui em diante você pode falar o que quiser de mim”. Falou da amizade de Oswald por Mário de Andrade, das suas brigas e do que Oswald lhe disse sobre Macunaíma: "é a maior obra literária do modernismo - o livro que eu queria ter escrito".

Para Cândido, o jornalismo de Oswald era tão importante quanto sua poesia e sua literatura; mostrava de maneira brilhante tudo o que ele via. Porém, cita, há um único artigo importante sobre Oswald de Andrade, escrito por Mário de Andrade. Conta que Oswald era um amante da literatura e que depois de uma briga que tiveram ele escreveu "Reconciliei-me com Antonio Cândido" - porque achou que Cãndido tinha escrito um artigo interessante. Oswald era explosivo - brigava e desbrigava.

Oswald era um inconformado com a burguesia - por exemplo, não se conformava com o fato da sociedade ser baseada em padrões masculinos - era uma pessoa de vanguarda para seu tempo. Foi rico, pobre, anarquista literário, boêmio, stalinista (depois brigou com o partido). Ele soube usar a arma do riso: nada resiste ao riso - foi a grande arma do modernismo brasileiro. Oswald mostrou que a literatura séria pode ter riso e leveza.



















Wisnik falou de Oswald do ponto de vista do aluno de Antonio Candido - de uma forma mais acadêmica. Relacionou o movimento antropofágico com o tropicalismo - leu trechos de Verdade Tropical, de Caetano Veloso, - e com o teatro - lembrou a montagem do Rei da Vela por José Celso Martinez.

José Miguel Wisnik definiu Antropofagia como um critério seletivo de leitura o qual faz com que o leitor se desloque em relação à alteridade. A lei do homem antropofágico: "só me interessa o que não é meu".

Ao final Wisnik fez uma leitura de um trecho de “Serafim Ponte Grande” e lembrou que ele traz no lugar que em geral faz menção aos direitos autorais a frase “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas” - que vai na contramão da política daquela época e também, incrivelmente, da atual.

Depois da conferência o show de abertura na tenda do telão!

O Show de José Miguel Wisnik + Celso Sim e ao final com Elza Soares foi o melhor show de todas as Flips !

As músicas de Wisnik sobre textos de Oswald fizeram o público cantar junto, se deliciar. Teve Lamartine Babo, Jorge Mautner, Cazuza - um carnaval antropofágico.

Depois da entrada da diva Elza Soares, que veio mesmo depois de sofrer uma cirurgia de coluna há um mês, o público foi ao delírio. Aplaudia de pé todas as canções, cantava junto e gritava palavras de amor â musa, que ficou emocionada.

Um grande começo desta FLIP2011!

quinta-feira, junho 30, 2011

ANISH KAPOOR - LEVIATÃ

Anish kapoor, artista plástico indiano - britânico, acaba de montar uma obra monumental no vão do Grand Palais, em Paris.

A obra de kapoor é tão inovadora que nos surpreende, nos leva a um outro paradigma. Não tem nada a ver com o que estávamos acostumados - são obras monumentais em que as pessos exploram o espaço da obra, interagindo, experimentando novas sensações.
Essa exposição esteve aberta durante os meses de maio e junho. Quem viu curtiu, quem não viu perdeu.

Eu perdi o bonde - espero não perder a próxima oportunidade!


Viaje nesse video - entre nessa obra de kapoor:

quinta-feira, junho 23, 2011

PSICANÁLISE E FUTEBOL

Quem diria que Jacques Lacan e a psicanálise fariam diferença no futebol - a maior paixão dos brasileiros?
Pois aconteceu! Jorge Forbes, psicanalistas lacaniano, fez recentemente um trabalho, que denominou "Projeto Cabeça" junto ao Santos Futebol Clube e sua equipe - jogadores, treinadores e dirigentes - algo inédito no mundo do futebol. Um pouquinho, certamente, conribuiu ao verificado ontem - a festa do Tricampeonato do Santos pela Copa América - Santander Libertadores.

Veja aqui um vídeo de uma das palestras de Jorge Forbes e Marcelo Tas com atletas do Santos Futebol Clube - uma atividade do "Projeto Cabeça":



Parabéns Santos Futebol Clube - pela iniciativa e pela vitória!

Eu, uma Corinthiana, parabenizo esse time que nos orgulha como brasileiros!

terça-feira, junho 21, 2011

MEIA NOITE EM PARIS - O FILME DE WOOD ALLEN


Paris é filmada e mostrada em toda sua beleza estonteante, em todos os ângulos, com todas as luzes junto com seus mais ilustres habitantes: escritores, pintores, cineastas, intelectuais da época. Gil, o personagem principal, tem encontros fantásticos com Ernest Heminghay, Zelda e Scott Ftizgerald, Pablo Picasso, Gertrude Stein, Cole Porter, Henri Matisse e Luis Buñel. Mas é com Salvador Dalí (Adrien Brody) que ele tem um dos diálogos mais divertidos.

Wood Allen está romântico, divertido, espirituoso e nos leva a viajar com ele na Paris da época de ouro - a década de 20.


Adorei o filme! veria 10 vezes e viajaria 1000 vezes a Paris!

Ri, chorei - me emocionei!

Vale a pena ver - Recomendo!

sábado, junho 18, 2011

AS TRILHAS DE AMOR E GUERRA DE RIOBALDO TATARANA


O real não está nem na saída nem na chegada; ele se dispõe pra gente é no meio da travessia.

Comprei hoje esse livro ilustrado da obra de Guimarães Rosa - Grande Sertão: Veredas - As trilhas de amor e guerra de Riobaldo Tatarana (seleção de textos e levantamento fotográfico de Marcelo de Almeida Toledo).

É um livro muito lindo - gostoso de folhear e ler. Convida a viajar com Guimarães Rosa e suas veredas - e sonhar!

Seleciono aqui algumas frases que me encantam:

Vou lhe falar: lhe falo do sertão. Do que não sei. Um grande sertão. Não sei, ninguém não sabe. Só umas raríssimas pessoas e essas poucas veredas.

Aquela travessia durou só um instantezinho enorme. Digo: o real não está nem na saída nem na chegada; ele se dispõe pra gente é no meio da travessia.

Viver é muito perigoso ... querer o bem com demais força, de um certo jeito, já pode estar sendo querer o mal, por principiar. Eu quase que nada sei; mas desconfio de muita coisa!

Rio meu é o Urucuia, o das águas claras, a porta dos meus gerais.

Um céu azul vivoso! Um punhado de vento quente passando entre duas palmas de palmeiras. Quando o senhor sonhar, sonhe com aquilo ...

O seguinte é esse: o princípio de toda pior bobagem é um se prezar demais o próprio de sua pessoa.

Eu nasci longe daqui. Por aí andei e desandei. Pra bastante o que mais vi foi desgraça e ruindade.

O mar ... o mar é como uma lagoa enorme. O mar eu nunca vi.

O sertão está em toda parte! É onde os pastos carecem de fecho; é onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar casa de morador.

O diabo na rua, no meio do redemoinho ...

Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que já se passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas de fazer balancê, de se remexerem dos lugares. A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos; uns com os outros acho que não se misturam. Contar seguido, alihavado, só mesmo sendo coisas de rasa importância. Assim é que eu acho, assim é que eu conto.

Tem horas antigas que ficaram mais perto da gente do que outras de recente data. O senhor mesmo sabe; e se sabe, me entende. Toda saudade é uma espécie de velhice.

(João Guimarães Rosa)

segunda-feira, junho 13, 2011

FERNANDO PESSOA


Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — 30 de Novembro de 1935) - um dos maiores poetas da língua portuguesa, quizá de todas as línguas.

Cresci lendo seus poemas e muitos deles são responsáveis por momentos bonitos que vivi.

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? (FP)

Publico aqui alguns dos que gosto muito.

Boa viagem!


AUTOPSICOGRAFIA (Fernando Pessoa)

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Para ser grande (Ricardo Reis)

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Poema em linha reta (Álvaro de Campos)

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza


O Tejo (Alberto Caieiro)

O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

domingo, maio 29, 2011

PSICANÁLISE: AS LETRAS E AS MOLAS DO AMOR

Na semana passada, no Corpo de Formação em Psicanálise do IPLA, Elza e eu apresentamos uma aula com o título: As letras e as molas do amor.

A aula era sobre o capítulo "O amor e o siganificante" - do Seminário Encore (Mais, Ainda) de Jacques lacan - aula de 16 de janeiro de 1973.

Objetivo da aula:
Mostrar a busca de Lacan para construir sua Segunda Clínica, salientando as seguintes passagens:

- do sujeito do significante ao parlêtre;

- do velho amor ao novo amor;

- do significante ligado ao signo ao significante suportado pelas letras.

Não se trata de publicar aqui a aula inteira, mas sim, pinçar alguns conceitos importantes:

1) O SIGNO

O signo se diferencia do significante.

Exemplo clássico: Não há fumaça sem fogo.

Lacan: A fumaça bem pode ser também o signo do fumante.
Não há fumaça senão como signo do fumante.

O signo como efeito do funcionamento do significante.

2) A ESCRITA

Lacan partiu da afirmação: “O que se escreve é a letra, e a letra não se fabricou sempre da mesma maneira.” (p.64)

Ele pressupõe um conhecimento a respeito da história da escrita cuja extensão cubra desde sua invenção até seu uso atual pela matemática.

“Desde que a linguagem existe houve muita mutação da escrita”. (p.63)

3) A MIRAGEM DO UM

“Nós dois somos um só. É daí que parte a idéia do amor” (p.64) – Lacan diz que é uma forma grosseira de dar significado à relação sexual.

As pessoas querem se amar na identidade, na transformação de dois em um - a miragem do um.

É como se canta o amor nas canções: só vou se você for; não dá mais para separar as nossas vidas ... e por aí vai.

É o velho amor!

4) DA PRIMEIRA PARA A SEGUNDA CLÍNICA

Primeira clínica – O inconsciente estruturado como uma linguagem. A clínica do significante, da interpretação.

Amor - era justificado, em nome de.

Segunda clínica – O parlêtre. A clínica do gozo, da letra. O discurso analítico como novo laço social.

Amor - sem justificativa, direto, sem intermediários e sem limites.

Uma nova ética: conseqüência e responsabilidade.

5) O UM DA PSICANÁLISE

O Um da psicanálise não é o Um do padrão, do comum a todos, do congraçamento; o Um da psicanálise é o que sempre escapa à apreensão. É o Um da singularidade forçando a invenção e a criatividade. (JF: Seminário Um novo amor – 8/5/2002)

Para Lacan, o desejo do analista é o de obter a diferença absoluta, a singularidade. (Sem 11, p. 260).

6) A FUNÇÃO DA PRESSA E O TWITTER

Twitter - concisão dos 140 toques. Isso nos obriga a entender melhor o que realmente queremos dizer. Uma sessão de psicanálise lacaniana pode ser muito curta, porque se entende que não se chega necessariamente a maiores verdades falando por mais tempo.

(JF – entrevista para OESP, 23/5/2011)

7) O NOVO AMOR

É o amor que não tem intermediação. É o amor do encontro, é o amor da surpresa, do inusitado – sem lugar. É um amor incômodo. Não é o amor do pouso, é o amor da plataforma, que te acorda em vez de fazer dormir. É o amor que te irrita, por que não dizê-lo? É o amor que faz com que você encontre uma solução, uma expressão para ele. (JF - Programa Saia Justa/GNT - "O que é o amor?" - 31/10/2007)

Lacan evidenciou, para o nosso tempo, a possibilidade de um novo laço social que não se dá “em nome do Pai” – uma mudança radical no modo como uma pessoa ama. (JF: Seminário “Um novo amor” – aula de 3/4/2002).

8) VELHO AMOR X NOVO AMOR

É sempre recíproco - Não tem reciprocidade, mas sim, cumplicidade

Faz signo, relacionando-se com a identificação - Relaciona-se com a diferença

Tem a ver com o signo - Tem a ver com a letra

Demanda sempre mais amor, é narcísico - Dá aquilo que não tem

É intermediado - É direto, não mediado

Relaciona-se com a dimensão fálica - Relaciona-se com o gozo do Outro sexo, o gozo feminino.

Homens e mulheres têm formas de satisfação muito diferentes. Mas, o amor é sempre inadequado e bagunceiro.

sexta-feira, maio 20, 2011

MULHERES INSATISFEITAS E ALGUNS HOMENS

As mulheres são basicamente insatisfeitas, o que equivale a dizer que são basicamente desejantes. Pessoas satisfeitas não desejam, por que o fariam? A insatisfação feminina pode ser doença ou provocação?

Clique para ler esse artigo de Jorge Forbes publicado no site Vida Boa.



domingo, maio 15, 2011

O DIVÃ ALÉM DA PORTA


Existe o “setting terapêutico” correto? Uma análise foi feita para dormir ou para acordar? Jorge Forbes nos convida a acompanhá-lo em sua viagem de descoberta da psicanálise.
Clique aqui para ler esse artigo de Jorge Forbes.

domingo, maio 08, 2011

STACEY KENT NA SALA SÃO PAULO



Fui ao show de Stacey Kent e Jim Tomlinson na Sala Sâo Paulo, quando do lançamento do seu CD The Lyric, na noite de 4 de maio.

Amei !!!

Veja aqui as músicas que compoem o CD - que eu já tenho!

1. Manhã de Carnaval
2. Corcovado
3. I've Grown Accustomed To His Face
4. If I Were A Bell
5. I Got Lost In His Arms
6. What Are You Doing The Rest Of Your Life ?
7. Cockeyed Optimist
8. My Heart Belongs To Daddy
9. The Surrey With The Fringe On Top
10. Outra Vez
11. Jardin D'hiver
12. Something Happens To Me
13. Stardust

sábado, maio 07, 2011

MÔNICA SALMASO - ALMA LÍRICA





Na minha viagem ao Rio de Janeiro passei numa loja da gravadora Biscoito Fino e comprei uns CDs que tinham sido lançados recentemente.



Um deles é o CD Alma Lírica, de Mônica Salmaso com a participação de Teco Cardoso e Nelson Ayres. Eles levaram a MPB ao mundo da música lírica e o resultado foi um CD delicado e lindo!



Veja aqui os comentários deles sobre o CD:





Uma das minhas favoritas deste CD é o Samba Erudito, de Paulo Vanzolini, que amo de paixão! Mas tem muitas músicas lindas, o repertório foi escolhido a dedo.

Recomendo!

terça-feira, maio 03, 2011

TERESA CRISTINA CANTA ROBERTO CARLOS


No dia 30 de abril Teresa fez um show junto com o grupo Os Outros no teatro Rival, Rio de Janeiro, em homenagem aos 70 anos do rei Roberto Carlos.

Eu não perderia esse show por nada - sou fã incondicional de Roberto desde que eu era pequenininha e adoro Teresa.

Teresa trouxe muitas canções do começo do ie-ie-ie e não ficou só nas canções mais conhecidas. No Bis vieram: Cama e Mesa, Quero Que Vá Tudo para o Inferno! e Como é grande o meu amor por você.

O show foi maravilhoso!!!

Aqui Teresa canta Como Dois e Dois




Um vídeo do ensaio no dia do show:





Nesse filme do site globo.com, na última parte, Teresa dá uma entrevista falando do show com Os Outros e canta trechos de músicas do show. Curta comigo!


E agora ouça a música que abriu o show - a única que não era do Rei, mas um sambinha de Chico da Silva em homenagem a ele: Convite a Roberto Carlos.


A platéia foi ao delírio e não queria deixar Teresa e Os Outros saírem do palco. Eles também curtiram muito e lamentaram que tanto empenho e ensaio acabou numa noite única de show.

Quem viu curtiu e quem não viu perdeu!