sexta-feira, junho 07, 2013

O AMOR VISTO PELA JANELA DA PSICANÁLISE




Reproduzo aqui o texto de Jorge Forbes: Um novo amor está no ar 

Há um novo amor no ar da pós-modernidade.
        Nós, humanos, nos diferenciamos dos animais também pela multiplicidade de formas de amar que recobre a paisagem de cada época. Uma vaca não muda a maneira de amar e nem de se declarar. Dá para imaginar? Humanos, sim, a ponto de sabermos que o amor embalado pela bossa nova é diferente daquele do hard rock e que a musa dos menestréis, cheia de panos, não teria sido nenhuma garota de Ipanema de biquíni.
        Nossa época se caracteriza por relações horizontais do laço social. Estamos em uma sociedade de rede, na qual as hierarquias foram achatadas e os padrões pulverizados. Não fazemos mais as coisas em nome de um bem maior ou supremo, mas porque queremos. Assim também é o amor atual.
        Até bem pouco tempo, uma casal dizia que não se separava por algum motivo suplementar ao relacionamento amoroso em si. Ouvimos muito: - Só fico com você porque jurei ao seu pai em seu leito de morte que lhe cuidaria; - Só fico com você por causa de nossos filhos, não os quero ver em lares divididos; - Só fico com você, porque o que Deus uniu, que não separe o homem!; Só fico com você por nossa vida econômica, social, ou política. Em quaisquer desses exemplos tão comuns há sempre a presença de um terceiro – pai, filhos, Deus, dinheiro, patrimônio. Não é, ou não será mais assim.
        O amor de hoje pede invenção e responsabilidade no que antes era tradição e disciplina. Se uma pessoa está com outra é – antes de qualquer nobre motivo – porque quer. Isso informa que não adianta se sentar para discutir relação; todos sabem que esse é o melhor caminho da discórdia. Não amamos alguém pelo que o outro pensa ser amado, e nem mesmo por aquilo que nós pensamos. Quem já não teve a experiência de encontrar um par perfeito em tudo salvo em um detalhe não tão pequeno: a falta do amor? E ter de se despedir com uma pena danada daquele que seria o amor ideal, quem?
        Pais contam nos consultórios dos psicanalistas suas aflições frente a aparente superficialidade de seus filhos ficantes que distribuem beijos de boca em boca nas baladas eletrônicas. Calma. Essa moçada é também aquela que não fará concessão por amores arranjados e acomodados. O novo amor da pós-modernidade representa um novo tipo de humanismo, uma transcendência laica. Se não morremos mais por grandes causas, morremos por quem nos toca de perto, por quem divide nossa vida no impossível do vazio das grandes causas. Não se pergunta mais se você compreendeu o que eu disse, se pergunta: - tá ligado? Esse “tá ligado?” quer saber se o que me toca, de alguma forma te toca, não no mesmo sentido que tem para mim, mas na mesma ligação compartida. Daí o novo amor pedir invenção, no que antes era significado pela tradição, e responsabilidade de um querer ético, onde antes estava a disciplina do comportamento moral.
        Ouve-se a pergunta que não quer calar: - E daí, melhorou o amor?
        Ah, isso é coisa para cada um responder, tá ligado?



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Jorge Forbes é psicanalista. Texto publicado originalmente na revista IstoÉ Gente, em dezembro de 2012


domingo, maio 26, 2013

LOVE IS ALL

Love is all - a canção eternizada por Malcom Roberts, em 1969, que se classificou em terceiro lugar no IV Festival Internacional da Canção, no Maracananzinho - Rio de Janeiro.

Boa viagem !

sábado, maio 25, 2013

TERAPIA DE RISCO - O FILME

O filme TERAPIA DE RISCO traz à tona questões éticas e efeitos colaterais do uso de medicamnetos psiquiátricos.
A relação médico-paciente, o tratamento psicoterapêutico e os efeitos da medicação para depressão e surtos de angústia são tratados nesse filme num enredo de suspense, que prende o espectador durante todo o tempo. 
Uma bela reflexão sobre a posição do médico, dos laboratórios, do mercado de ações e da posição perversa da personagem central.
Vítima ou algoz?
Vale a pena ver o filme!


E para sentir o gostinho, veja o trailler:

sexta-feira, maio 24, 2013

REENCONTROS


Existem duas maneiras básicas de reencontros: o reencontro do mesmo e o do diferente. Através de Isolda e de Roberto Carlos, Jorge Forbes explica, neste texto, porque uma saudade é gostosa de ter, no encontro surpreendente.

quarta-feira, maio 22, 2013

FELICIDADE BY JORGE FORBES



Aforismos de felicidade
por Jorge Forbes

Felicidade não é bem que se mereça. Ela é fruto do acaso, da surpresa, do inesperado.

A felicidade diz respeito a alguma coisa dentro de você, impossível de nomear. E quando isso acontece você entra em crise de identidade.
A felicidade é um estado que põe em dúvida a sua identidade e, se você não suportar isso, terá fechada completamente, as portas da felicidade.
Felicidade não progride, nem se acumula, pois se assim fosse acabaríamos estourando em sua plenitude.
Felicidade é a força bruta do desejo, que dá o impulso para que as coisas se realizem.
Felicidade é uma responsabilidade pessoal e intransferível.
Em uma análise, felicidade é suportar o inesperado.

quinta-feira, maio 16, 2013

CHARLES AZNAVOUR


Charles Aznavour está em São Paulo.
Para quem perdeu ou quer relembrar, segue o vídeo do último show dele em Paris:

Concert au Palais des Congrès

Boa viagem !

 

quarta-feira, maio 15, 2013

15 ANOS SEM FRANK SINATRA

Quem não dançou, quem não sonhou, quem não viveu ao som da voz de Frank Sinatra?
Hoje faz 15 anos de sua morte - vamos cantar e dançar com ele!


segunda-feira, maio 13, 2013

MÃE

Mãmãe
aniversário da mãe, avó e dia das mães - um dia múltiplo de múltiplas emoções.






Mamãe, mamãe, ela é a dona de tudo ...

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domingo, maio 05, 2013

PARTIU NA BOCA DA NOITE

Letícia Genesini escreveu um texto singelo e sensível sobre Paulo Vanzolini, para a newsletter do IPLA - edição 29. Fiquei emocionada ao ler. Deixo aqui o texto na íntegra:

Neste último dia 28 morreu Paulo Vanzolini. Poderíamos dizer que neste último dia 28 morreu o zoólogo formado em medicina, Paulo Vanzolini (possivelmente ele preferiria assim). Mas nós preferimos dizer que quem morreu foi o compositor popular Paulo Vanzolini. E por maiores que tenham sido suas conquistas e reconhecimentos no campo da biologia, por mais que ele dissesse que não era um compositor profissional, teimasse em falar que “nasceu zoólogo” e que era apenas mais uma “pessoa da noite” que fazia música nas horas vagas, nem fatos nem argumentos conseguem negar a marca deixada por músicas como “Ronda”, “Boca da Noite” e “Volta por Cima”. Quer queira, Paulo Vanzolini, quer não, vai o homem, fica a obra.
A verdade é que a canção popular brasileira é em si um pouco Paulo Vanzolini: não nasceu se propondo ser o que é, simplesmente foi. Não tendo o cânon literário que lhe faça sombra, no Brasil, sem pretensão ou embaraço, a música ocupou um lugar na nossa cultura próprio da grande literatura. “A canção, para nós, segue sendo um dos modos decisivos de invenção e entendimento das coisas” (Arthur Nestrovski). E que outro lugar poderiam ocupar versos como
“Tempo e espaço eu confundo/
E a linha de mundo é uma reta fechada”?
Com 89 anos e ainda com shows marcados, podemos concordar que ele foi sem pena, pena teve quem ficou. Mas, diferente do que previu o compositor, o que ele fez foi muito e não vai com ele, fica pra história. A canção popular que nasce da noite para ocupar nossa tradição literária, é tal qual o amor de descompassado de “Bandeira de Guerra”:
“Me admira ter vingado, quem diria
Que fosse loucura pra mais do que um dia
Na verdade, quem diria
Que enxergasse a luz do dia
Mas vingou e é coisa feita
Torto sim eu ostento
E ninguém me endireita”

Minha vontade é contrariá-lo ainda mais e dizer que quem morreu foi o poeta Paulo Vanzolini. Porque, meu caro Paulo, poesia não demanda pretensão ou linhagem, mas requer sim, paixão e muita teimosia.  

(Letícia Genesini)

quinta-feira, maio 02, 2013

quarta-feira, maio 01, 2013

PAULO VANZOLINI - UM HOMEM DE MORAL

É uma viagem pelas histórias e músicas de Vanzolini.
Assisti a pré-estréia em 2009, na noite em que tirei a foto que está na postagem abaixo. Agora o filme-documentário está todo disponível no YouTube. Enjoy:

terça-feira, abril 30, 2013

SAUDADES DE PAULO VANZOLINI

Lembro aqui da pré-estréia do documentário UM HOMEM DE MORAL, em abril de 2009.

Vale trazer aqui aquela postagem:


Essa série da TV Cultura com depoimentos dele e de outros artistas retrata bem quem foi Vanzolini:


segunda-feira, abril 29, 2013

LEMBRANDO PAULO VANZOLINI

Tive o privilégio de conhecer pessoalmente o grande Paulo Vanzolini.
Visitá-lo no Museu de Zoologia da USP onde ele mostrava curiosidades sobre os répteis e falava das suas pesquisas, ouvi-lo contar casos da forma deliciosa que lhe era própria - alguns que depois viraram canções- , ouvir suas músicas, cantar seus sambas. São lembranças caras que trago comigo.

Fiquei muito triste, quando soube hoje, logo que acordei, que Vanzolini tinha morrido. Desde então estou cantarolando as músicas que gosto e as recordações que elas me trazem.

Aqui, trecho de uma entrevista dele, de 2010:


 

Algumas das minhas canções favoritas:

sábado, abril 27, 2013

ENTREVISTA COM NELSON SCRENCI


Entrevistei o artista plástico Nelson Strenci para a newsletter do IPLA - O Mundo visto pela Psicanálise. 


Eis aqui o texto completo:


Entrevista com Nelson Screnci para IPLA – O MUNDO VISTO PELA PSICANÁLISE

TG - O que faz sua cabeça? O divã?

NS - O divã só faz a minha cabeça se à sua frente houver uma pintura. Qualquer uma, de qualquer qualidade e fatura. Só então sou capaz de “viajar” e “analisar” cada detalhe da imagem e pensar como poderia refazer tudo aquilo se me fosse dada tal oportunidade.
Por outro lado, o divã me fascina.  A sua presença em qualquer ambiente sugere um lugar de repouso, reflexão e, por que não, reencontro. Acredito que se não me ocupasse da pintura, seria um assíduo frequentador de divãs... Indo mais longe, chego a pensar que o trabalho de criação e todos os passos que o envolvem me salvaram da monotonia da realidade. Não vejo sentindo nenhum numa vida sem arte.

TG – E a arte?

NS - A arte pode estar na mente, no  quadro, e até no divã. Mas para mim, é o que faz o ser humano sonhar  e o transporta para novas possibilidades de viver com mais prazer. Só a arte é capaz de tornar a vida menos árdua. E isto serve para qualquer pessoa, independentemente de sua origem, formação ou cultura. É claro que a sua fruição torna-se mais profunda ou sofisticada na mesma medida em que são ampliadas as referências e o conhecimento de suas modalidades.
3– Metamorfoses – por que? Seria uma repetição que leva à invenção?
As transformações surgem a partir do que se apresenta igual. A invenção seria o grau de alterações sofridas durante o processo de mutação de um modelo único. Só a arte pode materializar o que a imaginação duplica. Na realidade, sabe-se que não existem duas coisas exatamente iguais na natureza. Portanto, mesmo no que parece idêntico, há sempre uma partícula que, por mais ínfima que seja, é sempre um indicador de diferenciação. As metamorfoses representadas por desenhos induzem necessariamente o pensamento às comparações e analogias. Utilizá-las como elementos compositivos é propor a articulação desse jogo em função do aparecimento de novos significados para imagens já conhecidas.

TG – Fale do seu livro –  “Decálogo de um Pintor” – de 2010.

NS - O “Decálogo de um Pintor” surgiu da necessidade de fazer uma reflexão sobre um longo período de trabalho. É o resumo de uma atividade que exerço há mais de 30 anos de forma contínua, porém nem sempre linear. O texto comenta algumas passagens biográficas que remetem às obras produzidas e tem o objetivo de orientar e estimular os jovens artistas e professores de artes visuais.

TG –  Você é Artista Plástico, Professor de Artes Visuais e de História da Arte. Como você se define?

NS - Eu me defino como Artista Plástico, ou melhor, como simplesmente um “Pintor”. As atividades de Professor de Artes Visuais e História da Arte estão intrinsecamente ligadas ao exercício da pintura e lhe são, de certa forma,  complementares. Portanto, a obra é o ponto de convergência de todas as outras ocupações que exerci ou venha a exercer.

TG – Do que você gosta mais?

NS - A minha linguagem preferida é a da pintura. Gosto muito também do desenho. E aprecio também as outras modalidades, como a escultura, fotografia, a música e o cinema. O cinema, sem dúvida, é a grande arte do Século XX, pois reúne todas as outras em um só corpo expressivo.

TG – O que você espera com sua arte? Que consequência?

NS - Eu espero provocar nas pessoas o aparecimento dos seus melhores sonhos.

TG – Algum contato com a psicanálise? Como você vê a relação psicanálise e arte?

NS - As relações que existem entre arte e psicanálise são as mesmas que poderiam existir entre ciência e arte. Ambas tratam da subjetividade do ser humano, com propósitos, métodos e enfoque muito diferentes. Eu não me arriscaria a falar mais sobre um assunto complexo como a psicanálise, sobre o qual possuo apenas noções rudimentares. Mas admiro sua ação de tentar salvar pessoas retirando-as dos mundos infernais de sofrimento a que estamos, todos, de uma forma ou de outra,  sujeitos.

TG – Como é, em termos de sua arte, viver entre a montanha, São Bento do Sapucaí e a metrópole, São Paulo?

NS - É meio mágico. Eu vejo o interior como um ambiente de fantasia. Um mundo que admirava à distância por sua misteriosa proximidade com a  natureza. As montanhas da Serra da Mantiqueira que cercam a pequena São Bento são de uma beleza exuberante! As paisagens são inspiradoras para qualquer artista que se proponha a contemplá-las. Por outro lado, o provincianismo dos habitantes também é grande. Sinto saudades de São Paulo por sua riqueza de opções culturais, infelizmente muito desvalorizadas e depreciadas em cidades muito pequenas. As “pracinhas” com cinema ou teatro já fazem parte de um passado que não conheci, pois nasci na mesma década da televisão no Brasil. Resta  tentar imaginar o que teria sido em outros tempos. E é também função da arte suprir com a imaginação e poesia certas lacunas de memória.

TG - O mundo está mais acelerado. Qual é a forma da arte em um mundo que anda a passos tão rápidos? Ela consegue responder em tempo aos anseios humanos e sociais?

NS - O mundo é acelerado nos grandes centros. Aqui, entre as montanhas, tudo é muito mais lento. Inclusive há tempo para demoradas leituras. Pena que não há museus de arte. Mas a internet vem suprindo essa carência, quando se tem preparação e interesse para acessá-la.
A arte pode assumir diversas formas, mas não evolui como a ciência, progressivamente. Isto porque a arte, além da manifestação de ideias, trata dos sentimentos e emoções humanas  que, ao que tudo indica, mudaram muito pouco desde a pré-história...Não se mede a evolução da arte por meio de progressos tecnológicos. Os meios de expressão podem estar cada vez mais sofisticados, mas continuam servindo essencialmente para a mesma finalidade ancestral de representar a subjetividade humana em toda sua rica complexidade.

TG - A linguagem pop e influenciada pela cultura de massa é uma referência do seu trabalho. Como essas características dialogam com a singularidade, o individual, o artesanal (tão indispensáveis na psicanálise)?

NS - Em todos os meus trabalhos a referência à linguagem pop é extremamente crítica. Trata-se de uma admiração por uma visualidade que se tornou nova utilizando-se de meios antigos, mas que não nasceu como um elogio à cultura de massa. Pelo contrário, é uma proposta para reflexão sobre o lado mais nocivo e mecanicista de uma nova maneira de viver proposta em meados do século passado, voltada essencialmente ao consumismo e à vulgarização dos bens culturais.

TG - A arte é terapêutica? É mais terapêutica para o artista ou para quem frui dela?

NS - A arte é terapêutica quando utilizada como tal. A arte-terapia já é uma disciplina independente da criação artística em si. Sua finalidade determina os meios a serem empregados, e não o contrário. A prática artística mais autêntica só se consuma plenamente quando a experimentação leva a resultados surpreendentes.
Não acredito que o simples fruir de uma obra artística seja por si só uma terapia. Pode ser complementar. Mas a arte não possui uma finalidade única. As razões de sua existência fogem até de quem a pratica e, principalmente, de quem se propõe a refletir sobre elas e encontrar uma resposta única.



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Decálogo de um Pintor (por Nelson Screnci)

1. Não existem regras para iniciar uma pintura. Existe, sim, um repertório.
2. A pintura é um grande exercício de autoaprendizagem e de abnegação.
3. Quem diz que sabe pintar bem já começou a desaprender.
4. Pintar é sempre um privilégio, e quase sempre uma felicidade, uma alegria!
5. A melhor pintura é sempre a que se está fazendo no momento.
6. Pintar é transformar materiais e pessoas em novos materiais e pessoas.
7. Mais difícil do que começar a pintar é decidir quando a obra termina.
8. Sem disciplina não existe trabalho. Sem trabalho não existe arte.
9. Pintar pensando em ser avançado já é um sinal de estar no passado.
10. Para o artista, a arte termina onde começa o mero exercício da vaidade.




segunda-feira, abril 22, 2013

O DEDO DE SILICONE

 Quando acham que agora podem saber tudo de você, porque te espiam, te filmam, te gravam e te devassam, o máximo que conseguirão será um... dedo de silicone!

 
Veja porquê, no artigo de Jorge Forbes, para a revista IstoÉ Gente.

Parece um artigo pornográfico, quando damos como título: “O dedo de silicone”. Fantasias explodem nas cabeças ávidas por demonstrarem sua esperteza na matéria sexual. E, no entanto, não é nada erótico esse dedo; ele só faz alusão à mais recente traquinagem descoberta nas hostes das safadezas contra a cidadania. Não é que foi pega uma autoescola em São Paulo que para evitar o penoso esforço, a seus honestos clientes, de terem de comparecer às aulas preparatórias ao exame de motorista, com presença controlada biometricamente pela impressão digital, resolveu tecnicamente a questão, burlando o controle com dedos de silicone cuidadosamente confeccionados para esse fim? Os dedos foram achados muito bem catalogados, todos com a devida identidade do proprietário, para que não houvesse falso reconhecimento, é claro. A cada um o seu dedo!
Esse acontecimento tragicômico lança luz reflexiva sobre uma questão bem atual: o controle dos corpos. Numa evolução estonteante, fomos daquela maquininha chamada de babá eletrônica, simples engenhoca que colocávamos nos berços das crianças para sermos avisados de seu choro, até sofisticados sistemas de áudio e vídeo, usados em múltiplas faixas etárias: o bebê, o escolar, o velho. Quem vai impedir pais ou filhos preocupados com pajens desconhecidas de vigiarem seus movimentos, ao saírem e deixarem seus filhos, ou seus pais, com esses potenciais agentes da maldade? Muito difícil. Foi-se o tempo em que por mais que a curiosidade matasse, jamais, mas jamais mesmo, uma pessoa abriria uma carta ou uma gaveta de alguém. Hoje, em nome da insegurança social, e facilitado pelo avanço tecnológico, vai-se muito além da gaveta, na proliferação preocupante de câmeras e microfones escondidos. Ainda se respeita certos ambientes, o banheiro, por exemplo, mas é questão de tempo para que essa onda avance também nessa praia.
A biometria já foi muito combatida no meio acadêmico-intelectual pela sua característica invasiva e controladora dos humanos. Giorgio Agamben, por exemplo, filósofo italiano da melhor cepa, renunciou a uma série de conferências convidadas nos Estados Unidos, a partir do dia em que esses começaram a exigir a impressão digital na entrada daquele país. O fato é que a progressão do reconhecimento digital de nossos corpos é inevitável. Resta saber, apesar disso, se o pesadelo do controle total é exequível. A resposta é não. A cada avanço das bugigangas de vigiar o outro, pensando que nada escapa às máquinas, surgem novas escaramuças.
Ora, ou proibimos câmaras e microfones, o que não parece nada realístico, pois o avanço da tecnologia é inexorável, ou nos damos conta que não somos aquilo que o outro nos vigia e capta. Tudo o que de nós pode ser copiado ou representado, é uma imagem, é uma ficção, mas não é real. A melhor maneira de se defender em uma sociedade da fofoca generalizada, como esta em que vivemos, é não dar consistência ao olhar do outro. Os artistas sabem muito bem responder a isso: sua foto nua em uma revista não autoriza intimidade a ninguém. Nada mais é do que um dedo de silicone.

domingo, abril 21, 2013

ZECA PAGODINHO 30 ANOS

Adorei o show de Zeca Pagodinho 30 anos no canal Multishow.
Cantei e dancei com o Zeca ! bom programa de final de domingo.

Agora é esperar sair o CD e DVD - o show foi muito bom !

Veja aqui uma palhinha:


sábado, abril 20, 2013

ANIVERSÁRIO DO RUY (EX) GORDO



A festa de 60 anos do Ruy reuniu grade parte da turminha de Itape.

Nanão fez a tradicional feijoada com muita alegria e animação.

A nova turminha chama a atenção de todos: Manu, a linda netinha do gordo/Nanão e Tomas, neto de Walter/Maria e filho de meu afilhado Diogo - que se prepara para vir ao mundo.



 


À noite curtimos música: João Bosco - 40 anos depois e uns clássicos dos anos 60. Música é uma das coisas que sempre curtimos juntos. Uma delícia!

sexta-feira, abril 19, 2013

A TRAGÉDIA DA MARATONA DE BOSTON


Letícia, corredora aficcionada, escreveu um texto muito sensível, tocada que foi pela tragédia que interrompeu a maratona de Boston 2013:

Linha de chegada interrompida

Nesta última semana, em respostas às explosões que interromperam a maratona de Boston, corredores aficionados postaram em seus blogs e fan pages a famosa citação de Kathrine Switzer: 'If you are losing faith in human nature, go out and watch a marathon.' (“Se você está perdendo sua fé na natureza humana, vá ver uma maratona”).
De fato, há algo na maratona capaz de reunir, a cada evento, anos após ano,  milhares de pessoas inexplicavelmente dispostas a se colocarem à prova em uma corrida de mais de 42km. São pessoas determinadas a ir muito além do que é pedido delas, a fim de descobrir o que elas são capazes de conquistar. Mais do que um evento ou uma competição esportiva, a maratona é um teste do espírito humano.
As competições de atletismo tem um elemento a mais, presente em todos outros esportes, mas que aqui encontra seu cerne: o desejo. Ninguém vence uma corrida por ficar tocando a bola pra ver o cronômetro correr. Não é possível fingir uma falta ou discutir se a bola foi dentro ou fora. A única coisa que se pede aqui é que se tente ir mais longe. Não existe outra opção ou nova saída: não há como vencer sem o desejo de vencer.
Não é por outro motivo que o símbolo da maratona de Boston é um unicórnio: a figura mitológica que representa aquilo que se ambiciona, mas que nunca pode ser alcançado. “É nesta busca que atletas competidores podem se aproximar da excelência (mas nunca atingi-la completamente). É nesta ambição de se impulsionar ao seu próprio limite e ao máximo de sua habilidade que é o cerne da atlética” (Associação Atlética de Boston).
O filme “Sem Limites” (1998) relembra outro momento em que a violência invadiu o mundo do esporte: o atentado nas Olimpíadas de 72. Nos momentos de dúvida se o evento continuaria ou não, a personagem de Bill Bowerman, fundador da Nike e um dos treinadores da equipe de atletismo dos EUA, diz a seus corredores:
“Este assassinato de atletas israelenses é um ato de guerra. E se há um lugar onde a guerra não pertence, este lugar é aqui. 1200 anos. De 776 a.C. a 393 d.C, os atletas olímpicos abaixaram suas armas para fazer parte destes jogos. Eles compreendiam que havia mais honra em vencer um homem derrotando-o em uma corrida do que matando-o. Eu espero que a competição seja retomada, e se for, vocês não devem achar que correr... ou fazer lançamentos... ou pular... é algo frívolo. Os jogos eram a resposta que seus companheiros olímpicos tinham para a guerra – competição, não conquista. Agora, esta deve ser a sua resposta.“
Exatamente por isto, a tragédia de Boston destoa tanto. Não foi mais ataque aos EUA, não é mais uma “onda de terror”, foram explosões anônimas em um espaço em que a honra e a vontade deveriam prevalecer. 

Letícia Genesini

sábado, abril 13, 2013

JORGE FORBES E LUC FERRY NA TV CULTURA

“A filosofia para um novo tempo”, com Luc Ferry e Jorge Forbes, é o Café Filosófico que a TV Cultura reprisa a pedidos, neste domingo, 14 de abril, às 22 horas.

IMPERDÍVEL !!!

sexta-feira, abril 05, 2013

A VELHA HISTERIA VS A NOVA HISTERIA

Há diferença entre a velha histeria, aquela que impulsionou Freud e o nascimento da psicanálise com a nova histeria, dos tempos atuais?
A resposta é SIM !

É uma questão muito interessante, principalmente nos dias de hoje em que as relações já não se estabelecem como no tempo de Freud. Muita coisa mudou. A sociedade não é mais pai-orientada, os laços identificatórios não são mais verticais, não há mais padrões rígidos e nem somos movidos pelos ideais da religião e da razão. O que nos toca hoje é de outra ordem !

Mas, não vou discutir isso agora. É um "petisco" para chamar a atenção para o tema que irei trabalhar na segunda-feira, no IPLA.

Depois comentarei aqui.

segunda-feira, abril 01, 2013

MÚSICA NA MADRUGADA - TONY BENNETT

Adoro os duetos de Tony Bennett.
Escolhi alguns como trilha sonora para meus estudos nesta madrugada. Curta comigo:

domingo, março 24, 2013

PSICANÁLISE E AUTISMO

UM MUNDO PARTICULAR – O autismo na era da indignação, excelente artigo de Luiz Fernando Vianna, publicado na Ilustríssima– FSP – domingo 17/3  convocou a psicanálise.

Alain Mouzat responde ao artigo num texto em que reflete sobre a  posição da psicanálise em relação ao autismo e dialoga com um jornalista-pai de autista: Psicanálise e autismo.

Leia aqui também:


A polarização do debate sobre o autismo e a psicanálise, alimentada pela produção de um filme antipsicanalítico mal-intencionado na França, ecoou no Brasil. O texto publicado em 17 de março na Folha de S. Paulo, por Luiz Fernando Vianna nos interpela e relança a questão: o que a psicanálise tem a dizer?  E um pai de um filho autista?
Um texto que começa falando da vergonha própria, sem rodeios nem jogos de encenação, exige o máximo respeito. De todos, mas principalmente dos psicanalistas.. Assim, o texto de Luiz Fernando Vianna, publicado na Ilustríssima de 17 de março me atropelou literalmente, pela qualidade da palavra que estampa o desejo que a anima a dizer o que é. O que é o autismo para um pai de um filho autista.

“Vergonha, luto e culpa”, enumera ele, são três afetos avassaladores, mas que têm de ser reconhecidos para poder se confrontar com o peso do real sem disfarces. Para um pai de autista, mas também para qualquer filhote do homem que nasce condicionado pela linguagem e pelas relações sociais. 
A “indignação” desse pai está longe do sentimento confortável das críticas de salão bem intencionadas, politicamente corretas, contra os políticos corruptos e as mazelas que afligem a sociedade. A indignação dele é a recusa do encarceramento do autismo nos discursos pré-formados, de uns e de outros, que não resistem minimamente à sua experiência.A sua indignação é o seu desejo de fazer reconhecer o singular de sua experiência, de não deixar diluir no universal da doença do “autismo” seu filho autista.Ele não ignora nenhum dos pontos em que se articula o debate atualmente.  Assim, por exemplo, a questão da origem da doença. Ele resolve rapidamente sua posição: o autismo tem uma origem genética mal identificada, em razão da multiplicidade dos genes envolvidos. No contrapé dos debates – a favor ou contra uma origem biológica ou da influência ou não do meio – ele não dá peso ao assunto. A recente introdução da dimensão epigenética na biologia não deixa de lhe dar razão: ela ameaça mandar esse debate  para a lata do lixo das discussões ultrapassadas. A partir de sua vivência, um pai de autista não tem nada a acrescentar. Para ele a questão não está aí. O conhecimento das causas pode por certo providenciar futuras esperanças, mas esse pai de autista não se sustenta nisso.Da querela dos psicanalistas e dos comportamentalistas, L. F. Vianna, fala de experiência própria, já tentou os dois.  Nenhum traz respostas. Dos psicanalistas, ele aponta por um lado a ineficiência, mas particularmente a incapacidade de responder pelo que fazem, vestindo sua ignorância de uma neblina entendida.  Dos comportamentalistas, ele aponta a ignorância do sujeito.Esse julgamento a partir da própria vivência lhe é confirmado pelo filme Le Mur, panfleto antipsicanálise produzido na França, do qual ele faz uma análise lúcida: má fé da diretora, mas também incompetência dos psicanalistas em responder claramente. Para nós, aliás, sobra a pergunta: afinal, a psicanálise tem de trazer uma resposta ao autismo?O pragmatismo – no melhor sentido, no sentido que Lacan falava da experiência da psiquiatria inglesa durante a guerra como “uma relação verdadeira com o real” –  de um pai vivendo a experiência do autismo do filho parece ainda mais claro na sua posição em relação aos discursos comuns. Luiz Fernando Vianna não fica passivo frente aos preconceitos na sociedade. Ele tampouco esperar solução das medidas legais, sempre orientadas pelas melhores intenções, mas sem consequências.  Ele sabe se localizar nos discursos oriundos da esfera autística: ele reconhece o que trazem os livros de autistas “geniais” sem alimentar esperanças desmedidas, e particularmente se revolta contra o “politicamente correto” que, positivando o autismo, pretende convencer que se trata de um presente do Céu.Não penso que a psicanálise ofereça uma resposta ao “autismo”. A psicanálise não trata “doença”, ela oferece uma via aos sintomas subjetivos, permitindo à pessoa se confrontar com seu real sem máscara nem concessões. O que esse pai de filho autista, no que seu artigo dá testemunho, parece ter conseguido.


(Alain Mouzat)

domingo, março 17, 2013

NOTAS MUSICAIS DE DOMINGO

Eric Clapton e Paul McCartney cantando juntos Something de George Harrison/The Beattles - o máximo !!!


sábado, março 16, 2013

ENTREVISTA COM GUTO LACAZ



Entrevistei o grande artista plástico Guto Lacaz para o site do IPLA:

As livrarias têm dificuldade em classificar os livros de Guto Lacaz. Não sabem se é arte, se é brinquedo. É um inclassificável, como é um artista, que só é classificável por seu nome.

TG - O que faz sua cabeça? O divã?
GL – Eu mesmo. Aliás, este ano estava pensando em fazer psicanálise, mas sou eu mesmo que faço minha cabeça. Tento decodificar os problemas que me ocorrem, às vezes coisas pesadas, que tento resolver comigo mesmo ou com ajuda de amigos. Algumas coisas eu resolvo muito lentamente, às vezes em 10 anos, outras mais rapidamente.
TG – E o design?
GL – O design é a minha vida. Eu preciso fazer coisas, gosto de fazer sempre alguma coisa. O design me ocupa, me dá alegria, me dá o dinheiro para viver e para investir em meus projetos. Não sei viver sem o desenho, sem a construção. É o que me mantém vivo! Errei muito, mas, hoje, vejo que fui salvo pelas Artes.
TG – Fale do projeto do seu último livro – 80 desenhos de Guto Lacaz – lançado no final de 2012(*).
GL – Esse livro é resultado da minha colaboração para a revista Caros Amigos, onde comecei a convite do psicanalista Roberto Freire, e continuo colaborando até hoje.  Ao longo de 15 anos produzi cerca de 400 desenhos para a revista e selecionei 80 para o livro, que foi lançado em dezembro de 2012. Apresentei o projeto do livro a três editoras, mas não conseguia publicar porque elas não aceitam só desenhos, sempre querem que tenha algo mais. As pessoas não sabem como classificar um livro que só tem desenhos; tudo tem que ter um rótulo, como literatura, aviação. Nas livrarias não sabem em que prateleira colocar o livro. Não sabem se é infantil, se é para adultos – não sabem classificar.
TG – Não sabem se é arte, se é brinquedo. É um inclassificável, como são os artistas. O artista só é classificável por seu nome.
GL – Pois é, eles não sabem também que isso é um livro de arte. Sabem que é desenho, mas acham difícil categorizar.
TG – Você é designer, inventor, faz instalações. Como você se define?
GL – Eu sou arquiteto. Quando me formei, em 1974, não existia a palavra designer. Ela entrou oficialmente no mercado na década de 1980. Minha formação na faculdade de arquitetura foi bem aberta – aprendi fotografia, cinema, música contemporânea, desenho, comunicação visual, desenho gráfico, desenho de produtos – não ficava só na edificação. Foi a minha redenção. Tudo era possível, bastava ter um projeto e desenvolvê-lo. Depois de formado comecei a trabalhar com artes gráficas e depois entrei para artes plásticas. Minha base é o desenho, as outras coisas são consequências do desenho – posso pintar o desenho, construir o objeto desenhado, atuar a partir do desenho. Faço serigrafia, pintura, escultura ...
TG – O que você gosta mais?
GL – Gosto de ficar quietinho, desenhando. E depois gosto de mostrar, de me exibir. Sou tímido, mas preciso mostrar o que eu fiz. Quando eu faço uma exposição, lanço um livro, fico esperando as pessoas e se não aparece ninguém, eu morro. Ter uma ideia me dá um prazer imenso; adoro fazer o trabalho a partir dessa ideia e, depois, quero mostrar às pessoas e ouvir os comentários.
TG – Esse livro 80 desenhos, como você já disse, é resultado de um trabalho de 15 anos com o grupo do psicanalista Roberto Freire. Então, você pode dizer que tem uma relação com a psicanálise há 15 anos?
GL – Com a psicanálise mesmo eu nunca tive relação. Tive, por tabela, porque meu irmão, Carlos Roberto Martins Lacaz, é psicanalista junguiano. Eu fiz a parte gráfica da sociedade a qual ele pertence. Mas eu só prestava serviço à instituição, nunca tive a vivência da psicanálise.  Quando vejo publicações de psicanálise acho muito complicado, para mim é um universo misterioso.
TG – Você trabalha conosco, no IPLA, desde 2006, quando criou nosso logotipo. Como você vê esse trabalho desde então?
GL – Eu gosto muito, é divertido. É uma relação boa, sensível; trabalhamos com rapidez; é fácil.

(*) Guto Lacaz publicou 4 livros: 80 desenhos de Guto Lacaz, uma seleção de desenhos feitos para a revista Caros Amigos; Desculpe a letra, resultado de oito anos de colaboração para a coluna Joyce Pascowitch, da Folha de S.Paulo; Gráfica, resultado de trabalhos gráficos expostos no Centro Cultural São Paulo; e Homem Objeto, sobre artes plásticas. 



sexta-feira, março 15, 2013

NOTAS AO LÉU - POR JORGE FORBES


No embalo de uma semana religiosa, Jorge Forbes escreve notas ao léu


notas ao léu


Foi uma semana papal, papada pelo vizinho do sul. O número de piadas sobre o novo bispo de Roma dá a medida de nossa dor de cotovelo. Afinal, um Papa ficaria bem na paisagem de uma Olimpíada precedida por uma copa do mundo de futebol. Já pensaram a glória de um santo chute inicial da Copa? O Papa branco passando a bola para o Papa negro, Pelé?
PqP.

Não há mais infalibilidade nem no Vaticano. Devemos essa ao Papa emérito. Afinal, infalibilidade não se aposenta, uma vez que o Espírito Santo não tem idade. É bom para alguns psicanalistas que pensam o Passe (instrumento inventado por Lacan para julgar o efeito final de uma análise) como uma consagração, quando deveria ser todo o contrário: motivo de mostrar e de discutir a clínica e não artigo de fé. Que se abra ao franco debate a não a interpretações metalinguísticas, como tem ocorrido nos congressos.

Continuo pensando que uma forte doença do lacanismo é o lacanês. Com que prazer pessoas repartem o não entendimento. Deve ser muito confortável, pois, afinal, quando ninguém entende nada, não há erro, estão todos certos. E, pior, ficam orgulhosos do segredo escondido de suas ignorâncias. Pobre Lacan, que tanto suou para fazer um ensino com régua e compasso. Eu estava presente no dia em que Lacan dissolveu a sua Escola, frente ao que viu – à época - fazerem de seu ensino. E agora, José? Seria divertido que as pessoas compreendessem o que falam e seus interlocutores, o que escutam. Imagino o susto. Ainda me lembro quando a missa começou a ser rezada em português; muitos se decepcionaram de estarem compreendendo o que se dizia, com saudades do sanctus, do orate frates, do ite missa est.
Deo gratias.

(por Jorge Forbes)

sábado, março 09, 2013

MARTINHO DA VILA

Salve Martinho da Vila que completa 75 anos !

E com Monarco, Beth Carvalho e Zeca Pagodinho E mais ainda:

terça-feira, março 05, 2013

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

FOGUEIRA DE FELICIDADES

por Jorge Forbes

É uma pergunta frequente ao psicanalista: - Como posso ser feliz?
A ideia é que a felicidade é um bem que, se cumprirmos uma série de regras, deveremos em decorrência merecê-la. Felizes seriam os mais aplicados, a eles o reino da felicidade. Assim se passa nas férias, por exemplo. Busca-se com muita antecedência a montagem de um cenário perfeito, daqueles de anúncio de televisão. Seja uma casa direto na areia de uma praia maravilhosa, seja o seu avesso complementar, uma casa no alto da montanha, à beira de um lago, com uma cachoeira nos fundos do jardim. Daí, só escolher a melhor companhia, boa comida e bebida, uma cama macia em um quarto amplo e silencioso e ... bingo: - Sou feliz!
Qual o que, para a decepção da maioria, a felicidade não obedece a regras padronizadas. No lago de Como, na Itália, ocorreu algo interessante e ilustrativo. É um desses lugares paradisíacos, como o descrito acima. Pois bem, a associação dos locadores dos chalés da beira do lago baixou uma norma que qualquer locação de uma semana deveria ser integralmente paga na hora da reserva. Isso porque eles começaram a verificar que grande parte dos casais suportava ficar quarenta e oito horas, no máximo setenta e duas, naquele sonho terrestre. Depois, era briga na certa e saíam cada um para um lado.
Nada a estranhar, humano, demasiadamente humano. Sempre alguma coisa falha nas previsões da felicidade e isso por uma razão de estrutura: como não podemos colocar totalmente em palavras o nosso desejo, daí a sensação da falha, da falta de alguma coisa. E quando objetivamente não falta nada, quando tudo está perfeito, do barulho das ondas do mar, à temperatura da água da cachoeira, aí, então, quem vai pagar o pato dessa sensação de algo a mais ausente é o pobre do parceiro; simples assim.
Vem então a queixa: - Ela não me entende, diz ele, - Ele não me sente, diz ela. E toca a fazer teorias de salão para explicar o eterno desencontro. Um afirma que o que está ocorrendo é que os homens estão apavorados com a liberdade feminina, outro que as mulheres são muito difíceis, eternas insatisfeitas etc. As explicações variam conforme a época, mas o fenômeno é sempre o mesmo: alguma coisa acontece nos corações muita além de qualquer razão. E não venham dizer que agora o sexo está melhor que antes, pois na base do cada vez melhor, se estivermos melhorando desde os gregos, já pensou, vamos ter uma explosão orgástica.
Não, nada disso, nada de receita de felicidade. Ao contrário do bom senso – que sempre pensa mal – a felicidade não é bem que se mereça. Como diria o poetinha, ela vem da arte do encontro, do acaso, da surpresa, a tal ponto que quando estamos de fato felizes entramos em crise de identidade, se perguntando quem é esse cara, esse cara sou eu? Para ser feliz uma só dica: aguentar nem que seja por um instante o amor que não se compreende, que explode qualquer cenário, que nos leva a habitar o mais forte que eu.
E boas férias!

(artigo publicado originalmente na revista IstoÉ Gente - fevereiro de 2013) 

domingo, fevereiro 10, 2013

CARNAVAL 2013

O carnaval deste ano tem boas novidades. Maguy, amiga de outros carnavais, mexicanos e parisienses, veio passear comigo nas montanhas. As delícias da cozinha de minha mãe colorem os dias. Ainda, um toque especial, uma surpresa: debaixo da janela do meu quarto há um ninho com 2 filhotes de passarinho recém-nascidos. Uma fofura !

E, como é carnaval, caímos na folia!
e




sexta-feira, fevereiro 01, 2013

POR QUE, MEU DEUS?

O que dizer da tragédia que tomou conta do Brasil? 
Meu amigo Alain Mouzat escreveu um texto sensível sobre esse horror:

Por que, meu Deus?

A tragédia da morte de mais de duzentos jovens na discoteca de Santa Maria  não deixa calar a pergunta. Endereçada  a Deus, ou formulada para os homens, ela é cobrança de justificativa para o  sentimento de injustiça  frente à perda de um ser querido.
Encontramos na nossa demanda de explicação da causa, da nomeação da responsabilidade, do desejo de que justiça seja feita, uma forma de aplacar a angústia que surge da confrontação com o horror.
Dirime nossa queixa de vítima do destino – há cadeia de fatos que levaram a isso ,  “poderia ter sido evitado” - e renova esperança – a punição dos responsáveis trará mudanças, “ Isso nunca mais”.
Como pode o Bom Deus deixar acontecer o Mal?  Como podem os homens ter deixado acontecer isso? Do lado de Deus, uma das respostas convoca os desígnios impenetráveis da vontade divina. Do lado dos homens, a lei determina as responsabilidades.
Mas permanece o horror. Ainda mais dilacerante quando se trata de filho.
Para a dor de cada um não há resposta.

Alain Mouzat