quarta-feira, outubro 12, 2011

UMA SEMANA EM PARIS













Uma boa receita para uma semana em Paris:
* encontrar os amigos, sair para jantar tomando um bom vinho.
É a primeira coisa que faço - vejo Maguy, amiga da vida inteira e vamos jantar no Ma BurgognLinke, restaurante de nosso amigo Aimé, na Place des Voges. Lá se prova do melhor steak tartar de Paris, além de cogumelos maravilhosos, fois gras, deliciosas sobremesas, como framboesas com creme, champagne e vinhos escolhidos pelo próprio Aimé.

* passear por Saint Germain des Près, fazer compras, comer no Ladurée (tem um prato de Coquilles S. Jacques) e provar dos macarrons (ou do mil folhas). Dar uma passadinha no Bon Marché sempre vale a pena !

* ir nas livrarias - a minha preferida é La Procure (dica de um amigo que sabe tudo de Paris).

* ir ao cinema - desta vez vi o novo filme de Almodóvar: La piel que habito - em vez de tragicomédia, desta vez ele carregou na tragédia - não gostei muito.

* ir aos museus - desta vez escolhi a exposição Matisse, Cézanne, Picasso... L’aventure des Stein - no Grand Palais. AMEI !!!!!!!!!!! Se for a Paris, não deixe de ver - até 16 de janeiro de 2012.

A temporada parisiense terminou com o encontro dos participantes do Women´s Forum na Assembléia Nacional, almoço na Embaixada do Brasil e um jantar no Senna a bordo de um bateau.
MARAVILHOSO !!!!

quinta-feira, outubro 06, 2011

VÍDEO DE LETÍCIA LENDO SUAS POESIAS


O portal do Estadão publicou uma entrevista com Letícia falando sobre seu novo livro - ENTRE - lançado na livraria da Vila - Itaim, na sexta-feira, 30 de setembro. (clique para ver)

Publicar o que foi escrito é uma forma de encerrar um trabalho. "A gente publica o poema para parar de escrever, como dizia Manuel Bandeira, senão não para nunca" - diz Letícia.

No final da entrevista há um vídeo em que Letícia lê alguns de seus poemas e conta como foi sua criação.

O livro ENTRE está disponível na Livraria da Vila do Itaim, em São Paulo, ou no site da Editora 7Letras - a compra é online e o livro entregue em sua casa. Cliqu aqui - o livro está na página principal da editora.

quarta-feira, outubro 05, 2011

STEVE JOBS


Steve Jobs foi um ícone da pós-modernidade. Há um antes e um depois das criações de Steve Jobs.
Ainda hoje me emociono quando leio seu discurso para os estudantes de Stanford.

Veja aqui o vídeo e abaixo a íntegra do texto traduzido:


Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

A primeira história é sobre ligar os pontos

Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais dezoito meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei?
Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina. Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: "Apareceu um garoto. Vocês o querem?" Eles disseram: "É claro." Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade.
E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de 6 meses, eu não podia ver valor naquilo. Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria OK. Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a freqüentar aquelas que pareciam interessantes.
Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo. Muito do que descobri naquele época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço.
Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava freqüentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.
Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse. Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria freqüentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para a frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.
De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa - sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

Minha segunda história é sobre amor e perda.

Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação - o Macintosh - e eu tinha 30 anos. E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses. Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício]. Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo.
Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa. Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple. E Lorene e eu temos uma família maravilhosa.
Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple. Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama. Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz. Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

Minha terceira história é sobre morte.

Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: "Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último". Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: "Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?" E se a resposta é "não" por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.
Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas. Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de 3 a 6 semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas - que é o código dos médicos para "preparar para morrer". Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus. Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem. Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá. Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.
O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém. Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas. Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior. E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário. Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid. Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes do Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de The Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês. Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras: "Continue com fome, continue bobo". Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.
Obrigado.

sábado, outubro 01, 2011

A FESTA DE LANÇAMENTO DO LIVRO DE LETÍCIA GENESINI - ENTRE
















Foi uma linda festa.

A Livraria da Vila - Itaim foi pequena para todos os amigos que lá foram abraçar Letícia e comemorar mais essa vitória dessa escritora/poetisa de 24 anos.

Uma felicidade, uma emoção grande, muito carinho e amor.

Só quem tem bons amigos pode sentir essa vibração.


Eu senti e foi muito bom!


Parabéns Letícia!

Obrigada amigos!


O site GLAMURAMA postou uma galeria de fotos. Clique para ver.

sexta-feira, setembro 30, 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO DE LETÍCIA GENESINI

É hoje o lançamento do segundo livro de Letícia: ENTRE.

Na livraria da Vila do Itaim:
Rua Mário Ferraz 414
Das 19 às 22h

Um orgulho inominável ver uma filha conseguir colocar num mundo sua invenção, sua singularidade.

A emoção ainda é maior ao ver que esse trabalho foi dedicado à sua mãe. Uma felicidade sem limites!

Desejo que os amigos venham hoje festejar conosco esse sucesso, esse momento tão especial em nossas vidas.


Jorge Forbes, nosso querido amigo, escreveu uma bela apresentação para esse livro de Letícia:

RECEITA DE LETÍCIA

Pegue alguns dos ingredientes básicos de uma vida sabida: mar, desejo, saudade, encontros, pedaços, amor, espaços.

Entre – “Entre” é o título da poeta – e se deixe guiar, ou melhor, permita-se combinar em cada verso, buscando, nessas páginas, o lugar onde você se encontra perdidamente.

“As únicas respostas que fazem sentido são sussurradas ao pé do ouvido”, diz ela, por isso há que se ler em voz macia, com os lábios bem abertos, de perto, sem risco de plágio, pois, se terminar em beijo, “beijar é a coisa menos original que alguém pode fazer com a sua boca”.

Não fuja da leitura desse livro só porque ele recai sobre você: “Ah, essa vida minha que quando não apaixona, desatina!”.

Siga. Enfrente a página até o ponto de perceber que quando a palavra falha, vai ver que não será porque “sente a palavra saudades da coisa?”. Afinal, “de português e louco, todo brasileiro tem um pouco”.

“A língua é um mar para quem sabe navegar”. Percorra linha a linha o corrimão de seu desejo, tendo claro que “uma língua sem exageros, que graça tem?”.

Letícia faz de você um bolo de saudade: “é bem uma coisinha de nada que num só fôlego, conta a vida toda, numa única levada”.

Entre aqui, portanto, entre já, pois, como dizia Mestre Lacan, a melhor saída é sempre a entrada.


Dá pra não ler uma livro com uma apresentação dessas?

quarta-feira, setembro 28, 2011

JORGE FORBES E LUC FERRY


Jorge Forbes recebe Luc Ferry na Sala São Paulo nesta quarta-feira, 28 de setembro.

E na quinta-feira, 29/9, um debate com os dois, na CPFL Cultura - Fronteiras do Pensamento, no Café Filosófico Especial gravado ao vivo para a TV Cultura: As Transformações do Mundo Contemporâneo.

Confira este vídeo-convite por Jorge Forbes:

domingo, setembro 25, 2011

ÓRFÃOS DO EXPLICÁVEL - POR JORGE FORBES, NO ESTADÃO



Jorge Forbes foi convidado pelo Caderno Aliás do Estadão deste domingo a analisar o caso do menino de São Caetano que atirou na professora e se matou em seguida.

JF fala coisas muito duras em sua análise - coisas que devemos refletir para rápidamente mudarmos de posição, pois, como finaliza ele nesse artigo: estamos atrasados.

Recorto algumas frases desse belo artigo:

Escrevo o que ninguém quer ler nem ouvir falar: não existe nenhuma fórmula, nenhum procedimento ou protocolo que tenha capacidade de prever uma atrocidade como a de um menino de 10 anos roubar o revólver do pai; esconder a arma, quando perguntado pelo próprio pai; atirar na sua professora; e em seguida se matar.

Somos filhos do Iluminismo. Aprendemos desde pequenos que tudo tem uma razão de ser e, se não compreendemos, a falha não está no saber - pois o saber é sem falha -, mas no raciocínio imperfeito.

A sociedade ainda não suporta constatar que a pós-modernidade nos fez órfãos do Iluminismo porque isso é desesperador. E agora que a festa do "tudo é explicável" acabou? Como suportar não saber se aquele garoto um pouco arredio não é o próximo assassino de si mesmo ou de alguém?

Se insistirmos em causalidades forçadas, vamos criar uma sociedade irrespirável. Afinal, qual de nós não tem a sua esquisitice?

Estamos desbussolados. Os sintomas de nossa inaptidão para viver neste novo mundo estão sendo tragicamente anunciados.

A psicanálise tem novas contribuições para o momento atual. Não se trata mais do Freud explica, mas do Freud implica. O Freud explica é do tempo da revelação do saber escondido, fora da consciência, no inconsciente. O Freud implica é de agora, da constatação de que, de uma sociedade da razão, fomos a um novo tipo de laço social: o ressoar, "tá ligado?".

Na medida em que pudermos habitar esse novo mundo com uma nova bússola, na medida em que ampliarmos a legitimação das singularidades, seremos menos surpreendidos. Estamos atrasados.

Leia a íntegra do artigo - clicando aqui.

sábado, setembro 24, 2011

ENTRE - LIVRARIA DA VILA - 30 DE SETEMBRO

Poesia

Coisa pequena

Tão pequenina

Que mal cabe neste suspiro.

É bem uma coisinha de nada

Que num só folego

Conta a vida toda

Numa única levada.

(Letícia Genesini)

Lançamento dia 30 de setembro de 2011
Local Livraria da Vila - Rua Dr. Mário Ferraz 414 - Itaim - São Paulo
Horário das 19 às 22h
Venha comemorar conosco!

sexta-feira, setembro 23, 2011

TRAGÉDIA NA SALA DE AULA - O CASO DO MENINO DE S. CAETANO

Tragédias como essa do menino de 10 anos, que atirou na professora na sala de aula e depois se matou, Jorge Forbes chama de crimes inusitados, e acontecem cada vez com mais frequência. São fenômenos próprios da era pós-moderna? É possível prevenir? Como lidar com isso?

Jorge Forbes analisa o caso em entrevista para a o jornal da TV Gazeta. Confira:

domingo, setembro 18, 2011

UM CONTO CHINÊS

Assisti o último filme argentino que entrou em cartaz agora em setembro nos cinemas paulistanos. Adorei! É imperdível!!!

O cinema argentino tem produzido filmes muito bons com ótimos atores. Esta produção de 2011 dirigida por Sebastián Borensztein, com Ricardo Darín, Muriel Santa Ana, Ignacio Huang é mais uma prova disso - você vai se divertir com o humor fino e inteligente, se deliciar com a história e seus atores.

A questão que o personagem principal persegue (Roberto - estrelado por Ricardo Darin) é que a vida não tem sentido. Prova isso colecionando histórias absurdas publicadas nos jornais de todo o mundo. O encontro com um chinês (Inácio Huang) e a convivência entre os dois sem se compreenderem - um não fala a língua do outro - fez com que encontrassem algo em comum. E o que parecia tão sem sentido no começo do filme acaba sendo uma boa saída para ambos.

Confira o trailer:

sexta-feira, setembro 16, 2011

ZAZ


Um amigo me falou dessa cantora - revelação da música francesa. Ele disse que logo ouviremos falar muito dela por aqui também. Mandou-me um vídeo do YouTube gravado nas ruas de Paris, com a canção JE VEUX. Adorei!

Confira:


Pesquisei mais sobre ela e achei interpretações incríveis. Veja:





E agora cantando boleros em espanhol. Belíssimo!





sexta-feira, setembro 09, 2011

LACANIANAS

Minha seleção de frases de Lacan:



Eu te amo, mas, porque inexplicavelmente amo em ti algo que é mais do que tu – o objeto a minúsculo, eu te mutilo. (Lacan: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise, p.254)


Mais frases do livro: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise (sem XI)


Sobre a histeria:



À análise não cabe encontrar, num caso, o traço diferencial da teoria e querer explicar, com ele, porque sua filha é muda – pois o que se trata é fazê-la falar, e este efeito procede de um tipo de intervenção que não tem nada a ver com a referência ao traço diferencial.


O sintoma é, de começo, o mutismo do sujeito suposto falante. Se ele fala, está curado de seu mutismo, evidentemente. Mas isso não nos dá de modo algum porque ele começou a falar. Isto nos designa apenas um traço diferencial que, no caso da menina muda, é, como era de se esperar, o da histérica.


O traço diferencial da histérica é precisamente este – é no movimento mesmo de falar que a histérica constitui seu desejo. De modo que não é de espantar que tenha sido por esta porta que Freud entrou no que eram, na realidade, as relações do desejo com a linguagem, e que ele tenha descoberto os mecanismos do inconsciente.



Conceitos fundamentais da psicanálise:


Quatro dos termos introduzidos por Freud são os conceitos fundamentais da psicanálise: o inconsciente, a repetição, a transferência e a pulsão.


O Pensamento selvagem está para Claude Lévi-Strauss, assim como para Lacan, o inconsciente é estruturado como uma linguagem.


O estatuto do inconsciente é ético. Freud, em sua sede de verdade, diz: – O que quer que seja, é preciso chegar lá. – porque em alguma parte, esse inconsciente se mostra.



Sobre o Desejo:


O prazer é o que limita o porte do quinhão humano – o princípio do prazer é o princípio da homeostase. O desejo, este encontra seu cerne, sua proporção fixada, seu limite, e é em relação a esse limite que ele se sustenta como tal, franqueando o limiar imposto pelo princípio do prazer.


O desejo do analista não é um desejo puro. É um desejo de obter a diferença absoluta, aquela que intervém quando, confrontado com o significante primordial, o sujeito vem, pela primeira vez, à posição de se assujeitar à ele. Só aí pode surgir a significação de um amor sem limite, porque fora dos limites da lei, somente onde ele pode viver.




O Avesso da psicanálise (sem XVII)


A vida é o conjunto de forças que resiste à morte. (Bichat) – p. 16


O saber, isto é o que faz com que a vida se detenha em um certo limite em direção ao gozo. (p. 16)


O caminho para a morte nada mais é do que aquilo que se chama gozo. (p. 16)




p. 69:


A felicidade, é preciso dizê-lo, ninguém sabe o que é.


Se acreditamos que em Saint-Just, o que disse ele próprio, a felicidade se tornou desde essa época – a sua – um fator de política.


Não há felicidade a não ser do falo.


Freud escreveu de todas as formas, e mesmo da maneira ingênua que consiste em dizer que nada pode ser comparado ao gozo mais perfeito, que é o do orgasmo masculino.


O que a teoria freudiana mais acentua é que só o falo pode ser feliz – não o portador do dito cujo.



"Amar é dar o que não se tem a alguém que não o quer" .

L'amour, c'est donner ce qu'on n'a pas à quelqu'un qui n'en veut pas. (Lacan: Seminário XII –Problèmes cruciaux pour la psychanalyse ou Les positions subjectives de l'être , aula de 17 de março de 1965)

30 ANOS DA MORTE DE JACQUES LACAN

Jacques Lacan morreu há 30 anos, no dia 9 de setembro de 1981.
Em Paris, uma série de eventos comemorativos estão programados desde agosto e continuarão ainda pelo mês de outubro - incluindo o lançamento de um livro "Vie de Lacan", por Jacques-Alain Miller, o Seminário 19 (… ou pire), a série Lacan Cotidiano, a 41 ème Jornada da Escola da Causa Freudiana, etc. Os twetters e facebook não param de ter publicações sobre Lacan e sobre a agenda de comemorações.

Vou privilegiar aqui dois textos:

O primeiro, escrito por Gilles Lapouge, alguns dias depois de sua morte, em 1981 - publicado no caderno Cultura do Estadão: LACAN

O segundo, escrito por Jorge Forbes, 10 anos após sua morte, em 1991 - também publicado no Estadão: Já que Lacan morreu...

Finalizo com as palavras de Forbes: Já que Lacan morreu, para ser Outro enfim, como uma vez comentou, resta aos analistas fazer dessa memória uma história diferente e demonstrar o lugar da Psicanálise neste nosso mundo. Há muito para ser feito. Estejamos atentos e que haja talento e decisão.

terça-feira, agosto 30, 2011

DE QUEM O PAI GOSTA MAIS?


O amor de um pai é diferente de um filho para outro? Há preferências? Se os pais dizem que amam seus filhos da mesma forma, os filhos contestam: - é mentira! Jorge Forbes analisa a questão nesse texto-homenagem aos pais.

domingo, agosto 21, 2011

ANIVERSÁRIO DO ANDRÉ




André é uma pessoa muito querida. No dia de seu aniversário os amigos e parentes próximos ligam e dizem que estão vindo - é sempre um dia animado.


Neste ano não foi diferente: mamãe e Letícia cuidaram do nhoque. Mamãe fez o bolo de morango e polpotone para o nhoque. André e Harumi cuidaram de quase tudo e fizeram pães deliciosos. André preparou um risoto para os que chegaram mais tarde. Graça comandou a cozinha com as saladas, o churrasco e as sobremesas. Tom brincou com todos os convidados como se fosse o dono da festa. Um sucesso!

A conversa animada, muito calor e alegria. Uma festa! Viva André - nosso chef !!

As fotos estão postadas no Picasa. Clique aqui para ver.


quinta-feira, agosto 11, 2011

VIAGEM ENOGASTRONÔMICA PELO PIEMONTE COM ANDRE GENESINI


Que tal viajar pela Itália na época do tartufo - Alba, Torino e arredores no Piemonte, fazer cursos com grandes chefs, visitar vinículas e provar dos vinhos aí produzidos, conhecer a história dos lugares .... IMPERDÍVEL !!!!

Viaje nessa idéia ! Embarque com esse time!

View more presentations from Andre Genesini

quarta-feira, agosto 10, 2011

VIE DE LACAN

Neste vídeo Jacques-Alain Miller fala sobre a Vida de Lacan - tema de seu seminário deste ano em Paris. Curta!


Spéciale Jacques Lacan por franceculture

quinta-feira, julho 28, 2011

ARENA DI VERONA - VA PENSIERO - JULIAN KOVATCHEV



A noite de 27 de julho de 2011 - Arena di Verona - foi memorável. Nabucco - de Giuseppe Verdi. MARAVILHOSO !!!!!

O dia apresentou umas pancadas de chuva, mas parecia que a cota já tinha se esgotado. Fomos para a Arena, mas, logo no segundo ato começa a chuviscar.


A orquestra começou a se retirar, pois os instrumentos podem ser danificados pela chuva - tivemos um primeiro intervalo com a torcida de milhares de espectadores para a chuva parar.

O vento deslocou a chuva e a ópera recomeçou. Mas, não por muito tempo - e assim foi - desde o início às 21:15h, pontualmente, até quase 2h da madrugada, quando saímos maravilhados daquele lugar.

Um momento de muita emoção: O povo começou a cantar a ária Va Pensiero num desses intervalos com a chuva maltratando a platéira, "ola", palmas, tudo o mais para não deixar a alegria ir embora e incentivar os artistas a voltarem.


O maestro Julian Kovatchev foi incansável. Era uma alegria vê-lo saindo e entrando em cena com seu lindo sorriso e comandando a orquestra de corpo e alma. No final do último intervalo, com medo que a chuva nos maltratasse mais, foram direto para a cena dos escravos cantando em coro a música tão esperada. Pedimos bis e num silêncio estonteante todos se emocionaram e vibraram novamente com Va Pensiero - quase um hino italiano.


Veja aqui um vídeo dessa interpretação, que Julian publicou no facebook



Depois dessa epopéia, um jantar na praça em frente à Arena. Uma delícia a sensação dessa noite - para coroar, uma troca de palavras com Julian. Seria possível sua vinda ao Brasil? Por que não?

Para quem ainda não foi ver: A temporada de ópera vai até 3 de setembro. Vale a pena ir !


Uma dica de um hotel muito legal, com bom preço e ótima localização, ao lado da Arena, é o Hotel Giulieta e Romeo. É a segunda vez que me hospedo lá e a satisfação é cada vez maior.


Veja algumas fotos dessa ópera no site da Arena: clique aqui.


Que belo programa!

segunda-feira, julho 25, 2011

ANISH KAPOOR - MILÃO 2011




Há duas exposições de Anish Kapoor em Milão: My red homeland - na Rotonda di via Besana (31 de maio a 9 de outubro de 2011) e Dirty Corner - na Fabrica del Vapore (31 de maio 2011 a 8 de janeiro de 2012).



Ver essas exposições foi um dos motivos que me trouxe a Milão nesse verão europeu.

A exposição da Rotonda de Via Besana impressiona pelo vermelho - a cor que tem uma profunda escuridão interior - diz Kapoor numa entrevista. No grande salão da Rotonda, cercam a obra principal esculturas de espelhos que nos fazem colocar em cheque nossa visão, nossas certezas. As reações são as mais diversas - eu ria muito e pensava em como as fantasias podem emergir e mudar tudo em nós.

A exposição da Fabrica del Vapore é composta por uma peça única - Dirty Corner - um túnel com uma abertura imensa que vai afunilando no seu interior cada vez mais escuro e empoeirado - abertura de 3 metros de diâmetro, embocadura de 7 metros e 57 metros de comprimento. A sensação é muito estranha - penetrar esse vazio e sentir o silêncio. Chega a lembrar a experiência analítica - uma experiência singular.

Kapoor considera essa obra masculina (a forma fálica) e feminina (a embocadura similar a uma vagina e o interior como um útero). Ele nos mostra os pares de opostos: vazio/cheio, escuridão/luz, masculino/feminino, positivo/negativo, material/imaterial.

No final há uma sala com apresentação de um vídeo de 22 minutos com Kapoor falando do seu trabalho, da sua busca, da experiência que quer propor com sua arte. Gostei tanto que vi duas vezes seguidas. Ele fala da experiência do abismo em sua obra - não aquele da nossa vida externa que não conhecemos, mas aquele que conhecemos da nossa vida interna. Ele se interessa por mostrar sempre o momento. Fala da fantasia que se refletem nos objetos, mas que não são objetos e continua na busca de encontrar alguma coisa super sensual.






















Vale a pena conferir. Ainda há tempo: programe-se!

Nesse vídeo podemos ver algumas peças que estavam na Rotonda:

sábado, julho 23, 2011

AMY WINEHOUSE - WILL YOU STILL LOVE ME TOMORROW

Amy Whinehouse testou todos os limites - a morte venceu, como só podia ser.

Para lembrar dela: Will you still love me tomorrow

quarta-feira, julho 20, 2011

VALTER HUGO MÂE - NAS ENTRELINHAS


Nesta entrevista para o programa "Entrelinhas", valter hugo mãe fala sobre seus livros, lê trechos dos dois livros que lançou na FLIP e termina com uma tomada de sua fala na mesa da FLIP.

Adorei esse trecho do final do vídeo:

Os livros não são autobiografias na partida, mas são autobiográficos na chegada. Antes são sempre histórias sobre os outros, mas depois são sempre histórias nossas. São sempre experiências nossas e uma oficina de amadurecimento nosso. Por isso, aquilo que eu escrevi, aquilo que eu contei, já sou eu também.

Confira neste vídeo do youtube:

segunda-feira, julho 18, 2011

ARENA DI VERONA - NABUCCO


A temporada de ópera Arena di Verona está em pleno vapor. Vou assistir Nabucco nessa temporada, que homenajeia Verdi - considerado um dos maiores compositores de ópera de Milão.

Verdi estreou essa ópera no Teatro alla Scala de Milano, a 9 Março 1842 - um enorme sucesso!

A linda área Va Pensiero, cantada pelo coro dos escravos, é uma das mais conhecidas no mundo da ópera, aqui interpretada por Pavarotti e Zucchero.

Boa viagem !!!

quarta-feira, julho 13, 2011

O MELHOR DA FLIP 2011


Ir à FLIP é um programa que não dispenso - faz parte do meu calendário. Mesmo que seja para dizer - não gostei! Mas, eu sempre gosto!

A cidade de Paraty é o cenário ideal para essa festa literária - todos caminhando na rua principal e cruzando a ponte rumo à tenda dos autores. Milhares de pessoas discutindo as palestras, os pontos de vista, os livros lançados pelos autores convidados, muitos eventos paralelos, restaurantes deliciosos e bons shows de música. Para mim nada melhor que Maria Marta - a cantora nascida em Campos do Jordão - que canta no Café Margarida, uma das melhores intérpretes de Paulo Vanzolini.

Como disse Jorge Forbes em suas Flipídicas: A Flip é como Ipanema, tem suas musas renováveis a cada ano.

P
orém, eu tenho os meus preferidos de cada ano e por isso, aqui vai minha lista dos melhores da FLIP 2011:

Zé Miguel Wisnik, Celso Sim e Elza Soares - o melhor show de abertura de todas as Flips.

legal o pout-pourri do show seguido por depoimento de valter hugo mãe neste vídeo:



valter hugo mãe (em minúsculas, como ele prefere) - foi o ponto alto da FLIP.

Sensível, carismático, soube seduzir e emocionar a platéia - chorei e ri ao mesmo tempo. Foi ovacionado por todos e sua mesa comentada durante toda a semana. Algumas frases dele:

O momento de escrever é o momento da salvação - é sempre o melhor tempo do meu tempo.

A presença de Pessoa é tão grande que nos emudece e nos responsabiliza.

Os livros são máquinas de criar sentimentos, como quadros de fantasmas vivos.

E o momento mais emocionante, quando leu uma carta aos brasileiros. Veja no Youtube:




Gonzalo Aguilar - um argentino que falou com muita propriedade sobre o modernismo, em especial sobre Oswald e o movimento antropofagista.

Comparou o quadro de Tarsila do amaral - ABAPORU com a escultura de Rodin - O PENSADOR.

Enquanto no Pensador, de Rodin, o forte é a cabeça; no Abaporu, de Tarsila, o forte é o pé - um ponto de confluência com Lacan, que privilegiava os pés, o fazer, para depois teorizar.

Frases de Gonzalo:

O que define o homem ocidental é a vergonha.

O presente é que vai inventar o passado.

Ao referir-se à frase de Oswald: "tupi or not tupi - that is the question" diz: A questão é ser ou não ser índio, assumir ou não o primitivo - não o primitivo do passado, ms o atual, essa idéia da imanência.

Luiz Felipe Pondé - brilhou ao debater com o cientista Miguel Nicolélis, que se sente maior que Deus ao querer fazer do homem um superhomem. Pondé nomeou essa tentativa de Nicolélis de eugenia.

Frases de Pondé:

A idéia que a gente vai construir um lugar que não existe, melhor do que aqui, além do humano, é um escândalo (citando Platão).

O sofrimento te encontra; a vida humana é a tentativa de escapar dele, do sofrimento.

A fronteira entre ciência e religião nunca foi distante. Ciência e religião sempre se cruzam.

A ciência é uma esperança: se Deus fracassou, o homem vencerá.

Enrique Krauze - que junto com Octávio Paz, no México, criaram a revista literária Vuelta, uma de minhas leituras preferidas quando vivia lá. Paz morreu em 1998 e desde então Krauze fundou a revista Letras Livres. Ao todo são 36 anos vivendo ao "calor do momento" servindo à democracia e à paixão pela literatura.

Claude Lanzmann - o amante de Simone de Beauvoir e personagem de uma rica história de vida foi motivo de polêmica na FLIP. Falou sobre Shoah, o filme de 9 horas que fez sobre Israel e das artimanhas para driblar os patrocinadores que queriam que ele fizesse em 2 anos um filme de 2 horas - que no final levou 9 anos com duração de 9 horas. " Eu tinha que inventar o tempo todo meios para convencer as testemunhas - isso demora muito tempo." O entrevistador, ávido por mostrar que tinha grande conhecimento da sua vida e de sua obra não deixava que o autor falasse do livro de memórias que estava lançando na FLIP - A lebre da Patagônia. Lanzmann perdeu a calma e chegou a falar ríspido com o moço: se não fossem falar do livro ele se levantaria e iria embora. Um ranzinza de carteirinha, mas delicioso!

Suas frases:

O tempo para mim nunca cessou de nunca passar.

Shoah é um filme sobre a radicalidade da morte nas câmaras de gás em campos de extermínio.

O tempo nos obriga a esquecer tudo, mas é preciso lutar.

Joe Sacco - escreve livros em forma de HQ (histórias em quadrinho). Ele diz que embora escreva sobre a guerra está interessado nos civis, em como eles sobrevivem. Está interessado em saber como as vidas das pessoas são afetadas pela guerra, pois muitas perdem suas casas, os filhos não podem frequentar escolas - são os civis que morrem nas guerras. Mas, o humor está sempre presente, diz, nem que seja o humor negro. As pessoas usam o humor para aliviar a tensão, o que não quer dizer que não seja difícil, que não fiquem deprimidas.


Frases de Joe Sacco:

A memória, muitas vezes, é a única forma de se construir a história.

As pessoas inventam suas memórias; mas você pode descobrir coisas nas entrelinhas.

O jornalismo americano é obcecado pela objetividade.

Poder escrever de uma forma muito envolvente, sobre questões sérias, é o que me atraiu em George Orwell.

David Byrne - o músico do Talking Heads que começou a usar bicicleta como meio de transporte desde os anos 80 em New York e depois virou escritor.

Não gostei da sua palestra, mas adorei os trechos de filmes famosos com cenas de bicicleta que ele apresentou no início de sua palestra. Alguns dos quais reconheci: Cinema Paradiso, Mágico de Oz, A vida é bela, Noviça Rebelde, ET.

Comprei seu livro (Diários de bicicleta) e espero que seja legal - ainda não li.

Os livros que comprei na FLIP deste ano:
  • Os redentores - idéias e poder na América Latina (Enrique Krauze)

  • Os três mosqueteiros (Alexandre Dumas)

  • Os melhores jovens escritores em espanhol (Granta)

  • Dália negra (James Ellroy)

  • Diários de bicicleta (David Byrne)

  • Notas sobre Gaza (Joe Sacco)

  • A lebre da Patagônia (Claude Lanzmann)

  • Shoah (Claude Lanzmann)

  • A máquina de fazer espanhóis (valter hugo mãe)

  • O remorso de baltazar serapião (valter hugo mãe)

Já estou com saudades dessa FLIP. Mas a de 2012 deverá ser memorável - basta ver quem será o homenageado: Carlos Drummond de Andrade. Viva a FLIP !


MINHA GALERIA DE FOTOS - FLIP 2011
















quinta-feira, julho 07, 2011

FLIP 2011

Paraty está em festa!

Começou a 9ª edição da Festa Literária de Paraty - FLIP 2011.

Esta é a vista do complexo da FLIP que agora está concentrada na mesma margem: tenda dos autores, tenda do telão, café, livraria, estands dos parceiros - ficou muito boa essa arquitetura.

São 36 autores convidados e muitas atividades - pois além da FLIP tem a FLIPINHA e a FLIPZONA - tudo coordenado pela Casa Azul.

O almoço com os autores e parceiros é um dos pontos altos da FLIP.

Sempre no dia da abertura, às 14h - desta vez foi no jardim da linda casa de Marina Massi - ela e seu marido, ótimos anfitriões - um congraçamento entre organizadores, parceiros, autores e convidados.

A mesa de doces estava de dar água na boca!

Adorei encontrar Enrique Krauze - escritor que criou junto com Octavio Paz, no México (uma boa lembrança de quando morei lá) a revista literária Vuelta. Conversamos e tiramos uma foto pra matar as saudades:






























A conferência de abertura em homenagem a Oswald de Andrade foi feita a 4 mãos por Antonio Cândido e José Miguel Wisnik.

Antonio Cândido preferiu falar do amigo Oswald de Andrade - " sou o único amigo dele ainda vivo". Contou de como se conheceram e algumas passagens divertidas como quando Oswald lhe disse: “Eu ataquei você com violência e você não perdeu a serenidade. Proponho que sejamos amigos. Daqui em diante você pode falar o que quiser de mim”. Falou da amizade de Oswald por Mário de Andrade, das suas brigas e do que Oswald lhe disse sobre Macunaíma: "é a maior obra literária do modernismo - o livro que eu queria ter escrito".

Para Cândido, o jornalismo de Oswald era tão importante quanto sua poesia e sua literatura; mostrava de maneira brilhante tudo o que ele via. Porém, cita, há um único artigo importante sobre Oswald de Andrade, escrito por Mário de Andrade. Conta que Oswald era um amante da literatura e que depois de uma briga que tiveram ele escreveu "Reconciliei-me com Antonio Cândido" - porque achou que Cãndido tinha escrito um artigo interessante. Oswald era explosivo - brigava e desbrigava.

Oswald era um inconformado com a burguesia - por exemplo, não se conformava com o fato da sociedade ser baseada em padrões masculinos - era uma pessoa de vanguarda para seu tempo. Foi rico, pobre, anarquista literário, boêmio, stalinista (depois brigou com o partido). Ele soube usar a arma do riso: nada resiste ao riso - foi a grande arma do modernismo brasileiro. Oswald mostrou que a literatura séria pode ter riso e leveza.



















Wisnik falou de Oswald do ponto de vista do aluno de Antonio Candido - de uma forma mais acadêmica. Relacionou o movimento antropofágico com o tropicalismo - leu trechos de Verdade Tropical, de Caetano Veloso, - e com o teatro - lembrou a montagem do Rei da Vela por José Celso Martinez.

José Miguel Wisnik definiu Antropofagia como um critério seletivo de leitura o qual faz com que o leitor se desloque em relação à alteridade. A lei do homem antropofágico: "só me interessa o que não é meu".

Ao final Wisnik fez uma leitura de um trecho de “Serafim Ponte Grande” e lembrou que ele traz no lugar que em geral faz menção aos direitos autorais a frase “Direito de ser traduzido, reproduzido e deformado em todas as línguas” - que vai na contramão da política daquela época e também, incrivelmente, da atual.

Depois da conferência o show de abertura na tenda do telão!

O Show de José Miguel Wisnik + Celso Sim e ao final com Elza Soares foi o melhor show de todas as Flips !

As músicas de Wisnik sobre textos de Oswald fizeram o público cantar junto, se deliciar. Teve Lamartine Babo, Jorge Mautner, Cazuza - um carnaval antropofágico.

Depois da entrada da diva Elza Soares, que veio mesmo depois de sofrer uma cirurgia de coluna há um mês, o público foi ao delírio. Aplaudia de pé todas as canções, cantava junto e gritava palavras de amor â musa, que ficou emocionada.

Um grande começo desta FLIP2011!