Neste ano comemoramos o centenário de Adoniran Barbosa, nascido João Rubinato em Valinhos - SP no dia 6 de agosto de 1910.
Seus sambas são uma referência do samba paulistano e imortalizaram o Bexiga, seu bairro em São Paulo, um reduto do samba de sua época. Foram interpretados por Elis Regina, João Gilberto, Gal Costa, entre outros.
Até hoje suas músicas são cantados pelos Demônios da Garoa no Bar Brahma, na esquina das avenidas Ipiranga e São João, aqui em São Paulo.
Faço uma seleção para você cantar comigo:
sexta-feira, abril 09, 2010
ADONIRAN BARBOSA
segunda-feira, abril 05, 2010
domingo, abril 04, 2010
A PSICANÁLISE NA ALCOVA


À margem da literatura oficial, sempre houve, na França, uma literatura devassa. Ela não deixa no entanto de ser a expressão de sua época: espaço da expressão popular galhofeira nos fabliaux medievais, ou consciente do seu poder subversivo, como os escritos libertinos do século XVIII – essa literatura explora temas narrativos relativamente constantes. Assim as Jóias indiscretas(1) de Denis Diderot (1748) retoma o argumento do fabliau medieval “O cavaleiro que fazia as bocetas falarem” (2) : um homem recebe o dom – no caso por intermédio de um anel mágico – que lhe permite ouvir em voz alta as revelações indiscretas da “ boca de baixo” – as “jóias” – à revelia de suas donas.
Através do artifício romanesco, Diderot vai tratar, num distanciamento irônico, muitos dos temas sérios que agitam o debate intelectual de seu tempo. Entre outros temas abordados, um que nos interessa diretamente, tratado no capítulo 18 do livro, é a invenção de uma solução ao desencontro amoroso, à desarmonia da relação entre homem e mulher: tema particularmente sensível para psicanalistas lacanianos que sabem que a condição humana é exatamente marcada pela não existência da relação sexual.
Dois colegas, Teresa Genesini e Jaci Palma leram as Jóias indiscretas e tecem seus comentários particularmente a respeito dessa “solução” que assombra todas as utopias (3) ...
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(1) Jóias Indiscretas, Denis Diderot, Editora Global, Rio de Janeiro, 1986, Trad. E. Brandão.
(2) “O cavaleiro que fazia as bocetas falarem” in O Livro dos Amores, Henri Gougaud, Martins Fontes 2001, trad. Márcia Aguiar
(3) Ver o tratamento dado à sexualidade na República de Platão, na Cidade do Sol de Campanella, na Utopia de More, ou ainda no Novo Mundo Amoroso de Fourier, entre outras.
sábado, março 27, 2010
PARA MINHA FILHA LETÍCIA
Hoje é aniversário de Letícia, que nasceu há 23 anos. Seu nome foi escolhido muito antes de seu nascimento - era o nome da personagem Letícia do filme Os Aventureiros. Genesini e eu adoramos a música e guardamos o nome para nossa futura filha.
É para ela esse vídeo do filme com a música Letícia.
Música Letícia (Laëtitia) tema do Filme Les Aventuriers, de 1967, composta por François de Roubaix, cantada por Alain Delon.
Laetitia je ne savais pas
Que tu etais tout pour moi
Un oiseau chantait tout pri¨s de moi
Mais je ne l'entendais pas
Et tu vivais innocente, ephemi¨re
Tu habillais nos printemps de chimi¨re
Laetitia je ne savais pas
Que la vie n'est rien sans toi
L'oiseau fragile un jour s'est abattu
La mort ne l'a pas rendu
Et tu reposes dans le bleu de la mer
Toi qui colorais de bleu nos chimi¨res
Un oiseau chantait pri¨s de moi
Jamais il ne reviendra
Laetitia, non je ne savais pas
J'etais amoureux de toi!
Parabéns Letícia !!!
quarta-feira, março 24, 2010
GUTO LACAZ LANÇA LIVRO: OMEMHOBJETO

Guto lançou mais um livro hoje: OMEMHOBJETO - uma retrospectiva de 30 anos de sua arte.
O livro é lindo !
Traz preferencialmente fotos de suas performances, das suas instalações e de suas esculturas.
O lançamento foi no Museu da Casa Brasileira com aquele belo jardim onde a gente pode se deliciar sentada num banco folheando o livro.
Abraçar o amigo querido foi ainda mais gostoso !



Veja algumas fotos do livro clicando em: link para imagens do livro pelo site uol
domingo, março 21, 2010
PAULINHO DA VIOLA - SHOW ACÚSTICO MTV

Paulinho é um dos meus cantores e compositores preferidos. Adoro seus sambas delicados, suas letras poéticas - um poeta do samba como costumo chamá-lo.
Um show de Paulinho da Viola em São Paulo é um acontecimento imperdível !
Paulinho estava cercado de sua banda, formada por João Rabello (violão), Dininho Silva (baixo), Celsinho Silva (pandeiro), Mário Sève (sopros), Gabriel Geszti (piano), Marcos Esguleba (percussão), Hércules Nunes (bateria) e Cristina Buarque, Muiza Adnet e Beatriz Faria no coro.
As músicas desse show: Ainda mais (parceria com Eduardo Gudin em que Paulinho demorou 10 anos para fazer a letra), Argumento, Cenários (samba-enredo da Unidos de Jacarepaguá - a primeira escola de samba onde Paulinho desfilou), Canção Para Maria (Maria, Mariô - a primeira parceria com Capinam), Coisas do mundo minha nega (a canção preferido por Paulinho), Coração leviano, Coração imprudente, Dança da Solidão, Foi Um Rio Que Passou Em Minha Vida, Nervos de Aço (em minha opinião Paulinho é o melhor intérprete dessa música), Nova ilusão, Onde a Dor Não Tem Razão, Pecado Capital, Por Um Amor no Recife, Sinal Fechado, Talismã (parceria com Arnaldo Antunes e Marisa Monte que demoraram só 3 dias para fazer a letra) e Timoneiro. Terminou o show com "Eu canto samba". O público não deixava Paulinho sair do palco e ele fez 3 bis.
Grande show !!!
Viaje agora com a seleção que fiz aqui:
Para finalizar, a bela interpretação de Carinhoso por Marisa Monte e Paulinho da Viola, que está no DVD Meu tempo é hoje, de Paulinho da Viola.
quarta-feira, março 17, 2010
EMOÇÕES SERTANEJAS COM ROBERTO CARLOS


Hoje, quarta-feira, 17 de março, foi a vez dos sertanejos homenagearem em São Paulo o Rei Roberto Carlos por seus 50 anos de carreira.
Destaco aqueles que para mim foram os pontos altos do show:
Dominguinhos com seu acordeon canta Caminhoneiro e emociona a platéia: vou correndo ao encontro dela, coração tá disparado ... E o povo pede bis. Esse show tem um clima de magia - é a energia do Rei. Paula Fernandes no violão, Dominguinhos no acordeon - os dois muito aplaudidos.
Victor e Leo levam a platéia ao delírio. São a dupla sertaneja mais esperada. Interpretam Jesus Cristo em ritmo de rock, inédito. Incrível ! O povo cantou de pé.
Todos cantam com Zezé di Camargo e Luciano: eu voltei, agora pra ficar, porque aqui é o meu lugar... Super aplaudidos. Bravo !
Eu não posso mais ficar aqui a esperar que um dia de repente você volte para mim ... cantam Rio Negro e Solimóes acompanhados da platéia.
Eu preciso de você, eu não vivo sem você - cantam Chitãozinho e Xororó. E Leonardo volta ao palco para cantar com eles É preciso saber viver ...
Chitão e Xororó chamam Roberto e se abraçam - momento amizade / emoção ! O rei super aplaudido canta com 9 mil pessoas: Como é grande o meu amor por você. Que lindo !!!
O espetáculo ‘Emoções sertanejas’ terminou com Roberto Carlos cantando ‘Eu quero apenas (um milhão de amigos)’com Zezé di Camargo & Luciano, Chitãozinho & Xororó, Bruno & Marrone, Victor & Léo, Sérgio Reis, Almir Sater, César Menotti & Fabiano, Daniel, Dominguinhos, Elba Ramalho, Gian & Giovani, Leonardo, Martinha, Milionário & José Rico, Nalva Aguiar, Paula Fernandes, Rio Negro & Solimões e Roberta Miranda.
O show , que teve ainda homenagem ao cantor Tinoco (da dupla Tonico & Tinoco), se transformará em CD e DVD. E eu estava lá !!!
terça-feira, março 16, 2010
PAULINHO DA VIOLA & PAULO VANZOLINI
Hoje a TV Cultura apresenta um programa sobre Paulinho da Viola e Paulo Vanzolini com outros intérpretes - antigos e novos. Monarco,Mariana Aydar, Adréia Dias, Maria Marta, Mônica Samasso, Eduardo Gudin.
Pena não ter encontrado nenhum vídeo de Maria Marta. Ela canta Boca da Noite no documentário sobre Paulo Vanzolini - Um homem de mral - uma de suas melhores intérpretes. Mas você pode ouvi-la no Bar Margarida em Paraty.
Sempre gostei muito de Paulo Vanzolini, ia há muito tempo atrás no Terceiro Wisky onde Adauto Santos, Ana Bernardo e outros. Paulinho da Viola tambémé uma paixão antiga. Ah esses Paulos ...
Viaje com as músicas dos dois Paulos:
domingo, março 14, 2010
BICENTENÁRIO DE CHOPIN COM NELSON FREIRE

Como definir a sensação de ouvir o piano de Nelson Freire tocando o Concerto n.2 de Chopin ? - magia ? não sei - só sei que foi uma noite inesquecível.
Nelson Freire abriu o Festival do Bicentenário de Frederic Chopin, com a Filamônica de São Paulo, na Sala São Paulo, neste sábado, 14 de março.
Numa entrevista ao jornal OESP Nelson confessou sua preferência por essa peça - Concerto n.2 para piano e orquestra de Chopin - desde que ouviu a leitura pelas mãos de Guiomar Novaes: foi paixão à primeira audição, disse ele. A partir de então esse concerto ocupa um lugar especial em sua carreira e em su vida. Dá para imaginar agora a maravilha que foi esse concerto !
Ao final foi o lançamento do seu CD dedicado aos Noturnos de Chopin - aproveitei e peguei o meu autógrafo.
Bravo !
sábado, março 13, 2010
OUVINDO NELSON FREIRE
quinta-feira, março 11, 2010
CONVERSANDO É QUE A GENTE NÃO SE ENTENDE
Jorge Forbes fez uma conferência nesta semana com o título CONVERSANDO É QUE A GENTE NÃO SE ENTENDE.JF partiu do pressuposto que diferentemente das abelhas, por exemplo, que se entendm perfeitamente, como as formigas e outros animais, a raça humana absolutamente não se entende.
Craig Venter, no livro UMA VIDA DECODIFICADA, tira a esperança que um dia a gente vá se entender, diz JF.
E cita ainda Saussure, que nos mostra que a nossa linguagem é arbitrária, ou seja, a linguagem não consegue captar a essência que ela quer representar.
Forbes vai desenvolvendo seu raciocínio de uma forma clara e de uma beleza tal, que toca a platéia. Fiquei emocionada em vários momentos.
Selecionei uma série de frases / pensamentos de JF:
Porque a falha existe é que a gente pode inventar e continuar tentando.
Gritar, espernear, chorar, são tentativas frustradas de se comunicar.
A linguagem afetiva recorta o mundo de forma diferente, como as expressões dos amantes.
A dúvida é constitutiva do homem. O neurótico duvida; o perverso não duvida.
Os homens tentam tamponar a falha através do discurso.
O universo feminino não tem as mesmas leis que o universo masculino.
Um homem pode deserdar um filho; para uma mulher isso é impossível.
A marca do obsessivo é a impossibilidade; a marca da histérica é insatisfação.
As pessoas dão status de falsidade ao elogio e status de verdade ao insulto.
O erro marca a identidade perdida; por isso aceitamos o insulto e achamos que o elogio não é para nós. O xingamento é algo coletizável.
As pessoas ficam esperando uma boa razão para serem aplaudidas, mas o aplauso é sempre na ausência da razão.
Aceitar o aplauso é suportar o ridículo no qual a fala falha.
A grande dificuldade é suportar a falta de identidade do elogio - quem é elogiado se destaca.
O homem suporta com grande dificuldade o ridículo do amor.
Amantes são aqueles que dividem o mesmo ridículo.
Só há uma solução para o entendimento: suportar o ridículo do amor.
O que uma pessoa ganha numa análise? É isso que o discurso do analista responde: é se curar do insulto, não mais se orientar por ele e suportar o ridículo - suportar o ridículo da falha da fala.
E para finalizar, JF leu uma belíssima carta de Denis Diderot à sua amada Sophie Volland, numa tradução espontânea (acho que é a carta que tem o final mais lindo que já vi):
Escrevo sem ver. Eu estive aqui. Queria só te dar um beijo na mão e ir embora. E, no entanto, voltarei sem essa recompensa. Mas será que eu não estaria absolutamente recompensado, bastando te mostrar o quanto eu te amo. São nove horas. Eu escrevo que te amo, ao menos eu quero escrever isso para você; mas não sei se a caneta se presta ao meu desejo. Será que você não vai aparecer para que ao menos eu possa te dizer isso e depois ir embora rápido. Adeus minha Sophie, boa noite. Teu coração não está te dizendo que eu estou aqui. Taí, a primeira vez que escrevo nesta escuridão total. Esta situação deveria me inspirar muitas coisas ternas. Eu só sinto uma, é que eu não quero ir embora. A esperança de te ver um instante me retém, e eu continuo falando com você sem saber se estou escrevendo. Em todos os lugares onde não houver nada, leia eu te amo.
Final. Aplausos, muitos aplausos !!!!!!!!!
O texto original, em francês e a tradução literária dessa carta, por Alain Mouzat, está publicada no site de Jorge Forbes - clique aqui para acessar.
quarta-feira, março 10, 2010
FLASHES DE ALAIN GROSRICHARD NO IPLA

O AVESSO DA PSICANÁLISE - OS QUATRO DISCURSOS DE JACQUES LACAN EM QUATRO CONFERÊNCIAS NO IPLA -
5 a 7 de março - um primor de curso !


O Avesso da Psicanálise de Jacques Lacan, em quatro conferências de Alain Grosrichard, no IPLA, em São Paulo.
Minhas impressões sobre o curso
O toque do analista: não uma interpretação, mas uma injeção
Escrevo este resumo sob o impacto do que foram essas quatro conferências de Alain Grosrichard no IPLA (de 5 a 7 de março). Grosrichard havia anunciado que suas conferências teriam como tema O avesso e suas surpresas – e mesmo anunciado, esse encontro nos surpreendeu a ponto de tocar o Corpo de Formação em Psicanálise do IPLA.
Para ser tocado não é preciso compreender – a compreensão é especular – nos fala Alain. Para ele, o leitor tem que colocar no texto algo de si e encontrar uma parte perdida de si mesmo no texto. Ele nos propõe uma viagem pelo seminário XVII através de suas lentes, de uma parte do seu saber universitário, que é sua forma de gozo. E convida para essa viagem conosco as referências de Lacan: Diderot, Sade, Rousseau, Rimbaud, Hegel, Aristóteles, Descartes, Platão, Kant, Voltaire, Foucault, Spinoza, etc. Impossível ler Lacan sem buscar suas referências !
Os deslocamentos como locais de enunciação
Grosrichard lembra os deslocamentos de Lacan, que determinam seus discursos:
• Hospital Sainte-Anne – fala aos médicos – de 1954 a 1963
• École Normale Supérieure – fala aos filósofos – de 1964 a 1969
• Faculdade de Direito – de 1969 a 1981 onde o Seminário começa a ser ministrado para toda a opinião esclarecida.
Quando inicia o Seminário XVII – O Avesso da Psicanálise – Lacan está em seu terceiro deslocamento. Sob o impacto de maio de 68 e de sua saída da Rue d´Ulm decide fazer uma releitura da obra de Freud pelo avesso, um projeto anunciado em 1966 no texto De Nossos Antecedentes, publicado nos Escritos.
Como numa mágica Alain nos transporta para as escadas do Panteão e para o Bosque de Vincennes onde Lacan fala aos universitários. Lá encontramos Diderot, Rousseau e o Marquês de Sade. Com eles descobrimos que os desenvolvimentos das ciências e das artes só nos aprisionaram dando-nos a ilusão de nos libertar; que o conhecimento aumenta a cegueira humana, pois no fundo somos cegos frente ao Real e tapamos o buraco com um saber; que o verdadeiro cego pode nos tirar dessa ilusão imaginária fazendo com que nos confrontemos com esse Real insuportável; que a verdade é um encontro que se revela através de um lapso.
As quatro patas dos discursos
Lacan fala de sua teoria dos discursos – uma máquina de transformação do gozo – como algo de quatro patas, uma alusão à carta de Voltaire sobre o discurso da desigualdade de Rousseau: “Sente-se vontade de andar de 4 patas quando se lê sua obra.”
Para construir sua teoria, principalmente o discurso do mestre, Lacan se apóia em Hegel, nas relações entre o Mestre e o Escravo. São quatro letras S₁, S₂, $, a, ocupando quatro posições: agente, outro, verdade e produção.
O discurso do mestre é o discurso do inconsciente. O mestre opera sobre S₂, o saber do escravo e produz o objeto a, a causa do desejo ou o mais de gozar, segundo a teoria de Marx.
No discurso da histérica, a partir do fato de ser sujeito barrado, a histérica questiona o mestre colocando-o para trabalhar e produzir um saber.
No discurso do analista, a partir do seu desejo, escondendo seu saber, o analista questiona o sujeito dividido para produzir o significante da sua singularidade.
Discurso da universidade: meu saber, não reconhecendo a dívida que tenho ao saber do mestre interpela o desejo de saber do aluno produzindo o sujeito barrado que fica sempre devendo ao saber.
Ao apresentar sua teoria dos discursos aos estudantes em Vincennes Lacan diz que a universidade é indestrutível porque é um discurso, embora ache que esse seja o discurso da imbecilidade. Ele os provoca dizendo que o discurso da universidade irá transformá-los em unidades de valor (créditos). Para Lacan, o discurso universitário é uma maneira de apresentar toda a história das idéias.
Para ilustrar a teoria dos discursos Alain Grosrichard utiliza além do Seminário XVII, textos de Freud e de algumas obras magistrais da literatura: Jacques, o fatalista (Diderot); Os 120 dias de Sodoma (Marquês de Sade); O adormecido do vale (poema de Rimbaud); O sobrinho de Rameau (Diderot); Carta à Sophie Volland de 15/10/1759 (Diderot); As jóias indiscretas (Diderot); As confissões (Rousseau).
Sade e a economia do gozo
O Sujeito barrado vai se identificar ao significante que o marca, ao seu traço unário. Grosrichard cita o texto de Freud “Bate-se numa criança” – a criança é espancada pelo pai que lhe deixa uma marca, um gozo masoquista, um gozo original que se constitui na sua singularidade. A repetição busca sempre o reencontro com esse gozo original perdido. O fantasma é o que permite que se goze o necessário sem correr o risco de morte, pois a morte é o limite do gozo. O que interessa a Lacan é essa verdade que se esconde através dessa marca no corpo, a marca da palmada que a criança recebe do pai, essa verdade que é irmã do gozo, nos afirma Grosrichard.
Lacan fala desse traço unário, a mão da mãe que bate – essa repetição jamais resultará na satisfação e para ilustrar essa afirmação Grosrichard nos fala de uma passagem das Confissões de Rousseau.
O movimento do desejo é um movimento sem fim. Não há um gozo plenamente satisfatório para o sujeito, o parlêtre, porque não há relação sexual; isto é, nenhum parlêtre pode encontrar um objeto que o satisfaça plenamente.
Não ha relação sexual, mas há amor. O amor é o que vem suprir essa ausência, o que faz com que mesmo assim acreditemos na relação sexual.
A Vergonha e a Honra
Lacan termina seu seminário XVII falando da vergonha. Há uma vergonha original misturada à culpa. O ponto de origem da vergonha é um significante. Trata-se da vergonha fundamental, relacionada à marca que se fez (ou não) na pele de cada um. Quando o sujeito evoca seu fantasma, ele nunca o faz sem vergonha, diz Grosrichard.
“Morrer de vergonha é um efeito raramente conseguido”. Sempre se tem vergonha de se falar sobre as fantasias, mas, do sintoma não temos vergonha. Rousseau, ao escrever suas Confissões ousa expor sua própria vergonha aos olhos do leitor e faz de sua vergonha a sua glória. Diz ele: “... a minha vergonha sou eu mesmo na minha singularidade absoluta. Vou mostrar a vocês minha marca de gozo: meu valor absoluto é ser outro”.
Grosrichard conclui sua conferência com uma citação de Spinoza que Lacan em epígrafe em sua tese: “Uma afecção qualquer de cada individuo difere da afecção de um outro individuo, tanto quanto a essência de um difere da essência do outro.”
O efeito produzido por essas conferências não é algo que possa ser compreendido nem interpretado – são como os sulcos que se formam nas pedras pela passagem das águas no fundo do rio. O silêncio se faz necessário – uma pausa de mil compassos.
Um primor de curso !!!
Leia as 4 impressções sobre um primor de curso, clicando aqui.
domingo, fevereiro 28, 2010
UM PRIMOR DE CURSO - ALAIN GROSRICHARD NO IPLA

O INSTITUTO DA PSICANÁLISE LACANIANA APRESENTA
O Avesso da Psicanálise de Jacques Lacan, em quatro conferências de Alain Grosrichard, no IPLA, em São Paulo.
Datas e horas:
• sexta-feira, 5 de março, 20h15 – 22h30
• sábado, 6 de março, 10h15 – 12h30
• sábado, 6 de março, 16h15 – 18h30
• domingo, 7 de março, 10h45 – 13h
O AVESSO E SUAS SURPRESAS
Durante essas quatro sessões, nossa principal referência será o seminário conduzido pelo Doutor Lacan na Faculdade de Direito, em 1969-1970. O lugar (em frente ao Panteão), a data (maio de 68, que ainda paira no ar), sem esquecer o desconcertante título O Avesso da Psicanálise, tudo deixava antever que seria cheio de surpresas. E não nos decepcionamos.
Lacan foi ali construindo, a partir de quatro letrinhas de sua álgebra, quatro figuras de quatro pés representando as únicas quatro maneiras de fazer laço social, em outras palavras, de se inscrever no que ele chamava de discurso, e isso sem mesmo precisar abrir a boca.
Eu que tenho, contudo, o dever de abrir a minha diante de vocês, é necessário que eu me inscreva, ao menos por jogo, no interior de um desses discursos, que são apenas quatro (mais uma variante capitalista um pouco enigmática que Marx nos ajudará a decifrar). Mas qual escolher?
Se eu decidisse não me situar em nenhum, eu me encontraria fora do discurso. Assim, desatado de qualquer laço social, eu ficaria completamente louco. Como vocês não saberiam o que fazer com o meu delírio, excluo essa hipótese.
Nem pensar, também, de me inscrever no discurso da Universidade. Para sustentá-lo, por muito tempo paguei com a minha pessoa, durante minha longa carreira, fazendo-me passar pelo Saber encarnado.
Quanto ao discurso do Mestre, aprecio demais minha liberdade reencontrada para sentir-me à vontade nele.
Mas nem por isso essa liberdade me autoriza a instalar-me diante de vocês no lugar chamado do “mais de gozar”, lugar do Analista no discurso do mesmo nome. Não tendo feito nenhum tipo de passe (confessá-lo-ei para minha vergonha, ou sem vergonha?), eu seria tratado de impostor.
Sobra o discurso da Histérica. Para um sujeito falante qualquer, mulher ou homem, é de longe o discurso mais acolhedor. Ocorre que é também o discurso do filósofo. É o discurso daquele que, tal como Sócrates, não tem medo de por em questão o Mestre, na esperança de fazê-lo produzir um saber do qual uma terceira orelha saberá tirar proveito. Não é exatamente o que vocês estão esperando de mim? Não hesito mais, então. Minha escolha está feita: vou reabrir meu velho Avesso da Psicanálise e questionar Lacan para vocês, desde a posição histérica.
No momento em que redijo essas linhas, ignoro evidentemente quais novas surpresas me reservará essa releitura. Uma coisa é certa: boas ou más, surpresas não faltarão. Além disso, para quem ainda acredita hoje no inconsciente, até as más surpresas sempre têm algo de bom. Por que diabo, então, eu teria medo?
Fica só entre nós, é claro. Em qualquer outro lugar, todo mundo exclamaria que estou assumindo um risco enorme, que eu deveria tremer de medo, tomar mil precauções, reler ao menos Jonas antes de reabrir Lacan. Vocês não. No temor e no tremor em que afundam seus contemporâneos, vocês fazem figura de exceção. Por mais que lhes citem Hobbes, para quem o medo está no fundamento de todo laço social, seu homo homini lupus os faz sorrir. “Basta de medo!” tal é o slogan de vocês, assinado Jorge Forbes.
Eu o deixo assumir corajosamente a responsabilidade. De minha parte, vou me contentar em lhes lembrar o conto de Grimm, que talvez vocês tenham lido na infância.
Era uma vez um menino que não conhecia o medo. Ora, ele desejava muitíssimo saber o que era ter medo. Seu pai, depois o padre, as pessoas caridosas que encontrava, e até mesmo o rei de seu país, bem que tentaram lhe ensinar. Infelizmente, todas as suas tentativas, até as mais terrificantes, se mostraram vãs. Até o dia em que sua jovem esposa (pois nem medo de casar ele tivera) lhe reservou a mais imprevista das surpresas...
Qual? Não adivinharam? Azar de vocês. Agora, vamos ao trabalho!
Alain Grosrichard
Local: auditório do IPLA - Instituto da Psicanálise Lacaniana, Rua Augusta, 2366 - casa 2 Jardim Paulista, São Paulo. Telefone: 11-30610947, e-mail: ipla@ipla.org.br , site: http://www.ipla.org.br/
Inscrições – por solicitação – abertas e limitadas:
• Membros do IPLA e da EBP: R$390,00
• Não membros: R$490,00
ALAIN GROSRICHARD é ex-aluno da Escola Normal Superior, « agrégé » de filosofia, Professor honorário da Universidade de Genebra, Presidente da Sociedade Jean-Jacques Rousseau, membro da Escola da Causa Freudiana (França) e da Escola Brasileira de Psicanálise. Escreveu muitos trabalhos sobre a literatura e a filosofia iluminista, especialmente sobre Rousseau, como também sobre o enfoque psicanalítico da literatura.
sábado, fevereiro 27, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
CORAÇÃO VULGAR
sexta-feira, fevereiro 19, 2010
JORGE FORBES NO YOUTUBE - HOMOFOBIA
Veja como foi a participação de Jorge Forbes no Globo News Painel exibido nos dias 13 e 14 de fevereiro sobre homofobia no exército e na sociedade civil.
JF finaliza com uma bela frase:
A única coisa que pode mobilizar o preconceito de uma pessoa é a análise.terça-feira, fevereiro 16, 2010
JORGE FORBES NO GLOBO-NEWS PAINEL
GloboNews Painel – 13 e 14 de fevereiro de 2010: O exército, a nova sociedade e o homossexualismo.
Participaram do debate coordenado por Mônica Waldvogel: Jorge Forbes (psicanalista e Presidente do Instituto da Psicanálise Lacaniana), Maria Cristina Real Espósito (coordenadora do Curso de Direito da Ordem dos Advogados do Brasil) e André Fischer (diretor do Portal Mix Brasil).
Questão: A declaração de um general candidato a uma vaga no Superior Tribunal Militar (Raimundo Donato) de que a tropa jamais obedeceria a um oficial gay reabriu o debate sobre preconceito e ingresso de homossexuais nas Forças Armadas.
O jornalista levantou de início a bandeira contra o preconceito. A advogada defendia suas idéias com base na lei: a constituição não permite preconceito ! E exigia imparcialidade do juiz.
Jorge Forbes dominou o debate e, como num jogo de volei, bateu bola com o jornalista e cortou as bolas levantadas pela advogada. Fez algumas afirmações belíssimas, que selecionei aqui:
- É impossível afirmar que o homossexual se comporta de uma maneira e o heterossexual se comporta de outra maneira; isso é caricatura. É ruim, cria-se um quisto na sociedade.
- Essa declaração do general mostra um pensamento arcaico extremamente preocupante. Uma posição do Tribunal Superior Militar reflete sobre a sociedade brasileira inteira, é uma questão civil, vai além da questão militar.
- É muito cômodo dizer: - esse sim, esse não. Qualquer forma de discriminação é uma forma covarde de enfrentar o laço social.
- Eu gostaria que esse general estivesse aqui para poder entender melhor o que ele pensa sobre isso, entender melhor essa visão de mando. Não consigo entender essa crítica, a não ser como um preconceito arraigado e muito fraco. Acho que esse pensamento enfraquece o exército.
- Do ponto de vista lacaniano, o homossexual é aquele que não consegue conviver com a diferença. No momento que você tem a ordem unida - todos iguais e isso lhe agrada - então você nega a diferença. Será que o exército só pode ser constituído dessa forma? São questões fundamentais.
- Nós damos banho pro mundo em termos de diversidade. O mundo inteiro olha o Brasil tentando aprender; a globalização exige uma conduta diversa.
- Eu discordo da transparência americana porque é falsa.
- Um juiz não é imparcial. Ninguém é imparcial, pois não é possível cifrar, traduzir a essência humana em uma letra. Um juiz carregará sempre um fator ideológico fundamental em suas decisões.
- Acredito que o Brasil tem uma flexibilidade do laço social maior que os outros países ocidentais.
- Não existe sociedade se não houver preconceito. O preconceito caminha e aí está a beleza da sociedade. O laço social humano é “irresolvível”, é uma estrutura de conflito.
- A cada momento temos que ficar alertas para saber onde o conflito e a paralisia desse laço, que tem que ser flexível, vão se congelar. Achar que existe um melhor ou um pior é achar que existe um progresso no laço social humano e que um dia teremos uma sociedade absolutamente perfeita, ideal.
- Preconceito é como uma bola de volei – um dia cai aqui, outro dia cai lá. E agora caiu nessa questão que hoje estamos vendo.
- A única coisa que pode mobilizar o preconceito de uma pessoa é análise.
Você pode acompanhar o debate no vídeo do programa já editado pela globo.com. Clique no link:
Globo News Painel: Jornalista, advogada e psicanalista analisam a presença de gays nos quartéis e na vida civil.
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
A PSICANÁLISE E SEU AVESSO - BASTA DE MEDO !
A PSICANÁLISE E SEU AVESSO
O medo não é bom conselheiro e, no entanto, nunca foi tão popular.
Vivemos uma epidemia do medo: do aquecimento global, dos fanáticos do alcorão, da bomba atômica, dos clones humanos, dos transgênicos, da promiscuidade sexual, e mais.
O medo passou a ser sinônimo de prudência e se destaca como organizador do novo laço social. As conseqüências são as piores: todos se acusam, todos se defendem.
Frente a isso, o IPLA decidiu, no ano político de 2010, trabalhar a teoria dos discursos de Jacques Lacan, elaborada, especialmente, em seu seminário O Avesso da Psicanálise, para uma clínica que não cai na armadilha moralista de medo sim, medo não.
Lacan define o discurso como uma “estrutura que ultrapassa em muito a palavra, que subsiste em certas relações fundamentais, que inscreve nossa conduta e nossos atos em certos enunciados primordiais.” Propõe quatro discursos – do mestre (DM), da histérica (DH), da universidade (DU) e do analista (DA) – como fundamentos dos laços sociais. Posteriormente introduz o discurso capitalista, uma variante do discurso do mestre.
Esses discursos, que decorrem do fato de sermos parlêtres (loquentes), emergem historicamente e são estruturas que ordenam as relações entre seus elementos, S1 - significante mestre, S2 - saber, $ - o sujeito e a - mais de gozar. Estruturam as relações do sujeito com a rede significante e com o gozo.
Essa nova teoria permite formalizar e interrogar os discursos constituídos - associados ao poder (DM), ao saber (DU), ao sintoma (DH) e à causa do desejo (DA) - e demonstrar o modo de operação próprio do DA. Localiza, desta forma, os eixos da subversão psicanalítica e acaba por subverter a própria psicanálise.
Ao avesso do medo que se propõe como um organizador coletivo e magistral, através do poder da ameaça, a clínica psicanalítica oferece a solução da responsabilidade singular frente ao gozo, que se engendra em discurso com o poder da invenção. Não se trata de manual de qualidade de vida, mas de sustentar uma vida qualificada. Basta de medo!
Para ver o programa com a rede de temas e as conferências de Jorge Forbes: clique aqui.
Início em 22 defevereiro de 2010.
Inscrição: agendar entrevistas com Claudia
Telefones: (11) 3061-0947, 3081-6346
Apresentar curriculum vitae e carta de intenção
Taxa: R$ 70,00 Vagas limitadas
Instituto da Psicanálise Lacaniana
Rua Augusta 2366 casa 2
São Paulo SP
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
SÃO PAULO DA GAROA ?
Alguns bairros, mais arborizados, estão castigados com árvores arrebentadas caídas no chão (quando não cai uma árvoe em cima de um carro, de uma casa, etc).
Quem caminha no Ibirapuera não pode deixar de notar o estrago - galhos de árvores caídos, ou mesmo árvores inteiras deitadas no chão.




quinta-feira, fevereiro 04, 2010
CASA DE SAMBA
Como sambista de carteirinha, adoro a coleção CASA DE SAMBA.
São sambas conhecidos cantados por outros cantores, geralmente em duplas. Veja aqui os 4 volumes que saíram e as playlists - você pode ouvir aqui - vale a pena !Adoro principalmente os sambas interpretados por Caetano Veloso:
no disco 1 - Caetano canta com D. Ivone Lara: Alguém me avisou
no disco 2 - Caetano canta com Zeca Pagodinho: Com que roupano disco 3 - Caetano canta Gil (Banda Beijo): Verdade
no disco 4 - Caetano canta com Roberto Silva: Juracy
Clique para ouvir as músicas do
são interpretações deliciosas.
A minha preferida é Verdade (com Caetano e Gil-Banda Beijo): Descobri que te amo demais ...
Clique para ouvir as músicas do CASA DE SAMBA 4Vamos cair no samba ....
terça-feira, fevereiro 02, 2010
BEYONCÉ ARRASA NO GRAMMY 2010
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
GALERIA DE FOTOS

O almoço de sábado foi um sucesso à parte ! Uma delicadeza oferecida por Glóra Kammer aos amigos do IPLA. Até os docinhos eram uma homenagem.
Clique aqui para ver a galeria de fotos.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
PSICANÁLISE E O MERCADO DE CAPITAIS - ANALISANDO A CRISE
O que a psicanálise tem a propor frente à crise financeira que atinge o mundo hoje?
A leitura do livro SURVIVRE AUX CRISES de Jacques Attali - lançado em novembro de 2009 em Paris - pelos pesquisadores do Projeto Análise, coordenado por Jorge Forbes, abriu a questão:
O que os psicanalistas querem saber da crise e dos mercados de capitais?
Cerca de 90 perguntas foram propostas e o IPLA organizou um curso neste fim de semana para seus membros e convidados:
Já analisamos a "crise" que se abateu sobre o mundo de diversos ângulos; agora parece necessário, aos psicanalistas, melhor compreensão dos mercados de capitais. “Trata-se simplesmente de saber de que história a gente fala... .... A mais-valia é, então, o fruto dos meios de articulação que constituem o discurso capitalista”, J. Lacan (Séminaire XVI, pg 37).
Faz parte da formação auxiliar de um psicanalista: filosofia, lógica, sociologia, história, etc. Curiosamente, não, matérias econômicas.
O IPLA fará uma imersão de conhecimento nos aspectos econômicos da crise e suas ainda repercussões futuras. Convidou, para dar um curso, neste final de semana, alguém do mercado de capitais, de forte formação intelectual, que compreende as questões dos psicanalistas e pode lhes aportar novos subsídios.
Trata-se do advogado-parecerista Luiz Forbes, que foi presidente da Brazilian-American Chamber of Commerce, Inc., New York; diretor da BM&F, representante da BM&F e da Bovespa em Nova York ; presidente da Aim Brazil Corp., New York, e diretor da CVM. Atualmente: membro (e ex-presidente) do Conselho de Supervisão da BSM - BM&FBOVESPA Supervisão de Mercados; membro da Câmara de Arbitragem da BM&FBOVESPA.
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Mercados Financeiros e Crises Macroeconômicas in a Nutshell
Pontos a Ponderar para Psicanalistas
Tópicos Principais
• Mercados Financeiros: distinguindo alhos de bugalhos
• Os inacreditáveis números dos mercados de derivativos e a sua inegável importância
• Mas não são tais mercados pura e simples jogatina?
• E o que há de errado em jogos inteligentes?
• Friedman e a criação dos derivativos modernos
• Non omnibus licet...
• O nó borromeu dos mercados
• Como conduzir bem a caravana sem cuidar dos C.A.M.E.L.S.?
• 1929, 1984, 1987, 2008/2009... E daqui pra frente? Mar de almirante, novas marolinhas ou um tsunami terminal?
• A volta ao estádio de Glass-Steagall, a quebra definitiva do espelho, o uso consciente da espingarda de Douglas? Ou nada disso?
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Três Palestras:
Sexta-feira, dia 29.1, das 20h15 às 22h15
Sábado, dia 30.1, das 10h15 às 12h15
Sábado, dia 30.1, das 16h15 às 18h15
Local: sede do IPLA: Rua Augusta, 2366, casa, 2.
Valor da inscrição, exclusiva para membros do IPLA: R$ 250,00, com Claudia. (Não membros poderão se inscrever, na medida da disponibilidade de lugar e sendo convidado por um membro)Haverá uma atividade extra de introdução ao tema, por Ariel Bogochvol, sobre o livro "Survivre aux Crises", de Jacques Attali, na sexta-feira, das 19 às 20h.
Confirme a sua inscrição o mais breve possível.
Mais informações no Site do Projeto Análise.
segunda-feira, janeiro 25, 2010
O RIO DE JANEIRO CONTINUA LINDO ...
Um fim de semana na cidade do Rio de Janeiro é sempre um bom programa. Principalmente quando a chuva maltrata São Paulo e o sol brilha no Rio.Na sexta-feira à noite, a pedida é ouvir Teresa Cristina e o Grupo Semente no Carioca da Gema
O show dessa sexta-feira foi em homenagem aos 100 anos de Amélia Buarque de Holanda (o aniversário é hoje, 25 de janeio).Outro programa legal foi a visita a um amigo que mora no Humaitá - um pedaço do Rio encrustado na mata Atlântica, com um jardim de avencas e macaquinhos nas árvores do quintal:
terça-feira, janeiro 19, 2010
domingo, janeiro 17, 2010
A PSICANÁLISE TOCA O ESTRANHO EM CADA UM - O excitante amor ao diferente - por Jorge Forbes
Freud, o criador da Psicanálise, chamou de "o estranho" (Das Unheimlich), esse algo que sempre falta, essa falha na minha intimidade, esse "êxtimo", como nomeou Lacan. (JF)
Jorge Forbes, num texto maravilhoso publicado hoje no jornal O ESTADO DE S. PAULO (Caderno Aliás) - "O excitante amor ao diferente", analisa o caso da estudante de direito e filha de professora universitária que ajuda o namorado, office-boy procurado pela justiça, a assaltar a própria mãe.
No meio da tragéida do Haiti, Forbes aponta: Essa pequena notícia veiculada nessa semana fica incomodando tal qual uma espinha, ao lado de tragédias bem mais retumbantes.
Forbes destaca neste texto o novo valor da família na era da globalização: o centro da responsabilidade ética da sociedade, como apontou Elza Macedo em seu twitter (@elzamacedo).
Seguem algumas frases escolhidas deste texto, que nos fazem pensar:
Quando os "intocáveis" do laço social (mãe, religião) começam a desmoronar, com justa razão há um alerta geral.
Tem muito pai e mãe que não falam mais nada para seus filhos, hoje em dia, amordaçados pela patrulha do politicamente correto. Se disserem alguma coisa, estarão discriminando. Mas não haveria uma forma de se falar, sem ser condenado por sua opinião?
Quando pessoas convivem por muito tempo, de duas, uma: ou elas têm muita coisa a repartir - interesses, valores culturais e éticos -, ou elas, sendo muito diferentes, tentam anular a diferença que as afasta, hipertrofiando os prazeres básicos sexuais e anulando qualquer outro sistema de laço social que as distancie.
O amor entre os diferentes é muitas vezes mais excitante do que a modorrice dos semelhantes.
Nessa sociedade que perdeu os parâmetros há que se tomar cuidado em se pensar que finalmente somos todos iguais. Não, ao contrário, o que fica evidente é que somos todos diferentes, o que exige muito mais responsabilidade em qualquer relação.
Contrariando o bom-senso, que sempre pensa mal, a tendência da globalização é de sublinhar um novo valor da família, que não é desmentido pelo grande aumento dos divórcios, se entendermos a lógica.
A família será o centro da responsabilidade ética - disse ética, e não moral - da sociedade.
Família, grosso modo, é do que nos queixamos com mais veemência e paixão. É o grupo do qual mais se espera o reconhecimento que nunca chega e a compreensão impossível de sua dor.
É na insatisfação da família que cada um lapida o que lhe falta, a saber, o seu desejo, pois não há desejo sem falta.
Quando nos encontramos com alguém, mais claro fica que alguma coisa de mim falta ao encontro, exatamente essa coisa estranha, essa transcendência da imanência, essa falha na minha intimidade, esse "êxtimo", como o nomeou Lacan. Pois bem, depois do divino e da razão, é essa intimidade estranha que servirá de guia ético para o novo tempo. Sua estranheza exigirá de cada um duas coisas: invenção e responsabilidade. Inventar um sentido para o que não tem, para o estranho, e se responsabilizar pela sua publicação no mundo.
Se ontem as famílias estavam a serviço da República, mandando seus filhos para a guerra, por exemplo, hoje, a República deverá servir às famílias. É o remédio contra o que nos repugna: uma filha ficar de campana para a mãe ser assaltada.Leia a íntegra do artigo no link do estadao.com.br
domingo, janeiro 10, 2010
sábado, janeiro 09, 2010
VOCÊ TEM PRESSA DE QUE ?

Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo.
Não trago o sol nem a lua na algibeira.
Não quero conquistar mundos porque dormi mal,
Nem almoçar o mundo por causa do estômago.
Indiferente?
Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso,
Um momento no ar que não é para nós,
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra,
Traz! na realidade que não falta!
Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega
Nem um centímetro mais longe.
Toco só aonde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.
E estamos sempre fora dele porque estamos aqui.
(Alberto Caeiro)
quarta-feira, janeiro 06, 2010
FELIZ 2010 !!!!
Ilhabela foi o lugar escolhido para fechar o ano de 2009 e começar a nova década.
Reveillon 2009/2010 Com os filhos, amigos - muita alegria, muita música (ouvindo o CD Nasci para Bailar 2009/2010) e curtindo as lindas praias de Ilhabela - um bom começo de ano !
E as fotos do Natal animado em casa
NATAL 2009

















