


(do livro NÃO SOU NINGUÉM - POEMAS - de Emily Dickinson e tradução de Augusto de Campos - Editora Unicamp)
Comprei esse livro na feira do livro da FFLCH - USP, que tem todas as editoras presentes com livros pela metade do preço. Termina nesta sexta-feira. Corra! É imperdível !!!!!!!!!!!!!!







Uma tarde diferente: em vez de entrar na FNAC continue na Rua Pedroso de Morais procurando livros raros nos 8 sebos que se encontram na rua.
Comprei dois livros de Camões:
- uma edição portuguesa (Porto Editorial - Porto) dos Lusíadas para estudantes do Instituto Coimbra, com comentários do professor organizador dessa edição - Emanuel Paulo Ramos - , a biografia de Camões e uma introduçaõ literária da época contemporêna à Camões.- Lyrica - um edição ilustrada com redondilhas e sonetos de Camões, de 1959, com a primeira página da primeira edição, de 1595 e da edição de 1607. É um livro muito bonito, de formato grande, com as letras também em tamanho grande - Editora ATIS. Aqui vai uma amostra das redondilhas:
Mote alheio
Minina dos olhos verdes,
Porque me não vedes?Voltas
Eles verdes são,
E têm por usança,
Na cor, esperança,
E nas obras, não,
Vossa condição
Não é de olhos verdes,
Porque me não vedes.--------------------
Mote alheio
Se de saudade
Morrerei ou não,
Meus olhos dirão
De mim a verdade.
Por eles me atrevo
A lançar as águas
Que me mostrem as mágoas
Que nesta alma levo.--------------------
Comprei uma edição de bolso da Aguillar Editora, (pequeninho, lindo) em papel bíblia, de 1956, de Don Quijote de La Mancha, de Miguel de Cervantes. O livro traz 182 ilustrações reproduzidas de diversas edições nacionais (espanholas) e estrangeiras. Uma jóia !
Uma coisa importante dessa empreitada é ter a companhia de alguém entendido, acostumado a frequentar e descobrir raridades em sebos - essa introdução faz toda a diferença. Se você ainda não teve essa experiência , recomendo !
O bom senso, que normalmente pensa mal, associa a compra boa e feliz a quando alguém adquire o que lhe é necessário, em especial, se pertencer à trinca das necessidades humanas fundamentais: saúde, educação e moradia. Essa fórmula do politicamente correto funciona ao nível da necessidade, mas nem sempre ao nível do desejo. Desejar é ter um desejo sempre de outra coisa, afirmava Jacques Lacan. Os exemplos chocam: para terror da patroa, sua cozinheira comprou uma boneca de presente de natal para sua filha, empenhando a própria bicicleta. Para desespero da esposa, seu marido pagou cinqüenta mil dólares no carrinho de brinquedo que faltava à sua coleção. Para desconsolo da viúva, sua filha gastou todo o 13º salário, em uma viagem para uma ilha semi-selvagem. Afirmar que esses fatos só ocorrem em um sistema de capitalismo selvagem, corruptor de mentes fracas, hipnotizador perverso e aliciador do consumismo suicida, é acreditar em utopias. As condições de escolha de um objeto, como também de uma pessoa são sempre muito estranhas aos olhos dos outros; é o que fez Fernando Pessoa escrever que todas as cartas de amor são ridículas.
Os tempos de hoje, da globalização, são ainda mais propícios às expressões singulares de cada pessoa, aumentando a taxa de estranheza das escolhas. Isso porque estamos em um tempo no qual não há padrões fixos do que se deve fazer, ou do como se pode ter prazer corretamente. Aumenta muito a responsabilidade de cada um de com quem está, em que lugar, e com o que. Está com os dias contados o exibicionismo do objeto de luxo para mostrar poder e exclusividade, a questão não é mais de impressionar o outro, mas de, como um artista, fazer sua opção subjetiva, e incluí-la no mundo.
Felicidade não tem preço, diz a sabedoria popular, não no sentido de ser muito cara, mas de que não é “precificável”, de que nunca se acha o justo valor. Os objetos da pura necessidade, espera-se que sejam gratuitos, pois se nos puseram nesse mundo, que nos cuidem, ensinem e abriguem; já os objetos de desejo, que cada um responda.artigo de Jorge Forbes para a revista ISTO É PLATINUM - out/nov 2008
Felicidade é um tema pouco comentado em psicanálise, ao contrário de temas como angústia, depressão, infelicidade, etc.
Jorge Forbes desenvolveu esse tema em algumas palestras neste ano, partindo da aula inaugural do IPLA de 2008, que acaba de sair em DVD. É uma das suas conferências que mais aprecio.
Neste dia tão especial para mim quero deixar aqui no blog um trecho desse DVD (publicado no YouTube).
A síntese do caso, apresentada no programa OPINIÃO NACIONAL, da TV Cultura:
O trágico desfecho do sequestro da jovem Eloá Cristina tem mobilizado a opinião pública. Durante mais de cem horas Lindemberg manteve a ex-namorada e a amiga reféns em um apartamento na periferia de Santo André, na Grande São Paulo. Por fim, Lindemberg baleoou as duas reféns e Eloá morreu. A história deixou uma dúvida no ar: poderia ter sido diferente?
O Programa OPINIÃO NACIONAL, da TV Cultura, desta quinta-feira, debateu o caso Eloá, a atuação da polícia e da mídia, com a participação de 4 convidados:
Cel. José Vicente da Silva Filho - especialista em segurança, ex-secretário nacional de segurança; Rodrigo Rodrigues Pimentel - ex-capitão do BOPE; Cel. Luiz Carlos dos Santos - Presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo; Jorge Forbes - psicanalista. A coordenação, de Alexandre Machado.
As ações do GATE foram defendidas e explicadas pelos seus pares. Foi um programa com bom nível de discussões, não para culpar os policiais que comandaram a operação, mas para analisar e pensar.
Houve ou não tiro antes da invasão do cativeiro?
Não importa, há um momento em que o processo tem que ser rompido e é sempre um momento de muito risco - é consenso de todos. Não é o único elemento decisivo de uma quebra da conversa, disse Jorge Forbes.
Houve um consenso também quanto a questão do assédio da mídia. Pode cooperar para o sucesso ou fracasso de uma operação e nesse caso atrapalhou muito.
Não houve uma conversa, não houve negociação, houve falta de limite.
Jorge Forbes foi um analista, como sempre:
Houve um erro, pois, na ética da consequência, uma moça morreu, outra moça ficou ferida e foi hospitalizada, um jovem matou e foi preso. Mas a certeza que houve um erro não significa que há uma certeza que se poderia evitar o erro; não podemos fazer essa afirmação. Estamos aqui para respeitar a mídia e a pergunta que ela se fez sobre os seus limites.
Vivemos em uma época da sociedade do espetáculo, onde tudo, supostamente, pode ser transparente; não há limites. Porém, ser transparente a ponto de mostrar o que está além da cena é mostrar o obsceno. Não há conversa na frente das câmeras. Foi um cenário para selar um compromisso, não de vida, mas de morte.
Alexandre finalizou o programa dando a palavra a Jorge Forbes, que se despediu elogiando a iniciativa: Um programa que nos fez pensar sobre o limite de nossa ação e o que acontece quando ultrapassamos esse limite. A pergunta que fica é: O que nós estamos fazendo?
Realmente, foi o programa que melhor analisou essa tragédia.
Em tempo:
Foi publicado hoje, na FOLHA DE S.PAULO, caderno Cotidiano, um artigo de Jorge Forbes, sobre esse tema. Muito bom.
Leia, acessando o link:
O melhor programa deste fim de semana é no IPLA:
1 Sábado - 25 de outubro: O que é a Segunda Clínica de Jacques Lacan? com Jorge Forbes e equipe do Corpo de Formação do IPLA.
Veja a programação: http://www.psicanaliselacaniana.com/cursos/Sabados_no_IPLA_
A_segunda_clinica_de_Jacques_Lacan.htm2 Domingo - 26 de outubro: Ego trip (inveja, vergonha e medo) com Guto Lacaz
Guto Lacaz, arquiteto e artista plástico, tem o humor e a surpresa como marcas de seu trabalho. Acesse e divirta-se em seu site: http://www.gutolacaz.com.br/
3 Segunda-feira - 27 de outubro: A Angústia - conferência do psiquiatra Valentim Gentil, do HC/FMUSP e debate de Jorge Forbes, com a coordenação de Ariel Bogochvol.
Qual evento você escolhe? Em caso de dúvida, participe de todos - são abertos ao público.
IPLA - Rua Augusta 2366, casa 2 - telefones: (11) 3061-0947 e 3081-6346
Não dá pra não ir !
Você já pensou em "suecar" - criar versões toscas, sem recursos, de forma improvisada - seus filmes preferidos e publicar no YouTube ou distribuir para os amigos?
É disso que se trata esse filme engraçado. Mostra, como fazer, de forma ingênua, toda uma comunidade paricipar de refilmagens de seus filmes favoritos e fazer disso uma mania. No caso, salvaram uma video-locadora decadente de periferia e transformaram-se em sucesso. Quem assistiu aos filmes ROBOCOP, CONDUZINDO MISS DAIS, O REI LEÃO, vai se divertir. A sala de cinema, lotada, gargalhava das cenas "suecadas" desses filmes.
Está na 32a Mostra Internacional de Cinema de SP: http://www.mostra.org/32/
Nesta segunda-feira Letícia participou de um festival de dança contemporânea. Ela estava muito orgulhosa e feliz. André filmou a apresentação do grupo, intitulada BAÚ DE MÁGOAS, ao som de Madredeus.
O Mistério do Samba é um filme sobre as raízes do samba.
Um trabalho de pesquisa realizado por Marisa Monte e que resultou primeiro no CD Tudo Azul - um dos melhores CD de samba, na minha opinião.
Músicas que nunca haviam sido gravadas e que faziam parte da história do samba foram recuperadas e seus compositores foram homenageados, como Monarco, Argemiro, Jair do Cavaquinho, Aniceto, Antônio Rufino dos Reis, Casquinha e Casemiro da Cuíca, e pastoras como Surica, Doca e Eunice - a Velha Guarda da Portela.
Se você ainda não viu, vá correndo.
Acesse o site oficial do filme:
http://www.omisteriodosamba.com.br/
Veja uma das minhas músicas preferidas do Cd Tudo Azul: Volta meu amor, com Marisa Monte e a Velha Guarda da Portela.
Este clip não fez parte do filme, mas vai aqui minha homenagem para esses portelenses: Teresa Cristina e Paulinho da Viola - DEPOIS DE TANTO AMOR (Paulinho da Viola)
Que opinião você tem sobre os candidatos a prefeito por São Paulo?
Jorge Forbes, em entrevista neste domingo no Caderno 2 do Estadão, fala de cara limpa, sobre cada um deles.
Muito bom.
Leia, clicando no link, a opinião do psicanalista .
Sâo análises como essas que ajudam o exercício da ética e da cidadania.
O que é felicidade? Você acha que merece ser feliz?
E se eu te disser que felicidade não é bem que se mereça? Que se você fez tudo como mandam os 10 mandamentos, mais o que teu pai te ensinou e tudo o que era politicamente correto, mesm assim, nem por isso você tem a feliidade nas suas mãos?
Felicidade tem a ver com a magia, com a surpresa, com o encontro.
Felicidade é suportar o inesperado; tente.
É o que diz Jorge Forbes, num artigo publicado na revista Welcome. Siga o link e leia:

http://www.andreiadias.com.br/musica.html
E pelo YouTube, você vai ver Andréia interpretando Zeca Pagodinho e a dupla Roberto e Erasmo. Vale a pena conferir!






(Composição: Chico Buarque e C. Bastos )


A praia e a calçada de Copacabana, na ambientação da Oca.
A mulher sempre foi o grande problema do homem.
A história de Pigmaleão e Galatéia inspiraram o crítico e dramaturgo irlandês George Bernard Shaw na peça Pigmaleão, publicada em 1913. A peça fez enorme sucesso na Brodway (com Julie Andrews e Rex Harrison) e transformou-se em filme pela Warner&Brothers em 1964, ganhando 8 Óscar, incluindo melhor filme.
MY FAIR LADY, dirigido por George Cukor e estrelado por Audrey Hapburn e Rex Harrison, conta a história que é o sonho do homem moderno: educar as mulheres.
Jorge Forbes inicia sua palestra apresentando 3 cenas escolhidas desse filme.
O estorvo que é uma mulher na vida de um homem:
Por que uma mulher não reage como um amigo?
Por que uma mulher não pode ser como um homem?
Será que hoje ainda existem Higgins querendo educar as mulheres?
O mundo verticalizado, masculino, foi muito bem representado nesse filme. Os homens têm prazer na igualdade - adoram usar uniforme, smoking, por exemplo. A mulher, ao contrário, adora a diferença, não suporta ser comparada com outra, quer ser única.
A globalização tem um parâmetro feminino. As mulheres, como os jovens de hoje, são mutantes. Há hoje uma outra ordem, flexível, diferente do padrão. O mundo de hoje é flexível, como é a natureza das mulheres, antepõe a certeza à verdade. As mulheres têm uma certeza que independe da demonstração lógica - é uma outra lógica. Onde está esse ponto de certeza que não depende desse padrão lógico? Os momentos de amor, de prazer são incapturáveis. Suportar estar juntos sem se compreender é outra consequência desse novo tempo. Tá ligado?
Hoje, a mulher que é criativa não é um estorvo; ela tem um lugar e não perde seu posto.
Forbes desenvolveu o tema com clareza, com ritmo. Duas horas se passaram rapidamente. A platéia ouvia, ria, participava com animação e vibrava com a segurança, a desenvoltura e a leveza do palestrante.
Foi uma grande noite do Café Filosófico !