domingo, setembro 16, 2007

EXPOSIÇÃO

CENTRO CULTURAL SÃO PAULO
16 de setembro a 9 de dezembro

Neste sábado, 15 de setembro, Guto Lacaz recebeu os amigos para ver sua exposição GRÁFICA, LIVRO e INVEJA.
Além da exposição de seus trabalhos gráficos, foi também o lançamento de dois livros:
GRÁFICA, com todas as ilustrações expostas.
INVEJA, com ilustrações da campanha VEJA, OMO, O PEQUENO PRÍNCIPE, etc.


































Seu estilo é inconfundível. Clean. Chique. Moderno.

Abraçar o amigo nesse dia especial é uma alegria.

Guto expôs junto com os demias, o logo que desenhou para o IPLA. Ele é o responsável por toda arte gráfica de nossos eventos.

A arte da capa do CD Nasci para Bailar 2006/2007 foi um presente desse grande amigo. A mais linda capa do CD, de todos os tempos - e olha que ela não fez parte dessa exposição!


PARABÉNS GUTO!!!!!!!!!!!!

Se quiser ver as obras no site dele, clique:

http://www.gutolacaz.com.br/index.html

sábado, setembro 15, 2007

ARNALDO ANTUNES

Todas as coisas

do mundo não

cabem numa

idéia. Mas tu-

do cabe numa

palavra, nesta

palavra tudo.

sexta-feira, setembro 14, 2007

O TANGO DE RASHEVSKI


A história começa com a morte de Rosa, a avó.

A perda e a busca da identidade, a religião, os costumes, os preconceitos, tudo junto num filme sensível. O tango faz parte da identidade dessa família de judeus que não se sentem judeus. Filhos de um rabino e de uma judia que dançava tango e odiava a religião judaica.

Rosa está presente o tempo todo, é a alma da família. Uma mulher cheia de vida.

Vale a pena conferir!

A música-tema, um tango, é lindo! Veja aqui o trailer:

http://www.youtube.com/watch?v=uSUJGuxqYYc

O filme de 2003, O Tango de Rashevski, é inspirado na história das famílias dos roteiristas, o alemão Sam Garbarski, também diretor, e o iraniano Philippe Blasband. Os dois foram premiados no último Festival de Berlim com o filme Irina Palm. Filmado na Bélgica, o longa conta com a presença da atriz Tania Garbarski, filha do diretor, no papel de Nina.

sábado, setembro 08, 2007

OS SERTÕES DE ZÉ CELSO - NA BAHIA








José Celso Martinez Corrêa - o criador do Teatro Oficina - está apresentando aqui em Salvador a saga de 24 horas da peça OS SERTÕES, baseado na obra de Euclides da Cunha.







O diabo está solto, ou você muda, ou vira encosto.









A saga da guerra de Canudos, Os Sertões, por Euclides da Cunha, também foi descrita por Mario Vargas Lhosa no livro A Festa do Bode.

Zé Celso, depois de um trabalho de seis anos, apresenta essa peça em 5 capítulos apresentados em 5 noites: A Terra, O Homem I, O Homem II, A Luta - parte I e A Luta - parte II.



Assisti hoje, aqui em Savador, A LUTA-parte I, num espetáculo de mais de seis horas de duração.

INCRÍVEL!!!!

sexta-feira, setembro 07, 2007

BAHIIA DE DORIVAL CAYMMI

SALVE A BAHIA DE
SÃO SALVADOR

Você já foi à Bahia, nêga?
Não? Então vá!
Quem vai ao Bonfim, minha nêga
Nunca mais quer voltar

Muita sorte teve
Muita sorte tem
Muita sorte terá

Você já foi à Bahia, nêga?
Não? Então vá!

Lá tem vatapá! Então vá!
Lá tem caruru! Então vá!
Lá tem mungunzá! Então vá!
Se quiser sambar! Então vá!

Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do imperador

Tudo isso na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Que nenhuma terra tem


São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra de Nosso Senhor
Pedaço de terra que é meu

São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do branco mulato
A terra do preto doutor

São Salvador, Bahia de São Salvador
A terra do Nosso Senhor
Do Nosso Senhor do Bonfim

Oh Bahia, Bahia cidade de São Salvador
Bahia oh, Bahia, Bahia cidade de São Salvador

Ai, ai que saudade eu tenho da Bahia
Ai, se eu escutasse o que mamãe dizia
"Bem, não vá deixar a sua mãe aflita
A gente faz o que o coração dita
Mas esse mundo é feito de maldade e ilusão"

Coqueiro de Itapoã, coqueiro
Areia de Itapoã, areia
Morena de Itapoã, morena
Saudade de Itapoã me deixa
Oh vento que faz cantiga nas folhas
No alto dos coqueirais

A estrela mais linda, hein?
Tá no Gantois
E o sol mais brilhante, hein?
Tá no Gantois
A beleza do mundo, hein?
Tá no Gantois
E a mão da doçura, hein?
Tá no Gantois
O consolo da gente, ai?
Tá no Gantois
E a Oxum mais bonita, hein?
Tá no Gantois

O Que é que a baiana tem?
O Que é que a baiana tem?

Tem torço de seda, tem!
Tem brincos de ouro tem!
Corrente de ouro tem!
Tem pano-da-costa, tem!
Sandália enfeitada, tem!
Tem graça como ninguém
Como ela requebra bem!

Quando você se requebrar
Caia por cima de mim

quinta-feira, setembro 06, 2007

SAUDADES DA BAHIA



Man'hã de Carnaval.

Uma festa na cidade de Salvador pela comemoração dos 500 anos do Brasil.

Maria Bethania e Gal Costa cantam com Pavarotti.

A ele, uma homenagem.

Clique para ver o vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=03LLSKUx8JI
Manhã, tão bonita manhã
Na vida, uma nova canção
Cantando só teus olhos
Teu riso, tuas mãos
Pois há de haver um dia
Em que virás
Das cordas do meu violão
Que só teu amor procurou
Vem uma voz
Falar dos beijos perdidos
Nos lábios teus

Canta o meu coração
Alegria voltou
Tão feliz a manhã
Deste amor
(Luís Bonfá e Antônio Maria)

sexta-feira, agosto 31, 2007

BRASILEIRINHO - O FILME


O choro é a música brasileira por excelência, precursor do samba.
Sou fã do chorinho desde sempre, para ouvir, cantar ou dançar.
Neste filme-documentário, além de saber mais sobre esse gênero musical, podemos ouvir uma seleção de chorinhos maravilhosos, com intérpretes também maravilhosos.
Dentre os artistas que participam estão Yamandu Costa, Paulo Moura e a grande cantora Teresa Cristina.
Um filme para assistir e se deliciar. Atrilha sonora saiu em CD quando foi lançado o filme e é imperdível!
Vá correndo assistir - no Unibanco Frei Caneca.

quinta-feira, agosto 30, 2007

ERA UMA VEZ ...

Uma Galinha

Clarice Lispector



Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque não passava de nove horas da manhã.

Parecia calma. Desde sábado encolhera-se num canto da cozinha. Não olhava para ninguém, ninguém olhava para ela. Mesmo quando a escolheram, apalpando sua intimidade com indiferença, não souberam dizer se era gorda ou magra. Nunca se adivinharia nela um anseio.

Foi pois uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto vôo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcançar a murada do terraço. Um instante ainda vacilou — o tempo da cozinheira dar um grito — e em breve estava no terraço do vizinho, de onde, em outro vôo desajeitado, alcançou um telhado. Lá ficou em adorno deslocado, hesitando ora num, ora noutro pé. A família foi chamada com urgência e consternada viu o almoço junto de uma chaminé. O dono da casa, lembrando-se da dupla necessidade de fazer esporadicamente algum esporte e de almoçar, vestiu radiante um calção de banho e resolveu seguir o itinerário da galinha: em pulos cautelosos alcançou o telhado onde esta, hesitante e trêmula, escolhia com urgência outro rumo. A perseguição tornou-se mais intensa. De telhado a telhado foi percorrido mais de um quarteirão da rua. Pouco afeita a uma luta mais selvagem pela vida, a galinha tinha que decidir por si mesma os caminhos a tomar, sem nenhum auxílio de sua raça. O rapaz, porém, era um caçador adormecido. E por mais ínfima que fosse a presa o grito de conquista havia soado.

Sozinha no mundo, sem pai nem mãe, ela corria, arfava, muda, concentrada. Às vezes, na fuga, pairava ofegante num beiral de telhado e enquanto o rapaz galgava outros com dificuldade tinha tempo de se refazer por um momento. E então parecia tão livre.

Estúpida, tímida e livre. Não vitoriosa como seria um galo em fuga. Que é que havia nas suas vísceras que fazia dela um ser? A galinha é um ser. É verdade que não se pode­ria contar com ela para nada. Nem ela própria contava consigo, como o galo crê na sua crista. Sua única vantagem é que havia tantas galinhas que morrendo uma surgiria no mesmo instante outra tão igual como se fora a mesma.

Afinal, numa das vezes em que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a. Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida carregada em triunfo por uma asa através das telhas e pousada no chão da cozinha com certa violência. Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De pura afobação a galinha pôs um ovo. Surpreendida, exausta. Talvez fosse prematuro. Mas logo depois, nascida que fora para a maternidade, pare­cia uma velha mãe habituada. Sentou-se sobre o ovo e assim ficou, respirando, abotoando e desabotoando os olhos. Seu coração, tão pequeno num prato, solevava e abaixava as penas, enchendo de tepidez aquilo que nunca passaria de um ovo. Só a menina estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal porém conseguiu desvencilhar-se do acontecimento, despregou-se do chão e saiu aos gritos:

— Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela pôs um ovo! ela quer o nosso bem!

Todos correram de novo à cozinha e rodearam mudos a jovem parturiente. Esquentando seu filho, esta não era nem suave nem arisca, nem alegre, nem triste, não era nada, era uma galinha. O que não sugeria nenhum sentimento especial. O pai, a mãe e a filha olhavam já há algum tempo, sem propriamente um pensamento qualquer. Nunca ninguém acariciou uma cabeça de galinha. O pai afinal decidiu-se com certa brusquidão:

— Se você mandar matar esta galinha nunca mais comerei galinha na minha vida!

— Eu também! jurou a menina com ardor. A mãe, cansada, deu de ombros.

Inconsciente da vida que lhe fora entregue, a galinha passou a morar com a família. A menina, de volta do colégio, jogava a pasta longe sem interromper a corrida para a cozinha. O pai de vez em quando ainda se lembrava: "E dizer que a obriguei a correr naquele estado!" A galinha tornara-se a rainha da casa. Todos, menos ela, o sabiam. Continuou entre a cozinha e o terraço dos fundos, usando suas duas capacidades: a de apatia e a do sobressalto.

Mas quando todos estavam quietos na casa e pareciam tê-la esquecido, enchia-se de uma pequena coragem, resquícios da grande fuga — e circulava pelo ladrilho, o corpo avançando atrás da cabeça, pausado como num campo, embora a pequena cabeça a traísse: mexendo-se rápida e vibrátil, com o velho susto de sua espécie já mecanizado.

Uma vez ou outra, sempre mais raramente, lembrava de novo a galinha que se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às fêmeas cantar, ela não cantaria mas ficaria muito mais contente. Embora nem nesses instantes a expressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga, no descanso, quando deu à luz ou bicando milho — era uma cabeça de galinha, a mesma que fora desenhada no começo dos séculos.

Até que um dia mataram-na, comeram-na e passaram-se anos.


Texto extraído do livro “Laços de Família”, Editora Rocco — Rio de Janeiro, 1998, pág. 30. Selecionado por Ítalo Moriconi, figura na publicação “Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”.

sexta-feira, agosto 24, 2007

UMA TARDE INESQUECÍVEL


No ateliê de Paulo Mendes da Rocha.

A poesia do arquiteto é sintetizada numa maquete de papel sobre uma prancha.

Uma mágica se produz e nos faz sonhar.

Um castelo para uma rainha.

Um sonho que se mistura com realidade.

























Quando um trabalho de rotina é uma obra de arte.



quinta-feira, agosto 23, 2007

PIRACICABA INVENTA A BOITE FILOSÓFICA

A psicanálise foi o assunto dessa quarta-feira em Piracicaba, desde a tarde, com coletiva de jornais, revistas e TV, até a noite na boite badalada da cidade.


Jorge Forbes inaugurou o espaço cultural Dandy Cult com a palestra sobre o Cinqüentão - o verdadeiro adolescente, para um público de 280 pessoas, super interessadas. Após a palestra, as perguntas não cessavam e continuaram por mais uma hora, passando da meia-noite. Jorge Forbes, empolgado e atencioso, respondia a todos.


Foi-se o tempo em que o adolescente era um garoto, entre 13 e 18 anos, cheio de vontade de viver e um pouco desorientado. A adolescência mudou de faixa etária. Hoje, a pessoa entre 50 e 60 anos entra em crise com quase todas as suas escolhas anteriores: de amor, de trabalho, de amigos, de prazeres. Curiosamente, ela se angustia com tantos anos pela frente da vida prolongada nos dias de hoje. Viver mais é bom, mas não saber como, é duro. (JF)










Com Cyleide, do programa Tudo de bom, da Net-TV e com Mara, da revista Trifatto.







terça-feira, agosto 21, 2007

ANIVERSÁRIO DE MEU FILHO ANDRÉ

O que dar de presente de aniversário a um filho ausente? O telefone é pequeno. O abraço não contém. O beijo não alcança. O pensamento vai. A poesia fica. Uma seleção de Drummond:

Por quê?

Por que nascemos para amar, se vamos morrer?
Por que morrer, se amamos?
Por que falta sentido
ao sentido de viver, amar, morrer?



Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.


Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Mundo grande

Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.

Sim, meu coração é muito pequeno.
Só agora vejo que nele não cabem os homens.
Os homens estão cá fora, estão na rua.
A rua é enorme. Maior, muito maior do que eu esperava.
Mas também a rua não cabe todos os homens.
A rua é menor que o mundo.
O mundo é grande.

Tu sabes como é grande o mundo.
Conheces os navios que levam petróleo e livros, carne e algodão.
Viste as diferentes cores dos homens,
as diferentes dores dos homens,
sabes como é difícil sofrer tudo isso, amontoar tudo isso
num só peito de homem... sem que ele estale.

Fecha os olhos e esquece.
Escuta a água nos vidros,
tão calma, não anuncia nada.
Entretanto escorre nas mãos,
tão calma! Vai inundando tudo...
Renascerão as cidades submersas?
Os homens submersos – voltarão?

Meu coração não sabe.
Estúpido, ridículo e frágil é meu coração.
Só agora descubro
como é triste ignorar certas coisas.
(Na solidão de indivíduo
desaprendi a linguagem
com que homens se comunicam.)

Outrora escutei os anjos,
as sonatas, os poemas, as confissões patéticas.
Nunca escutei voz de gente.
Em verdade sou muito pobre.

Outrora viajei
países imaginários, fáceis de habitar,
ilhas sem problemas, não obstante exaustivas e convocando ao suicídio.

Meus amigos foram às ilhas.
Ilhas perdem o homem.
Entretanto alguns se salvaram e
trouxeram a notícia
de que o mundo, o grande mundo está crescendo todos os dias,
entre o fogo e o amor.

Então, meu coração também pode crescer.
Entre o amor e o fogo,
entre a vida e o fogo,
meu coração cresce dez metros e explode.
– Ó vida futura! Nós te criaremos.


FELIZ ANIVERSÁRIO ANDRÉ!!!!

sábado, agosto 18, 2007

TODO MUNDO QUER AMOR


Jorge Forbes dá seu recado * :

Todo ser humano necessita de alguém que o incomode, que o desafie todos os dias. Quando acontece o encontro, um acorda o outro e é bom, as pessoas precisam de alguém que as retire do comportamento individualista.

A mulher deve ser "a pedra no caminho" do homem, como nos versos de Carlos Drummond de Andrade. É ela quem alerta o homem, porque ele é mais acomodado e ela é mais inquieta. O encontro faz com que os dois tenham motivo para reinventar a vida todos os dias. Mas felicidade dá trabalho.

Idealizar que o parceiro é a fonte da felicidade tem dois lados ruins:
1. Enquanto está sem par, a pessoa desvaloriza as outras conquistas da vida, que também são importantes, mas acabam passando despercebidas.
2. Se, por acaso, consegue que seu relacionamento amoroso atinja seu ideal de felicidade, está fadada a perder essa situação, já que nenhum relacionamento é ideal eternamente.

Tentar ser feliz é obrigatório. Realizar é uma sorte. Para chegar um pouco mais perto, aí vão alguns lembretes:
1. Não acredite em conselhos que tenham em sua composição a palavra "dever".
2. Esqueça regras pré-concebidas. As formas de satisfação a dois só podem ter uma regra – o comum acordo entre os parceiros.
podem ter uma regra – o comum acordo entre os parceiros.
3. Os parceiros podem contar todas as fantasias amorosas um para o outro: contar sempre, realizar quando der.
4. Jamais tente compreender a felicidade. É preciso suportar o inusitado dela, mesmo se você não compreende o que está acontecendo! Com medo de que a felicidade acabe, as pessoas ficam tentando descobrir a receita para repetir exatamente o que aconteceu, na tentativa de aprisionar o momento feliz. Mas toda vez que se constrói uma prisão, a felicidade acaba.
5. A base da felicidade é o novo, a originalidade. Ela é a possibilidade de viver fora do padrão e de reinventar a vida. Quem ousa tem mais chance de ser feliz.


A felicidade é poder manter algo dos 5 anos de idade e não ser taxado de débil mental. Felicidade é a força bruta do desejo, que dá o impulso para que as coisas se realizem.


Há sempre uma diferença radical entre dois parceiros: amor é o nome que se dá à ponte que recobre temporariamente essa distância entre eles. Mas a diferença sempre vai reaparecer, é inevitável. A felicidade é tênue, um encontro provisório. Não é standard, nunca é fixa.


Tratar a relação amorosa como um tapa-buraco para as dificuldades da vida é exigir demais do parceiro, que acaba tendo uma responsabilidade que desconhece e com a qual não pode arcar.

Não existe garantia. Todo amor é um contrato de risco e nisso reside sua graça e sua desgraça. Graça, quando contribui para aumentar o entusiasmo na vida. Desgraça quando deixa a pessoa desarvorada – a pior reação de uma mulher frente à perda de um amor, segundo [a escritora] Marguerite Duras.


Felicidade é uma responsabilidade pessoal e intransferível. Quem espera que o outro lhe traga a felicidade é porque se acomodou. Colocou o parceiro no lugar da mãe que levava o Toddy na cama.


Transformar amor em remédio é perigoso, felicidade não é artigo de consumo. A relação amorosa tem duas vertentes: a afetiva e a sensual. A afetiva é cuidado, segurança, companheirismo – é repetição. A sensual é invenção e nada tem a ver com o cuidar – envolve surpresa, uso sexual recíproco e tem uma vertente enigmática. Quando as pessoas estão carentes, tendem a desenvolver a corrente amigável e sufocar a sensual. Aí o amor acaba. Quem se preocupa demais com o dia-a-dia costuma fazer mal amor à noite.


Quando se gosta de alguém, a tendência é ficar vulnerável. Amar é suportar ser ridículo. A partir dos 30 anos as pessoas estão escaldadas, já tiveram decepções amorosas. Daí o medo. Mesmo assim, vale a pena arriscar novamente, ainda sabendo que pode se ferrar de novo. Mas se a pessoa só se ferra, é hora de desconfiar de suas más escolhas. Tem gente que tem prazer em sofrer.


A paixão pode ser chamada de felicidade, mas, quando se transforma em um ideal de vida, fica supervalorizada e representa um perigo. Fica bonito no teatro, mas é muito triste na vida real. Daí personagens como Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Abelardo e Heloísa... Morreram porque tentaram eternizar a paixão. Quando os envolvidos querem manter intocável a paixão, quando não suportam mudança ou interferência, acabam selando um compromisso de morte.


* ( de uma entrevista antiga - dezembro de 2001 - para a revista Marie-Claire)

quarta-feira, agosto 15, 2007

UMA NOITE, DOIS EVENTOS

A CASA DA FAU DA RUA MARANHÃO EM FESTA


Paulo Mendes da Rocha autografa seus dois livros lançados na noite de 14 de agosto, na magnífica casa da FAU da Rua Maranhão.
Rodeado de alunos, colaboradores e admiradores, a noite foi de festa.
Paulo, incansável e com seu bom-humor característico,ficou até meia-noite distribuindo autógrafos para uma galera numa fila interminável.



Paulo, Helena e seu time de primeira.
















PALESTRA E DEBATE SOBRE PESQUISAS COM CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS NA LIVRARIA CULTURA- nesta terça-feira


Mais um ponto para a pesquisa com células-tronco embrionárias. Os palestrantes deram um show e a platéia mostrou-se favorável à causa.
















segunda-feira, agosto 13, 2007

DEBATE: PESQUISAS COM CÉLULAS TRONCO


AGENDA OBRIGATÓRIA AMANHÃ - 14 de agosto, às 19h:

LIVRARIA CULTURA DO CONJUNTO NACIONAL

Mesa-redonda para debater a utilização em pesquisas científicas das células-tronco embrionárias humanas.

Mayana Zatz, José Eduardo Krieger, Jorge Forbes e a vereadora Mara Gabrilli participarão de uma mesa-redonda para debater a utilização em pesquisas científicas das células-tronco embrionárias humanas.

O evento, que faz parte da série Encontros com a Pesquisa - FAPESP.

COMPAREÇA.
VENHA PARTICIPAR DESTA LUTA.

quinta-feira, agosto 09, 2007

ORQUESTRA IMPERIAL






A abertura da FLIP 2007 foi uma festa dançante com a ORQUESTRA IMPERIAL e seus 17 integrantes. Ou seja, tinha tudo para ser dançante, não fossem as cadeiras que tomavam conta do espaço. Mas o grupo, muito animado, fez um novo show como bis para quem saiu das cadeiras e foi para a frente dançar.



Eles são um show!



Outro dia comprei o primeiro CD gravado peça Orquestra Imperial, CARNAVAL SÓ ANO QUE VEM, e desde então é só ele que fica tocando no som do meu Jeep. Aproveito o balanço do Jeep e dirijo dançando e cantando. As músicas, como num baile, têm os ritmos mais variados: samba, gafieira, bolero, cha-cha-cha, etc. As letras, em sua maioria são paródias, uma gozação.



Recomendo!

E para você curtir, selecionei duas delas:

Ereção

Yarusha

Bom baile!

quarta-feira, agosto 08, 2007

DÓI

Ferida

Augusto de Campos


fer
ida
sem
ferida
tudo
começa
de novo
a cor
cora
a flor
o ir
vai
o rir
rói
o amor
mói
o céu
cai
a dor
dói

quarta-feira, agosto 01, 2007

BERGMAN E ANTONIONI


O mês de agosto começa com luto no cinema.

No mesmo dia 30 de julho morreram dois grandes cineastas, criadores de filmes que marcaram a história do cinema da minha geração.

Ingmar Bergman, sueco, 89 anos.

Michelangelo Antonioni, italiano, 94 anos.

Com Bergman aprendemos o cinema-cabeça, a câmara lenta. Os filmes do Bergman faziam parte da conversa depois do cinema. Quem não viu e discutiu os filmes "Morangos Silvestres" (1957), "O Sétimo Selo" (1957), "Gritos e Sussurros" (1972), "A Flauta Mágica" (1975), "O Ovo da Serpente" (1978) e "Fanny e Alexander" (1982)?

Com Antonioni o cinema arte. Dos seus filmes, destaco "Depois Daquele Beijo" ("Blow-up", 1966), "Zabriskie Point" (1970) e "Profissão: Repórter" (1974). Blow-up é magnífico, um filme inesquecível. Foi seu primeiro filme em inglês e recebeu a indicação para o Oscar de melhor diretor. Mas só recebeu a estatueta dourada em 1995, num prêmio por toda a sua carreira.

Letícia me enviou um texto de Antonioni, falando de seu filme Blow-Up:

Em outros filmes tentei examinar a relação entre uma pessoa e outra, com maior freqüência a sua relação amorrosa, a fragilidade de seus sentimentos, e tudo o mais. Neste filme (Blow Up) nada disso tem importância. Aqui é a relação entre um indivíduo e a realidade - as coisas que estão em seu redor. Não há história de amor na fita, mesmo que vejamos relações entre homens e mulheres. A experiência do protagonista nãoé sentimental nem amorosa; antes uma experiência que se refere à sua relação com o mundo, com as coisas que encontra diante de si. É um fotógrafo. Um dia fotografa duas pessoas no parque. Um elemento da realidade queparece real. E é. Este filme talvez seja como Zen: no momento em que você o explica, você o trai. Ou seja, um filme que pode ser explicado com palavras não é um filme verdadeiro.(Antonioni para a Cahiers du Cinéma)

Então, vamos rever os filmes desse dois gênios. Eles falam por si só.

domingo, julho 29, 2007

NOITE DE SHEHERAZADE


A Sala São Paulo, linda, lotada.

O maestro Roberto Minczuk rege a Orquestra Acadêmica, com jovens brasileiros e estrangeiros, desde 12 anos de idade, com apenas 10 dias de ensaio.

Repetição do último concerto do Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. O maestro nos presenteia com três peças magníficas:

- Dom Juan, Opus 29 - RICHARD STRAUSS

- Who cares if she cries II? - da brasileira JOCY DE OLIVEIRA, com a soprano Gabriela Geluda - uma jovem cantora, maravilhosa.

- Sheherazade, Opus 35 - NIKOLAI RIMSKY-KORSAKOV.

Com Dom Juan, a sensualidade.

Na segunda peça, o descompasso, a quebra do significado, a surpresa.

Com Sheherazade, o sonho, a magia.

Que noite dos deuses!

sábado, julho 28, 2007

VOLEI - OURO NO PAN


VIVA O TIME DE BERNARDINHO!!!!!!!!!!!!!!

Viva o time brasileiro!

É uma alegria torcer por esse time!

Salve o levantador Marcelinho, os pontas Dante e Giba, os centrais Gustavo e Rodrigão, o oposto André Nascimento e o líbero Escadinha. E todo o time!

Me lembro de quando Bernardinho jogava, o time começou a fazer lenda com Renan, Bernard, William e Xandó; foi Bernard que criou o saque "jornada nas estrelas". Hoje, jogadores do mundo inteiro jogam o "jornada". Já fizemos história no volei mundial.

sexta-feira, julho 27, 2007

O ROUXINOL


ODE TO A NIGHTINGALE *
John KEATS

I

My heart aches, and a drowsy numbness pains
My sense, as though of hemlock I had drunk,
Or emptied some dull opiate to the drains
One minute past, and Lethe-wards had sunk:
’Tis not through envy of thy happy lot,
But being too happy in thine happiness,-
That thou, light-winged Dryad of the trees,
In some melodious plot
Of beechen green, and shadows numberless,
Singest of summer in full-throated ease.


II


O, for a draught of vintage! that hath been
Cool’d a long age in the deep-delved earth,
Tasting of Flora and the country green,
Dance, and Provencal song, and sunburnt mirth!
O for a beaker full of the warm South,
Full of the true, the blushful Hippocrene,
With beaded bubbles winking at the brim,
And purple-stained mouth;
That I might drink, and leave the world unseen,
And with thee fade away into the forest dim:


III

Fade far away, dissolve, and quite forget
What thou among the leaves hast never known,
The weariness, the fever, and the fret
Here, where men sit and hear each other groan;
Where palsy shakes a few, sad, last gray hairs,
Where youth grows pale, and spectre-thin, and dies;
Where but to think is to be full of sorrow
And leaden-eyed despairs,
Where Beauty cannot keep her lustrous eyes,
Or new Love pine at them beyond to-morrow.


IV

Away! away! for I will fly to thee,
Not charioted by Bacchus and his pards,
But on the viewless wings of Poesy,
Though the dull brain perplexes and retards:
Already with thee! tender is the night,
And haply the Queen-Moon is on her throne,
Cluster’d around by all her starry Fays;
But here there is no light,
Save what from heaven is with the breezes blown
Through verdurous glooms and winding mossy ways.


V

I cannot see what flowers are at my feet,
Nor what soft incense hangs upon the boughs,
But, in embalmed darkness, guess each sweet
Wherewith the seasonable month endows
The grass, the thicket, and the fruit-tree wild;
White hawthorn, and the pastoral eglantine;
Fast fading violets cover’d up in leaves;
And mid-May’s eldest child,
The coming musk-rose, full of dewy wine,
The murmurous haunt of flies on summer eves.


VI

Darkling I listen; and, for many a time
I have been half in love with easeful Death,
Call’d him soft names in many a mused rhyme,
To take into the air my quiet breath;
Now more than ever seems it rich to die,
To cease upon the midnight with no pain,
While thou art pouring forth thy soul abroad
In such an ecstasy!
Still wouldst thou sing, and I have ears in vain -
To thy high requiem become a sod.


VII

Thou wast not born for death, immortal Bird!
No hungry generations tread thee down;
The voice I hear this passing night was heard
In ancient days by emperor and clown:
Perhaps the self-same song that found a path
Through the sad heart of Ruth, when, sick for home,
She stood in tears amid the alien corn;
The same that oft-times hath
Charm’d magic casements, opening on the foam
Of perilous seas, in faery lands forlorn.


VIII

Forlorn! the very word is like a bell
To toil me back from thee to my sole self!
Adieu! the fancy cannot cheat so well
As she is fam’d to do, deceiving elf.
Adieu! adieu! thy plaintive anthem fades
Past the near meadows, over the still stream,
Up the hill-side; and now ’tis buried deep
In the next valley-glades:
Was it a vision, or a waking dream?
Fled is that music: - Do I wake or sleep?


ODE A UM ROUXINOL *
John KEATS
I
Meu peito dói; um sono insano sobre mim
Pesa, como se eu me tivesse intoxicado
De ópio ou veneno que eu sorvesse até o fim,
Há um só minuto, e após no Letes me abismado:
Não é porque eu aspire ao dom de tua sorte,
É do excesso de ser que aspiro em tua paz –
Quando, Dríade leve-alada em meio à flora,
Do harmonioso recorte
Das verdes árvores e sombras estivais,
Lanças ao ar a tua dádiva sonora.
II
Ah! um gole de vinho refrescado longamente
Na solidão do solo muito além do chão,
Sabendo a flor, a seiva verde e a relva quente,
Dança e Provença e sol queimando na canção!
Ah! uma taça de luz do Sul, plena e solar,
Da fonte de Hipocrene enrubescida e pura,
Com bolhas de rubis à beira rebordada
Nos lábios a brilhar,
Para eu saciar a sede até chegar ao nada
E contigo fugir para a floresta escura.
III
Fugir e dissolver-me, enfim, para esquecer
O que das folhas não aprenderás jamais:
A febre, o desengano e a pena de viver
Aqui, onde os mortais lamentam os mortais;
Onde o tremor move os cabelos já sem cor
E o jovem pálido e espectral se vê finar,
Onde pensar é já uma antevisão sombria
Da olhipesada dor,
Onde o Belo não pode erguer a luz do olhar
E o Amor estremecer por ele mais que um dia.
IV
Adeus! Adeus! Eu sigo em breve a tua via,
Não em carro de Baco e guarda de leopardos,
Antes, nas asas invisíveis da Poesia,
Vencendo a hesitação da mente e os seus retardos;
Já estou contigo! suave é a noite linda,
Logo a Rainha-Lua sobe ao trono e luz
Com a legião de suas Fadas estelares,
Mas aqui não há luz,
Salvo a que o céu por entre as brisas brinda
Em meio à sombra verde e ao musgo dos lugares.
V
Não posso ver as flores a meus pés se abrindo,
Nem o suave olor que desce das ramagens,
Mas no escuro odoroso eu sinto defluindo
Cada aroma que incensa as árvores selvagens,
A impregnar a grama e o bosque verde-gaio,
O alvo espinheiro e a madressilva dos pastores,
Violetas a viver sua breve estação;
E a princesa de maio,
A rosa-almíscar orvalhada de licores
Ao múrmuro zumbir das moscas do verão.
VI
Às escuras escuto; em mais de um dia adverso
Me enamorei, de meio-amor, da Morte calma,
Pedi-lhe docemente em meditado verso
Que dissolvesse no ar meu corpo e minha alma.
Agora, mais que nunca, é válido morrer,
Cessar, à meia-noite, sem nenhum ruído,
Enquanto exalas pelo ar tua alma plena
No êxtase do ser!
Teu som, enfim, se apagaria em meu ouvido
Para o teu réquiem transmudado em relva amena.
VII
Tu não nasceste para a morte, ave imortal!
Não te pisaram pés de ávidas gerações;
A voz que ouço cantar neste momento é igual
À que outrora encantou príncipes e aldeões:
Talvez a mesma voz com que foi consolado
O coração de Rute, quando, em meio ao pranto,
Ela colhia em terra alheia o alheio trigo;
Quem sabe o mesmo canto
Que abriu janelas encantandas ao perigo
Dos mares maus, em longes solos, desolado.
VIII
Desolado! a palavra soa como um dobre,
Tangendo-me de ti de volta à solidão!
Adeus! A fantasia é véu que não encobre
Tanto como se diz, duende da ilusão.
Adeus! Adeus! Teu salmo agora tristemente
Vai-se perder no campo, e além, no rio silente,
Nas faldas da montanha, até ser sepultado
Sob o vale deserto:
Foi só uma visão ou um sonho acordado?
A música se foi – durmo ou estou desperto?


Tradução: Augusto de Campos
(Vialinguagem. São Paulo: Companhia das Letras, 1987, p. 142-149).




A JOHN KEATS (1795-1821) **
Jorge Luis Borges


Desde o princípio até à jovem morte
A terrível beleza te espreitava
Como a outros tantos a propícia sorte
Ou a má. Nas auroras te esperava
De Londres, entre as páginas casuais
De um dicionário de mitologia,
Nas mais humildes dádivas do dia,
Em um rosto, uma voz, ou nos mortais
Lábios de Fanny Brawne. Ó sucessivo
E arrebatado Keats, que o tempo cega,
Esse alto rouxinol, essa urna grega
São tua eternidade, ó fugitivo.
Foste o fogo. Na pânica memória
Já não és mais a cinza. És a glória.


Tradução: Augusto de Campos

** Poema publicado por Borges em El oro del tigre (1972).
CAMPOS, Augusto. Línguaviagem. São Paulo: Companhia das Letras, 1987.

quinta-feira, julho 26, 2007

I'LL BE SEEING YOU



http://solosong.net/seeingyou/seeingyou.html


I'll be seeing you in all the old familiar places
That this heart of mine embraces all day through
In that small café, the park across the way
The children's carousel, the chestnut trees, the wishing well
I'll be seeing you in every lovely summer's day
In everything that's light and gay
I'll always think of you that way
I'll find you in the morning' sun
And when the night is new
I'll be looking at the moon
But I'll be seeing you
I'll find you in the morning sun
And when the night is new
I'll be looking at the moon
But I'll be seeing you

domingo, julho 22, 2007

LUTO E VERGONHA


A tragédia do avião da TAM em Congonhas, nesta terça-feira, 17 de julho, deixou uma dor marcada em cada brasileiro e a vergonha por termos permitido isso.

Jorge Forbes escreveu um artigo sobre a tragédia para a Revista da Folha do Jornal FOLHA DE SÃO PAULO, deste domingo:

Dói. Dói muito, como dói. Dói pelos que foram queimados. Dói porque nós sabíamos e deixamos. Dói porque no fundo – todos - apostamos na ficha errada. Dói porque podia não ter doído.

A dor coletiva é diferente da dor individual. O número 170, 180, 200, 200 e pouco, não importa. Em seu anonimato ele nos nomeia. Somos 200, sim, 200 milhões enlutados.

Leia o artigo inteiro clicando no link:

http://www.jorgeforbes.com.br/br/contents.asp?s=23&i=103

sexta-feira, julho 20, 2007

LIÇÃO DE ARQUITETURA









Uma tarde com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha é sempre uma lição de arquitetura. E as histórias são daquelas que ficam para sempre na memória.

domingo, julho 15, 2007

TERESA SALGUEIRO CANTA MPB


Quem curtia o conjunto MADREDEUS e gostava da voz de Teresa Salgueiro vai ficar suspreso ao escutar seu último CD: VOCÊ E EU.

Teresa canta sambas brasileiros quase sem sotaque. Está uma graça.

Ouça uma faixa que selecionei aqui:
O samba da minha terra; Saudade da Bahia

Curtiu?

quarta-feira, julho 11, 2007

KIRI TE KANAWA E ORQUESTRA OSB


Hoje no Teatro Alfa: a Orquestra Sinfônica Brasileira, regida por Roberto Minczuk, com a soprano neozelandesa Kiri Te Kanawa - uma das divas do canto lírico internacional.

Um espetáculo maravilhoso!

Mais uma vez minha estrela brilhou, como no último outubro, em Paris. Os ingressos estavam esgotados desde a segunda hora da abertura da bilheteria, há um mês atrás. O BRADESCO, como patrocinador da noite, tinha a maioria dos ingressos para seus convidados e não havia de quem comprar. Fiquei na porta do teatro e eis que surge Luis - até então um ilustre desconhecido, com três ingressos sobrando. Chegou meio sem jeito, com medo de ser confundido com cambista e nos presenteou com os ingressos. Eu e mais um casal ao meu lado fomos os felizardos. Ganhei um lugar na terceira fileira - melhor impossível. E vi que várias cadeiras ficaram vazias pois seu Bradesco deve ter oferecido os ingressos a quem não valoriza essa arte. Um desperdício. Ainda bem que o gerente do Luis lhe deu 4 ingressos e ele resolveu ser o anjo da noite. Assim, eu pude desfrutar de uma noite inesquecível!

Salve KIRI TE KANAWA!!!

É isso aí: as coisas só acontecem quando a gente quer. É a força do desejo!

terça-feira, julho 10, 2007

OS PONTOS ALTOS DA FILP

A FLIP 2007 superou a do ano passado em vários aspectos. Teve mais público, escritores de peso e foi mais animada.

Minha lista dos pontos altos:

- Augusto Boal e Arnaldo Jabor - deram um show sobre Nelson Rodrigues. Jabor, mesmo com uma gravação em vídeo, monopolizou a platéia.

- Coetzee - o sul-africano, Prêmio Nobel, fez uma leitura de trechos do seu próximo livro. Foi uma apresentação muito fria, sem nenhuma interação com a platéia, sem interlocutor, mas de uma performance maravilhosa. Ele é brilhante!

- Nadine Gordimer - sul-africana, Prêmio Nobel, encantou a todos com sua serenidade, simpatia e firmeza aos 80 anos.

- Amós Oz - israelense, brilhante. Fez um bate-bola animado com Nadine.

- Ignácio Padilla e Rodrigo Fresán - mexicano e argentino, participaram da mesa DE MACONDO A McONDO. Fizeram uma bela apreciação da literatura latino-americana. Uma frase de Padilla: La patria de un escritor és su biblioteca.

- Will Self - o britânico mais bem humorado e performático da FLIP.

- O Beijo no Asfalto - leitura da peça de Nelson Rodrigues por jornalistas, músicos, etc. Nelson Motta e Jorge Mautner arrasaram.

- Última mesa com a leitura de um texto escolhido por cada escritor. Cada um leu um trecho do livro que levaria para uma ilha deserta, caso tivesse que escolher um apenas. As escolhas foram muito variadas e inusitadas.

FOI BONITA A FESTA PA!

segunda-feira, julho 09, 2007

MAIS NELSON RODRIGUES


O amor é a arte do lazer. O amoroso precisa de tempo.

O homem começa a morrer na sua primeira experiência sexual.

A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.

Amar é ser fiel a quem nos traiu.

Toda unanimidade é burra.

Deus prefere os suicidas.

A morte é anterior a si mesma.

A cama é um móvel metafórico.

sexta-feira, julho 06, 2007

NELSON RODRIGUES


Não há mulher bonita feliz.

Só os imbecis têm medo do ridículo.

Só os profetas enxergam o óbvio.

O brasileiro é um feriado.

Só acredito em amor que chora.

O ser humano, tal como o imaginamos, não existe.

A multidão foi inventada pelo FLA-FLU.

Quando escrevo as minhas peças, eu condeno todo mundo e a mim próprio.

quinta-feira, julho 05, 2007

COMEÇOU A 5a EDIÇÃO DA FLIP


Paraty está em festa!

A quinta edição da Festa Literária de Paraty começou ontem à noite, um show dançante na praça da matriz, com a Orquestra Imperial e João Donato. Grande show!

Depois de mais de uma hora de show, humor e muita ginga, o bis foi com a maravilhosa música de João Donato: NASCI PARA BAILAR. Todo mundo caiu na dança. O grupo, muito animado, continuu por mais meia hora empolgando a platéia que ficou ali só para bailar. Uma festa deliciosa.

Assista a uma apresentação da Orquestra Imperial, pelo YouTube:

http://br.youtube.com/watch?v=pJm7JaLzm2o&mode=related&search=

Hoje, quinta-feira, teve início as mesas com os autores. As minhas preferidas:

Augusto Boal e Eduardo Tolentino falaram sobre Nelson Rodrigues, o homenageado da FLIP neste ano. Foi incrível! O texto do Boal contando de sua relação com Nelson Rodrigues deixou toda a platéia extasiada. Será publicado no site da FLIP. Se quiser acompanhar os acontecimentos, clique:

http://www.flip.org.br/index1.php3?idioma_new=P

Outro grande momento foi a mesa com o inglês Will Self - de um sarcasmo e humor ímpares. Fez escracho com os colegas da mesa e debatedores da platéia. Ao ser provocado por Jorge Forbes, chamou o cineasta americano Michael Moore (crítico de Bush) de “egoísta total” e “pseudo-político”. JF levantou a bola e ele mandou ver.

A festa promete, pois o time de escritores /autores que está aqui é de primeira:

- 2 Prêmios Nobel: COETZEE e NADINE GORDIMER - ambos sul-africanos

- 20 brasileiros - entre eles ARNALDO JABOR, AUGUSTO BOAL, EDUARDO TOLENTINO, FERNANDO MORAIS e RUY CASTRO.

- 5 africanos, 4 americanos, 3 argentinos, 2 mexicanos, 1 árabe, 1 inglês, 1 indiana e 1 israelense, num total de 38 autores.

A cidade vive a FLIP dia e noite, os bares e restaurantes apresentam música ao vivo, várias programações alternativas, uma festa para desfrutar e gozar.

Amanhã tem mais!

segunda-feira, julho 02, 2007

MEUS AMIGOS

meus amigos
quando me dão a mão
sempre deixam
outra coisa

presença
olhar
lembrança

meus amigos
quando me dão
deixam na minha
a sua mão

(Paulo Leminski)